Dilma e o fantasma da Delta (artigo de Guilherme Fiuza)

nota do blog: Dilma está roubando PARA ELA MESMA,  em primeiro lugar. Uma parte menor, mas sobre a qual ainda exerce algum controle, fica para os companheiros mais chegados, e, por último, sabe muito pouco, ou nada, sobre a grande maioria das bandalheiras que estão acontecendo, mas isso não tem a menor importância: é sua função acreditar no roubo “ideológico”, aquele que enriquecendo os petistas e compactuando com o empresário corruptor pode levar o partido a ficar décadas no poder. A cada minuto que passa a tarefa se mostra mais simples porque Legislativo e Judiciário estão se tornando mais cínicos e audaciosos, e a impressão que se tem é que vivemos em um prostíbulo.

O roubo não é privilégio do PT. Roubam todos que estão em posição de poder roubar, por todo o imenso Brasil. As exceções são insignificantes. Digamos para aproveitar a palavra: um Delta X . O que aconteceu com o PT no poder, a sua marca, é a exacerbação do roubo, o que já era esperado. O povo brasileiro é cúmplice: morre de inveja dos seus carrascos.

     

GUILHERME FIUZA

Dilma Rousseff pediu a sua assessoria um pente-fino nos contratos da  construtora Delta com o governo federal. A presidente da República quer  saber se há irregularidade em alguma dessas obras. O Brasil assiste  embevecido a mais uma cartada moralizadora da gerente. Mas o ideal seria ela pedir a sua assessoria, antes do pente-fino, uns óculos de grau. Se Dilma não enxergou o que a Delta andou fazendo com seu governo, está  correndo perigo: pode tropeçar a qualquer momento num desses sacos de  dinheiro que atravessam seu caminho, rumo às obras superfaturadas do  PAC. Como todos sabem, até porque Lula cansou de avisar, Dilma é a  mãe do PAC. Por uma dessas coincidências da vida, a Delta é a  empreiteira campeã do PAC. Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), as irregularidades nas obras tocadas pela Delta vêm desde 2007. A mãe  do PAC teve pelo menos cinco anos para enxergar com quem seu filho  estava se metendo. E a Delta era a principal companhia do menino,  andando com ele Brasil afora num variado roteiro de traquinagens. Mas as mães de hoje em dia são muito ocupadas, não têm tempo para as crianças. Felizmente, sempre tem uma babá, uma vizinha, uma amiga atenta para abrir os olhos  dessas mães distraídas. Dilma teve essa sorte, em setembro de 2010. A  CGU, que vive controlando a vida alheia – uma espécie de bisbilhoteira  do bem –, deu o serviço completo: contou a Dilma e Lula (a mãe e o  padrasto) que o PAC vinha sendo desencaminhado pela Delta.  Superfaturamento, fraudes em licitações, pagamento de propinas e  variadas modalidades de desvio de dinheiro público – inclusive com  criminosa adulteração de materiais em obras de infraestrutura – estavam  entre as molecagens da empreiteira com o filho prodígio da então  candidata a presidente. De posse do relatório da CGU, expondo a farra da Delta nas obras do PAC, o que fez Dilma Rousseff? Eleita presidente, assinou mais 31 contratos com a Delta. Talvez seja bom explicar de  novo, para os leitores distraídos como a mãe do PAC: depois da  comunicação à administração federal sobre as irregularidades da Delta, a empreiteira recebeu quase R$ 1 bilhão do governo Dilma. Agora, a  presidente anuncia publicamente que passará um pente-fino nesses  contratos, e a plateia aplaude a faxina. Não só aplaude, como dá novo  recorde de aprovação a esse mesmo governo Dilma (64% no Datafolha),  destacando o quesito moralização. Infelizmente, pente-fino não pega  conto do vigário.

A presidente corre o risco de tropeçar de repente num saco de dinheiro que atravessa o governo rumo ao PAC Mas o show tem de continuar. E, já que o público está gostando, a  presidente se espalha no picadeiro. Depois da farra da Delta, que teve  seu filé-mignon no famigerado Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Dilma diz que quer saber se a faxina no órgão  favoreceu Carlinhos Cachoeira. Tradução: depois de ter de demitir  apadrinhados de seus aliados porque a imprensa revelou suas negociatas,  Dilma quer ver se ainda dá para convencer a plateia de que o escândalo  foi plantado pelo bicheiro. É claro que dá: se Lula repete por aí que o  mensalão não existiu (e não foi internado por causa disso), por que não  buzinar a versão de que o caso Dnit foi uma criação de Cachoeira? Pelo que revelam as escutas telefônicas da Polícia Federal, o bicheiro  operava com a Delta na corrupção de agentes públicos. Dilma e o PT são  candidatos a vítimas desse esquema – daí Lula ter forçado a CPI do  Cachoeira. O problema na montagem dessa literatura é que a Delta, mesmo  depois da revelação do esquema e da prisão do bicheiro, continua  recebendo dinheiro do governo Dilma – R$ 133 milhões só em 2012, e  através do Dnit… A atribulada mãe do PAC não notou a Delta, não  percebeu Cachoeira, engordou o milionário esquema deles no Dnit durante  anos por pura distração – e agora vai moralizar tudo isso com seu  pente-fino mágico. Na próxima rodada das pesquisas de opinião, o  vigilante povo brasileiro saberá reconhecer mais essa faxina da mulher  destemida, dando-lhe novo recorde de aprovação. Nesse ritmo, a CPI do Cachoeira acabará concluindo que até o escândalo do mensalão foi  provocado pelo bicheiro (essa tese já existe). E Dilma conquistará para o PT o monopólio da inocência.

30 abril, 2012 às 19:37

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Categoria: Artigos

Comentários (1)

 

  1. Marco Balbi disse:

    Ótimo post!

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