A volta para casa com data marcada

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Obama marcou para julho de 2011 a primeira etapa da retirada das tropas do Afeganistão. O grande demagogo está governando com os olhos no índice de popularidade, o que um presidente não deve fazer. Onde já se viu dizer ao inimigo que “ a partir de tal mês eu vou embora”. Claro que seus generais não gostaram nada, mas dos males o menor, pelo menos conseguiram mais 30 mil homens. Vão lutar com essa espada de Dâmocles sobre suas cabeças, a data para vencer. “ Sr. Presidente, já que o senhor ferrou tudo, será que poderemos usar  as bombas carpetes,  só um pouquinho?” ( São aquelas que vão explodindo em seguida,  uma atrás da outra, cobrindo a área inteiramente, não deixando nem um milímetro sem ser bombardeado) Eu vi pela televisão o famoso jornalista da BBC ,John Simpson, mostrando ao vivo um momento em que essas bombas eram lançadas dos aviões durante a invasão do Afeganistão. Ele fez uma cara  de repreensão e balançou a  cabeça dizendo: ” Um país como os Estados Unidos não pode fazer uma coisa dessas”  . Trata-se de um bobão esquerdista. Ao mesmo tempo a câmera mostrava os afegãos extasiados, mais do que contentes ao verem os seus inimigos em apuros.

Os talebans devem estar eufóricos com a notícia. Se uma guerrilha evita o atrito, imagine agora, quando sabem que o inimigo tem mês e ano para começar a deixar o país. ” Que tal uma férias coletivas ?  Voltaremos mais tarde.” E também vai ser interessante a falta de contato entre os adversários quando 2011 estiver se aproximando. Os americanos já tiveram essa experiência  quando o armistício entre as Coréias estava para ser assinado. Os soldados não queriam morrer nos últimos dias, e pior ainda, nas últimas horas do último dia.

Na cabeça de todo combatente no Afeganistão vai se passar  o seguinte: ”  eu tenho que ficar vivo, sem ferimentos graves, até julho de 2011″ .

Marcar a retirada é quase jogar a toalha. Diferente seria se Obama ao mesmo tempo ordenasse uma ofensiva brutal,  decidido a enfraquecer a guerrilha custe o que custar. Bombardeando maciçamente, o que significa aumentar os efeitos colaterais. Mas para isso também lhe falta coragem porque os seus índices de popularidade, cairiam por causa da morte de civis.Que sinuca para um homem fraco. Nesse momento 46%  aprovam seu governo, o pior índice desde sua posse.

É provável que diminuam as baixas americanas a partir de agora até a data festiva. Os talebans vão recusar o enfrentamento, já que o futuro é róseo. Por que brigar com os super- preparados soldados americanos ? ” Vamos deixar para depois, vamos combater o medíocre, o confuso exército afegão e acabar com eles.” Eu acho que entre a saída dos americanos e a rendição dos afegãos vai ser um tempo muito curto.

O Presidente Karzai disse o óbvio, ou seja, que o seu suposto exército precisa dos americanos por muito mais tempo. Também quer mais dólares para desenvolver o país, tornando-o menos vulnerável ao fanatismo medieval taleban.

Thomas Friedman talvez seja o colunista mais famoso do mundo. Ganhou o prêmio Pulitzer três vezes. No momento chegou ao máximo: é editorialista do NYTimes. Outro dia escreveu um artigo em tom melancólico, em que se revela desesperançado, desanimado, e diz que os Estados Unidos deveriam sair imediatamente do Afeganistão.Nem uma palavra sobre as possiveis conseqüências.  Só fala das dificuldades de se vencer. Obrigatoriamente teria que se referir ao problema da Al Qaeda e ao perigo que os terroristas representam para os americanos e o mundo. Qual  é o plano para sair e ao mesmo tempo evitar um santuario terrorista ? Enviar aviões tripulados e não tripulados, enviar as forças especiais, enfim, ficar de fora do país mas continuar a luta por outros meios?  Friedman diz que deseja a Al Qaeda derrotada, bem como outros terroristas, mas não sugere o que fazer. Não quer que os Estados Unidos fiquem administrando o Afeganistão. E quem é que quer?

Quanto pagam os nossos jornais para publicarem esse artigo que foge aos rudimentos da lógica ? Difícil dizer porque é comprado dentro de um pacote em que entram vários outros textos de outros articulistas. Mas, se um editor gostou de um artigo avulso, que foi publicado por exemplo  na Newsweek, o preço vai ser de 200 a 300 dólares. Dá para se imaginar quanto ganha um autor desses, pensando-se nos milhares de jornais por todo o mundo. Mas, voltando ao Friedman:   Ele é bem o modelo do articulista que os jornais brasileiros escolhem para os seus leitores. Medalhões american liberals cada dia mais covardes, mais cheios de culpa “salutar”, mais anti-americanos. E nossa intelectualidade fica encantada. Fukuyama, que é exaltado pelos scholars brasileiros, escreveu dizendo que na luta entre sunitas e xiitas no Iraque, os Estados Unidos são moralmente culpados. Mas que burrice sesquipedal! Essa briga vem de centenas de anos, e estava adormecida no Iraque porque Saddam Hussein, que era sunita, cortava a cabeça de qualquer xiita que se metesse a engraçado. E Fukuyama é tido como um gênio, um deus, para os acadêmicos.

O general McChrystal disse com toda a seriedade que a Al Qaeda só será derrotada se Osama for capturado ou morto. Se é assim porque não aumentam o prêmio por sua cabeça? Estão oferecendo 50 milhões de dólares, uma mixaria para quem está nesse negócio. Por que não 5oo milhões de dólares ? Ou 1 bilhão de dólares. Se o próprio general responsável pela guerra no Afeganistão deu tanta importância ao bandido, porque ficar com um prêmio tão baixo? Eu vi centenas de carros de combate americanos fazendo a ronda em Bagdad, dia e noite, sem parar um segundo. É preciso até tomar cuidado para não ser atropelado. Imaginei no resto do país, imaginei no Afeganistão, imaginei nas bases americanas ao redor do mundo. Gostaria de saber o que representam em gasolina, querosene,  e óleo diesel os 50 milhões de dólares. Um dia ? E Osama não vale 1 bilhão ? Principalmente depois do que McChrystal disse. Por que não tornar a vida do rei dos terroristas muito mais difícil, aumentando em vinte vezes a recompensa ? ( meu artigo: ” O maior estrategista do mundo”)

Obama perdeu uma oportunidade inigualavel para marketing. Acho que deveria ter recusado o prêmio Nobel. Faria um belo discurso agradecendo e dizendo que outros seriam mais merecedores do que ele, terminando por pedir que o julgassem ao final do seu mandato.  BUUM!   Mas que gesto elegante! Recuperaria todos os pontos que andou perdendo.  ( Acabei de ver pela TV que ele fez um ótimo discurso ao receber o prêmio, defendendo a força como um meio legítimo de se conseguir justiça. Obama defender a guerra justa  é  uma surpresa, e vai ajuda-lo  junto aos americanos que  não aguentavam mais assistir ao seu rosário de pedido de desculpas. No entanto errou quando fez menção sutil ao waterboarding).

E Sarkozy posicionou-se a favor dos suiços na questão dos minaretes: “ A França é de todos os franceses,  nós somos cristãos, e se os muçulmanos desejam a assimilação, sejam discretos, sejam políticos com respeito ao islamismo, não sejam agressivos, não imponham nada, porque não vamos aceitar” . E depois foi perfeito : “O que responderiam os franceses se lhes fosse feita a mesma pergunta da consulta na Suíça ?”   Claro que ele sabe que os franceses gostariam de ver o Islã bem longe.  A França, por culpa dos governos esquerdistas que cultuam o politicamente correto, e dos governos medrosos feito o de Chirac, e acima de tudo, por culpa dessa imagem que eles têm de si próprios, de serem “ o país que é a uma nova pátria para os oprimidos”, deixou que a situação ficasse fora de controle, e agora tem 6 milhões de muçulmanos, óbviamente de convivência insuportável. E a Itália está pensando em colocar uma cruz na bandeira italiana. A idéia é ótima e poderia ter chegado mais cedo. Sarkozy sabe que todos os países europeus votariam da mesma forma que os suiços, e deve estar cansado de tanta hipocrisia.  Enfim, a Europa acordou.  A imprensa, toda esquerdista, voltou-se contra ele , acusando-o de tomar essa posição porque seu índice de popularidade está caindo. Quer dizer, confessaram que ser contra os muçulmanos aumenta a popularidade. No entanto, consideram que os franceses pensam dessa maneira  porque  não percebem  todas as implicações do problema. ELES  sim, é que sabem o que é o certo, o correto, o que é bom para a França.

Eu estava atravessando o Hyde Park, em Londres, e não parava de ver mulheres muçulmanas gordíssimas, todas de preto, só os olhos aparecendo, e quanto mais andava mais tropeçava nelas, tinha que me desviar, estavam por todos os cantos, e fui ficando desesperado, vendo tudo escuro. Cheguei  à conclusão de que Londres não era mais dos ingleses. Perdi a vontade de passear naquele outrora lindo parque. Uma coisa é vê-las nos países árabes, outra muito diferente é a convivência com algo tão estranho em nosso próprio mundo.

O General Petraeus, depondo no Congresso, disse que concorda com o plano de Obama, o que só pode ser mentira, mas dizer o contrário é perder o emprego, e ele é, nada mais, nada, menos, do que o comandante geral de todas as tropas americanas no exterior. ” Concorda” , mas deixou claro que o Afeganistão é mais difícil do que o Iraque, e um pouco mais adiante disse que o Iraque ainda vai piorar antes de melhorar. Puxa vida. Ah, com o general MacArthur seria bem diferente. Durante a guerra da Coréia ele  propos invadir a China, depois que tomou toda a península coreana (os chineses lutavam ao lado dos norte-coreanos).  Queria atravessar o rio Yalu, que é a fronteira da China  com a Coréia do Norte,  e enfrentar os chineses. Queria jogar a bomba atômica. Colocou as manguinhas de fora, deu um monte de entrevistas imprudentes, dizendo que os Estados Unidos tinham que impor sua força contra os comunas. Naquele tempo a China não era nuclear e a URSS estava muitíssimo atrás dos americanos. Poderia ser pulverizada em uma guerra.  Acho que MacArthur exagerou , mas de qualquer forma era um guerreiro, um verdadeiro general, o que está faltando aos Estados Unidos nesse momento. Bem, ele foi demitido pelo presidente Truman para que ficasse bem claro que o poder civil é quem manda nos Estados Unidos. Além de haver se tornado uma lenda,  ficou para a história sua frase que correu o mundo, quando foi expulso das Filipinas pelo exército japonês: “ I shall return”  –  “ Eu voltarei”. E voltou, e enforcou o general japonês que pretendia mata-lo se ele não tivesse escapado. O leitor pode ver abaixo a  famosa foto da volta prometida.

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9 dezembro, 2009 às 10:24

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Categoria: Artigos

Comentários (2)

 

  1. marcos disse:

    Calma Claudinho… na próxima vez que for ao Hyde Park, não se sinta encurralado. Pense bem, com a globalização, logo logo seus descendentes também serão muçulmanos…
    Grande abraço!!

  2. Daniel disse:

    A história sempre foi movida no apontar o dedo para bárbaros, os EUA é um classico exemplo de que, nunca irá prear o Mr. Osama, pois necessitam de uma imagem, um vilão para que continue com suas ingenuidades, até surgir uma nova influência, aí sim enrolam a fachada, pois são capazes, sabemos da tão significante força das tecnologias que capturam Sadam Hussein (Foi uma bela de uma propaganda:”Nós Conseguimos”), não seria difícil capturar a caça. Esquecem também que o mundo XXI está mais aberto que sua equipe de estrategistas, aberto de mesmo modo que as reformas pós medievais, estas que interpretaram uma nova bíblia. Perguntemos para este país sobre-saturado, quem serão hoje, os novos inimigos romanos. o Iran?, a Coreia do Norte?, Venezuela?, ahh sim as FARC… Abejetível não?

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