A impossivel retirada das tropas americanas do Oriente Médio

“A retirada das forças americanas do Iraque e Afeganistão não será decidida pelos políticos em Washington, e sim quando os generais determinarem”Bush

Os Estados Unidos não podem sair do Afeganistão porque em meia hora os talebans dominam o país. No Iraque, xiitas e sunitas vão se engalfinhar, com o risco de uma guerra civil. O Iran, que já ajuda “secretamente” a maioria  xiita com equipamento militar, fará uma intervenção ostensiva.Teremos governos islâmicos fundamentalistas imediatamente, teremos bases terroristas, teremos os persas como os mais poderosos entre todos, dominando completamente a região com seus aitolás, mulás e mustafás. Se o complexo nuclear iraniano não for bombardeado os iranianos serão de fato os donos do Oriente Médio. Controlarão o petróle, controlarão tudo. E a medida que o tempo passa mais dificil fica destruir as usinas iranianas. Elas estão melhor protegidas por foguetes e ainda mais enterradas no solo.

É curioso o comportamento de Israel. O seu primeiro ministro Benjamim Netanyahu tem plena consciência de tudo isso, ele não é um liberal, mas um direitista. Sabe que a existência de Israel está em jogo, o país pode simplesmente desaparecer, nada mais, nada menos. Se não agiu até agora é porque possui informações precisas do que está acontecendo. Com toda certeza existe um limite até onde o Iran pode ir na construção das bombas e,  se for ultrapassado, desencadearia a reação israelense, provavelmente com uma arma desconhecida e sem necessariamente contar com o apoio americano. Por duas vezes, no mínimo, Israel bombardeou usinas atômicas antes que conseguissem a bomba. No Iraque em 1981 e na Síria, em 2007 .De que maneira o Iran escapou, muitos anos atrás, é uma história que ainda vai ser contada. Pode ter sido em vista da imensa reação mundial ao ataque contra o Iraque. Outra hipótese é a de um veto dos Estados Unidos, comprometendo-se o governo americano com algo que não sabemos. Pode ter sido estabelecido, de comum acordo, um limite com a promessa americana de participar do ataque. Noticiou-se que os USA (ou Israel, ou os dois?) introduziram um virus nos computadores iranianos, o que estaria retardando a obtenção da bomba. Será ? Para Bush as medidas protelatórias eram necessárias porque já enfrentava duas guerras, estava fraco depois da avalanche de calúnias que caiu sobe ele,e sua aprovação popular chegou aos espantosos 20%. Para Obama, justamente por ser um liberal, um frouxo, um homem que pediu desculpas pelo passado americano, o ataque ao Iran teria mais chances de menores protestos através de um mundo completamente louco de ódio aos USA. A aprovação de Obama no momento em que escrevo é de 42%.

Os americanos poderiam sair do Iraque,do Afeganistão e de suas bases no Oriente Médio se continuassem monitorando esses países através dos satélites e atacando tudo o que considerassem suspeito através de aviões tripulados e dos não tripulados. Mas nesse caso as baixas entre os civis cresceriam exponencialmente, e isso os Democratas-Liberais dentro dos Estados Unidos não permitem. Assim fica dificil ganhar qualquer guerra. Por maior que seja o avanço tecnológico é impossivel dissociar uma vitória, ou o controle efetivo dos inimigos, sem baixas entre inocentes. Portanto os Democratas-Liberais querem o impossivel. Não se importam com a humilhação das forças americanas, como aconteceu no Vietname, obra desse mesmos políticos que enxergam em seu país uma descontrolada força para o mal, força que tem que ser dominada através da intervenção política.

Os Republicanos não queriam nenhum corte de verbas para baixar o déficit americano que implicasse em diminuir os gastos militares. Estavam certíssimos. Mesmo se a economia estiver mal, ela pode se recuperar, existem muitos mecanismos para isso. Já com referência às Forças Armadas, a perda do domínio tecnológico, a perda do poder de intimidação pode ser irremediavel e perigoso, e mais ainda: encorajar os inimigos e levar-nos para uma outra guerra. E o poder militar sem dúvida ajuda na recuperação econômica, nem que seja através do medo. É muito mais facil protestar contra as tramoias da China no câmbio, ou na mão de obra escrava, ou nas práticas comerciais desleais, tendo o exército mais poderoso do mundo. Alguém duvida? 

Muitas vezes termino um artigo e me lembro que tenho algo parecido escrito há longo tempo e que merece ser lido. Se o leitor quiser uma análise mais abrangente do período de insanidade que estamos vivenciando pode clicar  em cima do título de alguns textos ( não posso me lembrar de todos) : Dois cartoons que valem por muitos artigos    Yoani-Obama.USA: Potência de Segunda Classe ?*     Os Liberais, as Ciências Humanas, e a Matemática    e duas projeções de como seria  um nova atitude americana frente ao mundo : Os Estados Unidos decidem usar armas nucleares (PRIMEIRA PARTE)    Os Estados Unidos decidem usar armas nucleares  (SEGUNDA PARTE)  Com respeito à essas projeções elas não são ingênuas, ou simplistas, mas repousam solidamente no conjunto de forças que compõem o panorama geopolítico atual.

12 agosto, 2011 às 19:34

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Categoria: Artigos

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