A morte de Kim Jong-iL e a China

Todos os países responsáveis no mundo desejam que a transição do Querido Líder que morreu no dia 12 ( já vai tarde), para seu filho, o Grande Sucessor, se dê de forma pacífica. Que tudo continue como antes. No news are good news.  Mas,existe o problema do exército norte-coreano que tem a bomba atômica, além de ser um dos maiores e mais bem preparados do mundo. Aceitarão os velhos marechais, que mal aguentam o peso das medalhas que carregam no peito, um menino de 28 anos de idade, sem experiência, recém introduzido nas cerimônias públicas, um rapaz educado secretamente na Suiça com nome falso ?  Um introvertido que só mostrava alguma forma de vida quando se entusiasmava jogando basquete, segundo depoimento de um colega de escola que quase morreu de susto quando descobriu a verdadeira identidade da figura solitária  ?  A chave do problema, como sempre, se encontra com a China. O porta voz chinês já se manifestou apresentando plena solidariedade ao novo governo “que constroi uma sociedade socialista”, dando a entender que nada mudou em seu relacionamento com os malucos. Tomara que os poderosos zumbis não aproveitem a ocasião para iniciarem uma guerra contra a Coréia do Sul, Estados Unidos e Japão, ou por não quererem morrer sem a confrontação para a qual se prepararam durante todas as suas sórdidas vidas, ou em virtude de um acidente, já que uma mudança desse tipo  implica em severos problemas emocionais. Os leitores interessados devem clicar em cima do título do meu artigo sobre Minha viagem à Coreia do Norte (No coração das trevas),  ocasiao em que entrei no pais disfarçado de turista.

A politica externa chinesa é clara. Está baseada em uma doutrina de muitos séculos, que não aceita nenhuma força militar poderosa perto de suas fronteiras. Portanto interessa nesse momento manter o status quo, o que contraria a medio e longo prazo os sul-coreanos,  japoneses e, principalmente, americanos. Foi assim durante a guerra da Coréia, quando mandou seus exércitos lutarem contra os USA, evitando que a península coreana se transformasse em um excepcional ponto de apoio para os Estados Unidos. A mesma doutrina foi aplicada quando os russos colocaram 50 divisões na fronteira com a Mongólia, na década de 60. Para contra-atacar os russos Mao Tse Dong fez a famosa aliança com os Estados Unidos -governo Nixon. Nesses tempos os dirigentes chineses tinham certeza de que a União Soviética ameaçava a China e o mundo. Chamavam os russos de “urso polar”, porque o ataque viria a partir da Sibéria. Nessa época os chineses concordavam com os americanos e temiam a expansão soviética, que se dava pela África ( Angola, Yemen ), Nicarágua, Cuba e outras partes do globo. Temiam sobretudo o Vietnam, que sob a proteção russa já ocupava o Cambodja, e poderia invadir o Laos, tomando toda a Indochina. Coerente com sua estratégia os chineses, em uma jogada de alto risco, se mobilizaram em uma ação punitiva contra Hanói, desafiando a URSS. A mídia tratou o episódio como uma derrota chinesa porque a operação foi militarmente mal conduzida, e eles perderam em pouco tempo mais homens do que os americanos em muitos anos de guerra contra os norte-vietnamitas. Mas, de fato, foi uma grande vitória porque os russos se amedrontaram e não reagiram. Dessa forma os chineses afastaram os soviéticos do sudeste asiático. Quando o império soviético se desfez, e deixou de ser uma ameaça ( antes disso Gorbachev já havia retirado 1 milhão de soldados da fronteira, as tais 50 divisões), os chineses voltaram a ser “”amigos e aliados” dos russos para evitar a hegemonia americana. Essa tem sido, a política externa chinesa: não permitir adversários – mesmo que mais fortes – ameaçando suas fronteiras. Para isso dispõem de coragem política e militar e a determinação de sacrificar milhões de homens se necessário. 

Os meninos guerreiros do exército norte-coreano

 

21 dezembro, 2011 às 11:11

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Categoria: Artigos

Comentários (3)

 

  1. Marco Balbi disse:

    Ótimo artigo, amigo! Onde você anda? Be careful!

  2. Roberto Rodrigues disse:

    O senhor já ouviu falar no “bandido vermelho”? Sabe como nasceu e se criou a dinastia “Kim”? Sabe quem são os responsáveis pela atual conjuntura no Sudeste Asiático? Acredita na reunificação da Coréia? Seu artigo é excelente, mas recomendo-lhe a leitura da obra de Jörg Friedrich, “Yalu – À beira da Terceira Guerra Mundial” (Editora Record, 2011). Feliz Natal e cordiais saudações.
    Roberto Rodrigues

  3. claudiomafra disse:

    Muito obrigado aos dois amigos e, Roberto, vou comprar o livro imediatamente. O rio Yalu me traz fortes recordações.Desculpem o atraso na resposta, mas fiquei um pouco perdido com as viagens que fiz. abraços

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