A propósito das últimas declarações da presidente Cristina Kirchner a respeito das ilhas Falkland

A presidente Cristina Kirchner resolveu agitar a questão das ilhas Falkland. Vou transcrever alguns trechos do livro de memórias de  Margaret Thatcher a respeito do que se passou em 1982.

Estávamos a defender a nossa honra como nação

Desde o fiasco de 1956 a política externa da Grã-Bretanha fora uma longa retirada.  ( O canal de Suez havia sido nacionalizado pelo popularíssimo, demagogo, e lider terceiro-mundista,  presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, e foi tomado pelos ingleses, franceses e israelenses em rápida ação militar. No entanto tiveram que se retirar humilhantemente, após receberem uma descompostura do presidente americano Dwight Eisenhover)

A guerra também teve uma importância real para as relações entre o Leste e o Ocidente: anos mais tarde foi-me dito por um general russo que os Soviéticos haviam estado firmemente convencidos de que não iríamos lutar pelas Falkland e que se o fizéssemos, perderíamos.

O primeiro desembarque nas Falkland de que há registro foi efetuado em 1690, por marinheiros ingleses, que chamaram ao estreito entre as duas ilhas principais “Estreito de Falkland” em honra do Tesoureiro da Marinha, Visconde de Falkland.  A Grã-Bretanha, França e Espanha instalaram colônias na ilha várias vezes durante o século XVIII…. A invasão argentina realizou-se 149 anos depois do início do domínio formal da Grã-Bretanha.

Não estava disposta a forçar os ilheus a aceitarem uma solução que lhes era intoleravel – e que eu, na posição deles, também não teria tolerado.

Galtieri (presidente argentino que vivia bêbado) recusou-se totalmente a receber o telefonema de Reagan e só se dignou falar com o Presidente quando era demasiado tarde para deter a invasão.

E de qualquer forma, qual era a alternativa ? Que um ditador comum ou ordinário mandasse nos súditos da Rainha e levasse a melhor por meio da fraude e da violência? Não , enquanto eu fosse Primeiro-Ministro.

No fim de contas, enviávamos mais de 100 navios, transportando mais de 25.ooo homens.

Como Frederico, o Grande afirmou, ” a diplomacia sem armas e como a música sem instrumentos”.

Havia preocupações sérias subjacentes à minha referência à possibilidade de os naturais das ilhas alterarem os seus pontos de vista quanto ao futuro governo das Falkland: preocupava-nos que pudesse haver uma quebra de moral e que muitos se fossem embora.

Privariam os naturais das Falkland da sua liberdade e a Grã-Bretanha da sua honra.

Sem os Harrier, ( avião que decola verticalmente) com a sua extraordinária capacidade de manobra, pilotados com maestria e uma coragem soberbas e utilizando a última versão do missil-ar-ar Side winder fornecida por Casper Weinberger ( Assessor de Segurança de Reagan), não teríamos podido reconquistar as Falkland.

…vim a ter uma conversa telefônica com o Presidente Miterrand que me disse que os francêses tinham um contrato de fornecimento de Exocets ao Peru, que ele já suspendera e que amboas temiamos que fosse passados para a Argentina. Como sempre durante o conflito, foi absolutamente firme. (Exocet era um missil que podia ser lançado por aviões, navios, e por bateria em terra, de fabricação francesa, muito eficiente, e que provocou estragos em navios ingleses. Miterrand era socialista e, essa medida muito mais tarde revelada, enfureceu a esquerda mundial)

Deixamos de ser uma nação em retirada. Em vez disso temos uma confiança que encontramos – nascida nas batalhas econômicas domésticas e testada e aprovada a mais de 12.000 quilômetros de distância… E assim, hoje em dia, podemos alegrar-nos com o nosso êxito nas Falkland e orgulhar-nos da façanha dos homens e mulheres da nossa força de intervenção. Mas fazêmo-lo, e não se trata do leve tremeluzir de uma chama que em breve deve apagar-se. Não- alegramo-nos por a Grã-Bretanha ter reacendido esse espírito que a iluminou durante gerações passadas e que, hoje, começou a arder com um brilho igual ao de outrora. A Grã-Bretanha reencontrou-se no Atlântico Sul e não retirará os olhos da vitória que ganhou.

Ver também o artigo clicando no título:   O Grande General Pinochet (Margaret Thatcher)

 

 

E, vejam como os moradores das ilhas gostam dos argentinos:   (Estadão de 8 de fevereiro)

Em meio à tensão entre os governos da Argentina e da Grã-Bretanha sobre a soberania das Ilhas Malvinas, moradores do arquipélago demonstram cada vez mais – e com originalidade – seu sentimento antiargentino. No Victory Bar, o repúdio que os moradores sentem em relação às intenções de Buenos Aires de reivindicar a soberania do território é tão grande que foram criadas canecas com o mapa da América do Sul no qual a Argentina aparece “engolida” pelas águas do Oceano Atlântico. No entanto, no lugar do país, aparece o nome “Mar de M…”.

De acordo com o jornal Clarín, uma de suas repórteres recebeu de uma vendedora numa loja de souvenirs nas Malvinas um cartão com a legenda “deixe-nos em paz”. A vendedora pediu à jornalista que o entregasse à presidente argentina, Cristina Kirchner. A animosidade contra os argentinos no arquipélago é tanta que o termo “bloody argie” (maldito argentino), utilizado durante a Guerra das Malvinas, voltou ao vocabulário da população local. O ressentimento dos moradores das ilhas é proporcional às políticas defendidas pela Casa Rosada contra as Malvinas, como a organização de um bloqueio econômico ao território. “A severidade dos Kirchners é responsável por criar essa situação de nojo entre o povo”, afirmou ao Clarín John Fowler, uma das personalidades mais influentes do arquipélago e editorialista do jornal Penguin News.

Coloque-se no lugar dos ilheus, caro leitor. Em 1982 quando a Argentina invadiu a ilha, o general Galtieri, que não parava de beber de tão nervoso(covardia) disse que os habitantes das Falkland dalí para a frente estariam “sob a proteção da bandeira argentina” ! Imaginem o horror daquelas pessoas. Deixariam de ser britânicos para, como eu já disse em outro lugar, se tornarem torcedores do Boca Juniors. E a esquerda brasileira, que acusava a ditadura argentina de ser terrivel, torturadora, tremendo horror, FICOU DO LADO dela. Tudo, menos aceitar a civilização inglêsa. E, como sabemos que são absolutamente totalitários, nos artigos que saíam nos jornais brasileiros NUNCA houve UMA PALAVRA sobre o que desejavam os que moravam lá desde 1833!  Isso foi inesquecivel para mim. Estava eu na casa do Miro Teixeira onde se debatia se ele deveria, ou não, se candidatar a governador do Rio. Percebi que discretamente, se agachando para conversar com as pessoas, de sofá em sofá, vinha uma menina que apresentava um papel que era logo assinado. Fiquei curioso. Quando chegou em mim perguntei baixinho o que era: ” Ah, é um manifesto para a Argentina ficar com as ilhas “Malvinas”, um manifesto contra a guerra que vai acontecer”. Respondi que era a favor da guerra, que esperava que quando os ingleses chegassem dessem uma surra nos argentinos e recuperassem a ilha.

E, foi o que aconteceu, graças a Deus.     

 

 

 

 

8 fevereiro, 2012 às 11:15

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Categoria: Artigos

Comentários (2)

 

  1. Paulo Santos disse:

    “Não, enquanto eu fosse primeiro-ministro” isso dito por uma mulher. Se fosse a fantoche do planalto dizendo isso, certamente teriamos “primeira-ministra”
    Ah!! quanta diferença.

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