Esses judeus incômodos – (Charles Krauthammer- Washington Post)

Charles Krauthammer 

O mundo está indignado com o bloqueio de Gaza por Israel. A Turquia denuncia a sua ilegalidade, desumanidade, barbaridade, etc. Os usuais suspeitos das Nações Unidas, o Terceiro Mundo, e os Europeus aderem. A administração Obama estremece.

Mas como escreve Leslie Gelb, ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores, o bloqueio não é apenas perfeitamente racional, ele é perfeitamente legal. Gaza sob domínio do Hamas é um inimigo declarado de Israel – uma declaração apoiada por mais de 4.000 foguetes lançados sobre o território civil de Israel. Mesmo tendo se comprometido à uma  incessante beligerância, o Hamas se declara vítima quando Israel impõe um bloqueio para prevenir que o grupo se arme com mais foguetes ainda.

Na segunda Guerra Mundial, com total legalidade internacional, os Estados Unidos bloquearam a Alemanha e o Japão. E durante a crise dos mísseis em outubro de 1962, bloqueamos (pusemos em  quarentena) Cuba. Navios russos com armas de guerra direcionando-se a Cuba deram meia volta porque os soviéticos sabiam que a marinha dos Estados Unidos iria, ou abordá-los, ou afundá-los. Agora Israel é acusada de crime internacional por fazer exatamente o que John Kennedy fez: impor um bloqueio naval para impedir que um estado hostil adquira armamento letal.

Mas não estavam os navios que se dirigiam a Gaza em uma missão de ajuda humanitária? Não. Se assim fosse, eles teriam aceitado a oferta de Israel, de trazer os suprimentos para um porto israelense para serem inspecionados em busca de material bélico e o restante da carga teria sido transportada ate Gaza  por Israel – como toda semana, 10.000 toneladas de alimentos, remédios, e outros suprimentos humanitários, são enviados por Israel até  Gaza. Por que então a oferta foi recusada? Porque, como a organizadora Greta Berlin admitiu, a flotilha não  tinha fins humanitários mas sim,quebrar o bloqueio, pondo fim ao regime de inspeção de Israel, o que significaria transporte ilimitado para Gaza e, consequentemente, acesso ilimitado de armas ao Hamas.

Israel já interceptou duas vezes navios carregados com armas iranianas destinadas ao Hezbollah e a Gaza. Que país iria permitir isto? Mais importante ainda, por que Israel ainda tem que recorrer ao bloqueio? Porque ele é o recurso que resta a Israel à medida que o mundo, sistematicamente deslegitima suas formas tradicionais de se defender –  defesa ofensiva e ativa.

1-Defesa ofensiva: sendo um país pequeno, densamente habitado e circundado por estados hostis, Israel adotou, em seus primeiros anos, a defesa ofensiva – lutando mais em território inimigo (tais como Sinai e  colinas de Golan) do que em seu próprio território.

Onde foi possível (Sinai, por exemplo) Israel trocou território por paz.( a paz com o Egito- nota do blog) Mas onde a oferta de paz foi recusada, Israel reteve  território como uma zona de protetora. Assim,Israel ocupou uma pequena faixa ao sul do Líbano para proteger suas aldeias do norte.E houve muitas perdas em Gaza, para não expor cidades israelenses na fronteira a ataques terroristas palestinos. É pela mesma razão que a America trava uma guerra opressiva no Afeganistão: lutar com eles lá, para não precisar de lutar com eles aqui, em território americano.

Mas sob esmagadora pressão externa, Israel cedeu. Os israelenses disseram que as ocupações não eram somente ilegais mas estavam na origem das insurgências anti-israel – e a retirada, removendo a causa, traria a paz.

Terra por paz. Lembram-se? Bem, durante a última década, Israel deu a terra –  retirando-se do sul do Líbano em 2000, de Gaza em 2005. O que isto trouxe? Uma intensificação da beligerância, forte militarização do lado inimigo, múltiplos sequestros, ataques pelas fronteiras e, de Gaza, anos de inexoráveis ataques de foguetes.

2-Defesa ativa: Israel teve então que mudar para a defesa ativa – ação militar para romper,desmantelar e derrotar (emprestando a descrição do presidente Obama sobre nossa campanha contra o Talibã e a Al-Qaeda) os novamente armados mini-estados terroristas estabelecidos ao sul do Líbano e Gaza, após a retirada de Israel.

O resultado? A Guerra do Líbano em 2006 e a operação em Gaza em 2008-2009. Eles se depararam com outra avalanche de afronta e calúnia pela mesma comunidade internacional que havia demandado, antes de tudo, as retiradas israelenses com o objetivo de terra por paz. Pior ainda, o relatório Goldstone das Nações Unidas, que em sua essência considerou criminosa  a operação defensiva de Israel em Gaza, encobrindo o ‘casus belli’  (o que justifica o conflito) – a precedente e gratuita guerra de foguetes do Hamas- e efetivamente deslegitimou qualquer defesa ativa de Israel contra seus auto-declarados inimigos terroristas.

3-Defesa passiva: Sem defesa ofensiva ou ativa, Israel é deixado somente com a mais passiva e benígna de todas as defesas – um bloqueio para simplesmente prevenir que o inimigo se rearme. Mas, como dissemos, isso também ruma para a  deslegitimação internacional. Até os Estados Unidos estão agora se movimentando para que o bloqueio seja abolido.Mas, se nada disso é permitido, o que resta então?

Ah, mas aí é que está a questão. Exatamente o ponto que foi entendido, usado, pela flotilha quebra-bloqueio de idiotas úteis e simpatizantes do terror, pela frente organizadora turca que a financiou, pelo automático coro anti-Israel do Terceiro Mundo nas Nações Unidas e pelos letárgicos europeus que tem tido problemas suficientes com os judeus.

O que resta? Nada.Todo o motivo dessa implacável campanha internacional é privar Israel de qualquer forma de auto-defesa legitimada. Porque, exatamente na última semana, a administração Obama juntou os chacais e reverteu quatro décadas de prática americana, assinando um documento de consenso que destaca a possessão de armas nucleares por Israel – deslegitimando assim, a última e real linha de defesa de Israel: dissuasão.

O mundo esta cansado desses judeus problemáticos, 6 milhões – aquele número de novo – bem junto ao Mediterrâneo, recusando todos os convites a um suicídio nacional. Razão pela qual eles são implacavelmente demonizados, isolados em guetos e impedidos de se defenderem, mesmo quando os anti-Sionistas mais comprometidos – iranianos em particular – preparam, abertamente, mais uma solução final.

Tradução: CÉLIA SAVIETTO BARBOSA 

letters@charleskrauthammer.com


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5 julho, 2010 às 11:00

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Categoria: Artigos

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