A imprensa americana não publica, e muito menos a filial brasileira: A viagem de Michelle Obama para a Espanha (Nile Gardiner)

Recebi esse bilhete de um leitor que mora nos Estados Unidos:

Mafra, não saiu UMA miserável linha sobre a viagem da Maria Antonieta em qualquer dos jornalões daqui. Só mesmo a FOX NEWS noticiou. Um abraço

Ele está se referindo à viagem de Michelle Obama à Espanha, que foi notícia apenas na mídia de direita, que é uma pequena minoria nos EUA, embora a FOX NEWS seja a TV de maior audiência.

A presidência de Obama se assemelha cada vez mais a um Ancien Régime dos nossos dias: extravagante e desligado do povo americano.

Por Nile Gardiner, 7 de agosto de 2010

O que o grande historiador francês Alexis de Tocqueville diria da administração Obama, se estivesse vivo, fica para a imaginação de qualquer um. Mas eu apostaria que o autor de “L’Ancien Régime and Democracy in America”não se surpreenderia com a extravagância e a arrogância que mostram as elites da Casa Branca que comandam a America,como se a eles tivesse sido transmitido um direito divino de governar com impunidade.

É o tipo de impunidade que foi manchete no cenário mundial esta semana com a viagem excessivamente cara de Michelle Obama para a Espanha, que impeliu uma colunista do New York Post, Andrea Tantaros, a denominar a Primeira Dama de Maria Antonieta contemporânea.Como o The Telegraph relata, enquanto os Obama estão pagando os custos de suas férias – acomodações por  exemplo – a viagem pode custar aos contribuintes americanos tanto quanto 375 mil dólares em termos de serviço secreto de segurança e custos de vôo no Força Aérea Dois.

Essas generosas férias européias não poderiam vir numa hora pior, quando o desemprego na América esta em torno de 10% e um grande número de americanos está lutando para sobreviver financeiramente em razão dos maus tempos da economia global. Isso trás uma mensagem de indiferença, até de desprezo aos milhões de americanos lutando para alimentar suas famílias diariamente, e para pagar a hipoteca, enquanto o tamanho do débito nacional incha ao estilo grego.

Enquanto a mídia atual nos Estados Unidos, dominada pelo liberalismo, tem amplamente ignorado o fato, este está por toda blogosfera e nas conversas de radio e, indubitavelmente, contribui para que os índices de popularidade do presidente estejam em queda livre nas pesquisas. Enquanto a instituição ‘mídia’ nos EUA faz vista grossa para fatos como esses, que são manchete na mídia internacional, o público americano esta crescentemente se voltando para novas fontes  alternativas, incluindo a imprensa britânica, que tem uma visão muito menos deferente em relação à Casa Branca.

A mal concebida viagem da Primeira Dama à Marbella, e o completo descuido em relação a opinião pública, além das preocupações com os gastos excessivos do governo, simbolizam um problema muito maior na presidência de Obama – o dominante desdém aos princípios de um governo restrito, pela liberdade individual, e pela livre iniciativa, que no curso de quase 250 anos fizeram dos Estados Unidos a nação mais livre e poderosa da Terra.

Esse desdém é exemplificado sobretudo pelo implacável movimento do presidente em direção a um governo grande, contra a vontade do povo americano, e ao dramático aumento nos gastos e empréstimos  do governo, que ameaçam deixar os Estados Unidos imensamente em débito por  gerações.

A mesma coisa é mostrada através das ações de Barrack Obama em direção a um sistema de saúde socializado, que como eu mencionei antes, “é um projeto de vaidade levemente disfarçado para um presidente que esta comprometido em transformar os Estados Unidos, de uma economia de livre iniciativa, a maior e mais bem sucedida do mundo, para uma sociedade altamente intervencionista com uma forte posição para governo centralizado”.

Existe, entretanto, uma revolução política se aproximando rapidamente de Washington e que não é movida por regras comuns de uma multidão, mas  pelo poder das idéias e princípios, baseada nos ideais dos Founding Fathers* e na Constituição dos Estados Unidos. É uma revolução distintamente  conservadora que esta varrendo a América, e se faz refletir em quase todas as pesquisas com respeito às eleições de meio de mandato de novembro. É baseada em uma crença na liberdade individual, no governo limitado e sobretudo, na responsabilidade política das elites governantes. O mantra da administração Obama poderia muito bem ser “que eles comam bolo”, continuando a devorar o dinheiro dos contribuinte, mas olhando nervosamente de soslaio, a medida que a inquietação pública se avoluma.
*Founding Fathers: líderes políticos que assinaram a Declaração de Independência em 1776: Benjamim Franklin, George Washington,  John Adams, Thomas Jefferson, John Jay, James Madison, Alexander Hamilton. (N.do T.)

Nile Gardiner é analista de relações exteriores em Washington e comentarista político.Ele se apresenta com freqüência em radio e televisão americanas e britânicas, incluindo a Fox News Channel, CNN, BBC, Sky News e NPR.

TRADUÇÃO: Célia Savietto Barbosa

13 agosto, 2010 às 19:50

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Categoria: Artigos

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