A queda dos ditadores árabes: humilhação para os cubanos

Os cubanos estão vendo pelas emissoras de televisão de Miami o que aconteceu na Líbia, Egito, e Síria. ( Os sinais são captados por engenhocas que ficam escondidas nos telhados e que sempre escapam das batidas policiais, já que todos no bairro são avisados com antecedência).Coitados deles, devem estar muito envergonhados. Impossivel evitar a terrivel comparação entre o que aconteceu na Líbia e o que se passa em Cuba. Em virtude da corajosa decisão dos líbios de enfrentarem Kadafi a Otan foi obrigada a intervir para evitar um massacre. Enviou armas para os rebeldes, e provavelmente colocou em terra algumas poucas tropas de elite, ou agentes da CIA, para marcarem os alvos a serem bombardeados pelos seus aviões. O mundo inteiro aplaudiu a vitória dos líbios, da mesma maneira que havia feito com os egípcios, e parece que a história ainda não acabou, existindo a possibilidade de Obama e os europeus ajudarem os sírios.

Entre os cubanos deve reinar o desespero por verem povos sendo libertados enquanto eles permanecem na escravidão. Mas para conseguir a liberdade precisariam estar dispostos a morrer nas ruas até que chegasse ajuda dos Estados Unidos. Tudo parece muito claro. Os que recebem apoio militar são os que reagem, os que morrem lutando, e assim comovem o mundo. A televisão mostrou, não há como escaparem da realidade que deprime. Como devem invejar o desempenho extraordinariamente corajoso dos sírios, que são alvos dos canhões de tanques. Imagino a sua tristeza sem fim. Chegaram ao fundo do poço nesse exato momento. Não foi nenhuma medida do governo, não foram novas prisões, novas ameaças, mas agora a humilhação veio deles próprios. Incapazes de reagir levaram uma bofetada que tem um significado maior do que tudo que o regime fez até agora. Sua âncora, que era o fato de nenhum país comunista haver se libertado sozinho antes da queda da URSS, já não tem mais valor. São escravos de alguns poucos bandidos, muitíssimo menos armados do que  Mubarak, Kadafi, ou Assad.

Perderam a oportunidade quando caiu o império soviético e não reagiram. Logo em seguida Cuba foi esquecida porque Bush -pai estava se preparando para libertar o Kuwait que havia sido invadido por Saddam Hussein. Depois veio Clinton, e não é preciso dizer mais nada. Longe de aproveitar a situação de única super potência no mundo, tratou de desarmar o FBI, a CIA e fez o que todos os liberais fazem: render-se sempre. Por causa da imensa pressão dos europeus não pôde fugir da obrigação de salvar o que restava dos bósnios no massacre perpretado pelos sérvios, embora se recusasse a usar o exército. Ordenou ataques aéreos e não vou me estender escrevendo sobre a indignação dos pilotos por não poderem salvar homens, mulheres e crianças, porque o bombardeio os atingiria também.

Com Bush-filho o terrorismo o levou á duas guerras, e Cuba nem passou perto de suas preocupações. Obama somente agiria se obrigado, da mesma forma como aconteceu na Líbia. Trata-se de outro liberal horroroso que está se retirando do Iraque e do Afeganistão contra a opinião dos generais e agências de Inteligência.

A libertação de Cuba seria uma incomensuravel perda para Chavez, Dilma, Ortega, Cristina, Morales, e por incrivel que pareça: para o Iran. Ver o meu artigo clicando em cima do título: A mais nova lição da Dilma;  O que  os USA estão esperando para arrasar as usinas atômicas iranianas? ; A presença do Iran na América Latina e a inércia norte-americana (artigo do The Wall Street Journal)mas o leitor deve se remeter diretamente para este último item, que está logo depois das minhas primeiras observações.

Os cubanos livres seriam um importantíssimo ponto de apoio para a democracia e para os EUA na América Latina, além de liquidar o mais famoso referencial da esquerda em todo o mundo, que implica na veneração às figuras de Fidel e Che Guevara. Sem dúvida teríamos um acontecimento histórico muito mais importante do que a queda das ditaduras africanas. É quase impossivel se imaginar tudo o que aconteceria de bom com o fim do regime. Ao contrário da “primavera árabe”onde existe o perigo do islamismo radical se apoderar do poder, em Cuba só teríamos alegrias, nenhum medo, o sonho realizado depois de cinco décadas!

 

22 outubro, 2011 às 19:45

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Categoria: Artigos

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