“Ele era tido como competente” -(Obama) traduzido do Wall Street Journal (Peggy Nooan)

O vazamento  é  um desastre para o presidente e sua  filosofia  política.

Não vejo como  a posição e a popularidade do presidente  podem sobreviver  ao vazamento de petróleo. Este é o seu terceiro desastre político em seus primeiros 18 meses de Casa Branca. E foram todos, como se diz, erros deliberados, o que significa que  eles foram  moldados  pelo julgamento político e pelos instintos do presidente.

Houve uma ruptura e uma guerra desnecessária sobre sua proposta de assistência a saúde e o seu custo. Houve sua indiferença diária às opiniões  e esperanças da maioria dos eleitores  em relação a imigração ilegal. E agora, nos quase 40 dias de esquivas e indecisões frente a esta calamidade ambiental, não o vejo sobrevivendo politicamente.

No meu ponto de vista, o presidente  continua a governar de uma forma que sugere um desligamento  crônico das preocupações centrais  imediatas de seus compatriotas, o que é terrível de se ver em uma figura política, e estarrecedor,  em se tratando de alguém que  ganhou as eleições tão fácil e astutamente em 2008.

Mas, desde seus  primeiros dias de mandato, ele não tem estado em sincronia com suas bases. Enquanto o país  tem pensado a cada dia em A, B ou C,  ele esta pensando em  X, Y ou Z. O país e seu presidente vivem realidades diversas.

O Sr.Obama prometeu na quinta-feira  passada responsabilizar a British Petroleum  – BP – pelo catastrófico vazamento de óleo no Golfo do México e disse que sua administração faria tudo o que fosse preciso para proteger e restaurar a costa.

O povo americano passou no mínimo dois anos temendo que altos gastos do governo  pudessem desmantelar a  república. Viram o dólar jorrando dia e noite, e se preocuparam porque,  se na superfície tudo parecia do mesmo jeito, sabiam que nossa posição estava  se desgastando. Os americanos tem se preocupado com uma fronteira que é funcional em alguns lugares, mas ilegalmente aberta em outros, e nesta, também  jorram ,dia e noite, problemas que estados, cidades e lugares próximos a ela não podem resolver.

E agora, vemos  o videotape de uma metáfora para todos os temores da platéia,  aquele  ‘clip’ que  assistimos todos os dias, em todos os noticiários: o poço jorrando “óleo negro” no Golfo do México em direção às nossas costas. Na realidade não há nada mais mortalmente metafórico para o momento do que aquele monstro que vive no fundo do mar.

Em sua coletiva para a imprensa quinta-feira, o presidente Obama não melhorou sua posição. Ele tentou  simular  um engajamento apaixonado, usando uma linguagem forte como “catástrofe”e etc., mas, repetidamente se refugiou em minúcias. Seu pessoal provavelmente viu  nisso uma demonstração de seu domínio até dos fatos mais obscuros. Ao contrario, isso o fez parecer como alguém que não enxerga a situação real. O mantra cantado em sua mente deve ter sido:  “não vou me defender, não vou dar a eles uma ladainha ressentida”. Porém, o seu  problema estratégico é que ele já tinha perdido a batalha. Mesmo que o poço  seja tapado amanha, o dano já foi feito.

Para mim, o pecado original foi o presidente tentar manter uma distancia entre o poço e sua presidência, logo que o acidente  aconteceu. Ele queria que as pessoas associassem o acidente  à  BP,  e não a ele. Quando as idéias mais criativas em meio a um desastre, são apenas as de proteger a sua posição, problemas aparecem. Quando se tenta  fugir de um problema, se esconder de uma responsabilidade, a vida lhe cobra essa mesma responsabilidade da forma mais dura. De qualquer maneira, a coisa me parece  um pouco maluca. Americanos jamais pensariam que uma companhia de petróleo internacional, sediada em Londres, se preocuparia tanto com  as costas americanas e com seu ecosistema quanto, digamos, os próprios americanos. Eles jamais iriam culpar somente a BP, ou confiar nela.

Gostaria de saber se o presidente tem a noção exata desse desastre, não só por ele em si,  mas para suas pretensões políticas. Para o presidente, é apropriado que o governo federal ocupe um lugar mais forte, significante e poderoso  na America – encarando seus problemas de carência, injustiça e falta de qualidade. Mas de certo modo e, inevitavelmente, isso é sempre reduzido a uma promessa: “Confie em nós, aqui em Washington, nos provaremos o valor de sua confiança”. Então, o vazamento  de óleo aconteceu  e o governo não fez o seu trabalho, parecendo distante e incapaz: “Pagamos tanto para o governo e ele não pode tapar um poço de petróleo no fundo do mar”.

Foi o que aconteceu com o Katrina, que resultou politicamente em, no mínimo, dois grandes quadros. Primeiro, juntou tudo que o povo não gostou da administração Bush, tudo que o povo não gostou de duas guerras, altos gastos, imigração ilegal, e esses pontos foram amarrados em um nó, que ficou encharcado e se tornou o símbolo do Bushismo. Em segundo lugar, embora o governo federal venha atualmente, de forma  contínua, assumindo novas missões e responsabilidades, quanto mais ele assume, menos parece capaz de  realizar até suas tarefas mais essenciais. Os conservadores sabiam disso sem que lhes dissessem nada, mas os liberais e progressistas não. Eles pensaram que o Katrina fosse o resultado somente da incompetência de George W. Bush e do erro dos conservadores em “ não acreditar em governo”. Mas o Sr. Obama  deveria, supostamente ser competente.

Notável também é a forma como ambos,  BP  e governo, continuam, há mais de 40 dias, a agir chocados; chocados  pelo fato de um acidente como esse  acontecer. Se há extração de óleo no fundo do mar, é claro que algo terrível pode acontecer, então há que se ter um plano sobre o que fazer se essa hora chegar.

Como poderia não haver um plano? Como poderia tudo isso ser tão ad  hoc, tão inadequado, tão embaraçoso?  Agora estamos tapando o poço com pneus, lama e bolas de golfe ?

O que continua me estarrecendo é a posição do Sr.Obama com os Democratas. Eles não gostam dele. Metade do partido votou em Hillary Clinton, e seu pessoal nunca se reconciliou completamente com o sr. Obama. Mas ele é o que os Democratas têm. Eles investiram nele. A propósito, se as eleições de 2010 produzirem maus resultados eles vão começar a se desgarrar. O articulador político James Carville, o mais falante e influente entre os críticos da atuação do presidente em relação ao desastre do Golfo, sinalizou para os democratas, essa semana, que eles podem começar a cair fora. Ele disse isso em meio ao clima emotivo de suas denúncias.

O desastre no Golfo pode bem  prenunciar o fim político do presidente e  sua administração, e isso não  é motivo para regozijo. Não é bom ter um presidente nesta situação – enfraquecido, polarizando, e sem um grande apoio do público –  em menos da metade de seu mandato. Não é reconfortante que a culpa seja dele. Não é bom para a estabilidade do mundo ou sua segurança, que o líder de “uma nação indispensável ”esteja tão debilitado. Eu nunca entendi, até os últimos 10 anos,  o quase imperativo dever moral de um presidente americano de manter uma alta postura aos olhos dos  seus compatriotas.

O próprio Sr. Obama, quando em campanha presidencial, alardeou o não compromisso  da  administração Bush com o Katrina. Agora, o Partido Republicano vai compreensivamente, esmiuçar o  fato do presidente  ter ido uma só vez ao Golfo do México. (Obambi já foi 3 vezes – nota do blog)

Mas os republicanos deveriam tomar cuidado, e até mesmo ficarem mudos  a respeito dos prejuizos desse evento. Estamos no meio de um desastre real. Quando eles recuperarem a presidência, talvez sejam atacados pelo grande terremoto da Califórnia. E  provavelmente não terão sucesso com a situação por causa de uma verdade, ironicamente, muito forte dentro de sua própria filosofia: quando você pede a ajuda de um governo muito longe, lá em Washington, para  cuidar de tudo, ele não faz nada direito.

Tradução: CÉLIA SAVIETTO BARBOSA

7 junho, 2010 às 02:11

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Categoria: Artigos

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