A Europa na questão da Líbia

 

Mulheres de Sarkozy e Berlusconi

Chega a notícia que Sarkozy se encheu de brios, não quer mais ficar esperando por uma decisão do Conselho de Segurança da ONU e resolveu dizer que apoia uma ação militar na Líbia. Sua proposta é a de um corredor de exclusão aérea. A Eurábia protestou.Treme de pavor e clama por cautela. O continente sombrio, responsavel por nos atormentar com duas guerras mundiais, transformou-se na quintessência da hipocrisia e da covardia. Os eurabianos, que pediram socorro aos americanos porque morreram de medo de enfrentar os sérvios, nem podem se imaginar lutando em outro continente. Não conseguem impedir as burkas, quanto mais combater mercenários muçulmanos na Líbia.

Infelizmente o grande Berlusconi não pode fazer nada. A esquerda não lhe dá dá sossego. De qualquer maneira, os italianos nunca foram de briga, e portanto fica por isso mesmo. São bons para cantar e fazer macarrão. Acredito até que ele gostaria de enviar tropas contra o Kadafi, se tivesse alguma. (ver o meu artigo: Berlusconi – o bom humor contra a hipocrisia e o politicamente correto)

Do lado dos Estados Unidos o eterno dilema: não querem partir sozinhos para mais uma guerra. Ficam esperando o ajuda dos eurabianos, mas sabem que o mais provavel é receberem apenas o apoio político. Já serve. Meia dúzia de soldados de alguns países são suficientes para algum nome pomposo onde sempre entra a palavra “Aliança”. Exatamente como aconteceu no Afeganistão e Iraque, guardada a honrosa exceção para os inglêses. É melhor do que nada porque dessa maneira continuam tentando o impossivel: evitar a acusação de que estão querendo aproveitar a chance para invadir outro país e roubar suas riquezas naturais.

Claro que tudo deverá ser feito através da OTAN. Mas, no lugar de Organização do Tratado do Atlântico Norte, leia-se Estados Unidos da América do Norte. A OTAN (NATO) sempre foi uma ficção. Tudo gira em torno dos americanos. Durante a Guerra Fria a Europa teoricamente foi protegida pelos países membros da organização, mas a única coisa que realmente contava eram as bases americanas de foguetes apontados para a URSS. Além disso os Estados Unidos sempre mantiveram tropas de elite na Alemanha. Foi assim que se evitou que Stalin tomasse todo o continente. Recentemente, durante o governo Clinton, a OTAN colocou ordem na cozinha da Europa, a chamada a guerra dos Balcans, ou o massacre dos muçulmanos pelos sérvios. Absolutamente TUDO foi feito pela aviação americana. Os europeus não deram UM TIRO.  A Otan também está no Afeganistão, na retaguarda é claro. Com quem podemos contar, se as grandes nações européias não têm coragem, recursos, e nem competência ? Todo o Mundo Livre (essa é uma expressão ótima) depende dos americanos, não existe mais ninguém. É muito dificil as pessoas aceitaram essa realidade. O raciocínio lógico, matemático, já foi embora há muito tempo. A lavagem cerebral encarregou-se disso.

Os bravos povos de  língua inglesa (valentes mesmo, não é ironia), canadenses, neo-zelandeses e australianos decidiram não mais arriscar a vida dos seus soldados. E agora, depois que Blair se foi, nem com os britânicos se pode contar. Fica tudo por conta dos odiados norte-americanos. A esquerda tem toda razão: eles são mesmo a  “polícia do mundo”, graças a Deus. Os outros países ficam lá atrás, tratando de bloqueios de contas, sanções comerciais e amenidades. Os mariners que se virem.

Interessante é que nossos articulistas vivem falando com admiração na gigantesca China, que de uma hora para a outra vai ser a primeira nação do mundo. E daí ? Os chineses estão humanitariamente preocupados com os líbios ? E os russos ? Estão carregados de indignação por causa do cenário armado pelo maluco Gadhafi ? Nada, nadinha. A China é uma ditadura, e a Rússia certamente não é uma democracia. Podemos contar com eles para alguma coisa ? Claro que não. E já imaginaram – num futuro que a esquerda deseja que venha o mais rápidamente possivel – se os chineses se oferecessem para enviar tropas para algum lugar do mundo que esteja passando pela situação da Libia ?  Ninguém aceitaria, ninguém é bobo. Se desembarcassem em Trípoli, por exemplo, jamais voltariam para casa. Tudo entupido por lá, é melhor ficar no deserto grandão e aproveitar as praias do Mediterrâneo, tomar conta do país, pegar o petróleo e o escambau. Esses sim, seriam perigosíssimos se chegassem ao nivel de poder militar dos Estados Unidos. Mas, jamais acontecerá. A CHINA É POBRE, isso precisa ser dito com todas as letras. Não é carregar os bonus americanos que vai fazer os chineses ficarem ricos. Além de precisarem alimentar 1 bilhão e trezentas milhões de pessoas os chinos ainda vão ter problemas com suas 56 etnias, que constituem um risco de fragmentação do país. A esquerda pode continuar sonhando com a ascenção chinesa, com a decadência americana e com tudo de ruím que possa a vir acontecer conosco. Sonhos. Pode continuar com manchetes impressionantes em nossos jornais, como se a ascenção chinesa fosse para amanhã. São mentiras. A mão de obra no campo é quase escrava, e a miséria continua. Na hipótese remota da China se transformar em um perigo real os cientistas americanos vão inventar alguma coisa, tipo apertar um botão e os chinêses sumirem do mapa.Foi o que ocorreu durante a Guerra Fria. Sempre que os russos pareciam estar na frente o fato provocava uma reação tecnológica americana, até que a URSS desmoronou. A história vai se repetir, com toda a certeza. Para quem enfrentou os bolcheviques os chinêses não são grande coisa.

13 março, 2011 às 00:05

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Categoria: Artigos

Comentários (5)

 

  1. Maurilio disse:

    Caro Sr. Mafra, discordo fundamentalmente de uma coisa: Berlusconi, de grande, nao tem absolutamente nada. Nada contra suas mulheres (muito pelo contrário, acho que entre 4 paredes, privadamente, qualquer cidadão tem o direito de aproveitar a vida e fazer o que bem entender… desde que nao inflija a lei claro), mas sim contra suas políticas que nao fizeram nada além de exculhambar ainda mais um país a beira da falência. Um mafioso, corrupto, neofascista… grande, talvez, só dentro de rendezvouz.

    • Claudio Mafra disse:

      Buona sera, signore Maurilio

      Berlusconi è un buono ragazzo. O que acontece é que o senhor acredita em jornais. Gostaria de ajuda-lo, mas infelizmente não posso fazer nada. abraço

  2. Nivaldo disse:

    Não tenho referências para julgar o assanhamento do Berlusconi; embora não seja pobre, estou muito longe de ser rico. Muitos menos sou poderoso e ou famoso. A única semelhança, penso, é gostar muito, por demais até, da mulherada. Na minha humilde condição acho até o Berlusconi moderado; fosse eu… Agora, falando sério, o Clinton fazer sexo oral com aquela baranga (pego também, mas não sou presidente…) no salão oval pode – quem achar errado é um puritano frustrado sexualmente! Enfim, acusar a mídia de imparcial e esquerdista é chover no molhado…

    • Claudio Mafra disse:

      Caro Nivaldo, discordo com respeito ao que houve com Clinton. Tudo foi descoberto em detalhes escabrosos, depois o perjuro, depois a obstrução de justiça, depois as putas desfilando na TV, o casaco com esperma, o depoimento perante o juiz com a voz sumida e Clinton sendo repreendido. A dignidade do cargo foi inteiramente comprometida. O cara passou a ser objeto de curiosidade pública em todo o mundo. abraço

  3. acportal disse:

    fdredferdf

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