Fernando Henrique tem medo da Dilma ; A nova Guerra Fria; Cartoons; Os “macho men” ; Gerdau e Mantega também meteram a mão na grana da refinaria ? ; O Capitalismo pode ser salvo? ; Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco

 

 

 

 

Deu no Estadão: “FHC nega apoio a CPI convocada por Aécio”  

“Acho que o momento eleitoral não é o mais propício” (para a CPI). Não sou favorável a partidarizar”

 

PQP!  O cara é um espanto!  Como se já não bastasse ter sido contra o impeachment de Lula quando estourou o Mensalão, FH agora vem com mais essa!  O momento eleitoral é  justamente o MAIS PROPÍCIO, Fernando ! Não quer partidarizar ? Para que existem os partidos ? E para que existe partido de oposição ? Será que FH continua querendo ser diferente, o grande sociólogo acima das trivialidades que nós, os ignorantes, insistimos em colocar na pauta, ou, apenas tem medo de alguma denúncia do PT sobre as roubalheiras em seu governo ?  Fico com as duas hipóteses, porque elas não são excludentes e sim complementares. Nossos intelectuais precisam entender que acabar com a inflação era o MÍNIMO que se esperava de um governo que não fosse de cangaceiros. Esse pavão misterioso, esquerdista, chato, que não tem um décimo da cultura que lhe é atribuida, que fala pessimamente e escreve de forma ridícula está sempre prejudicando a pouca oposição que temos. Suma, desapareça, FH. 

Neste país de roubos fenomenais, mais um escândalo da Petrobrás não quer dizer nada. Aliás, essa história específica da refinaria em Pasadena foi assunto neste blog há muito tempo. Eu enfatizava o fato da Dilma haver aprovado a compra, na qualidade de presidente do Conselho da Petrobrás. Não sei porque o tema voltou agora.  Mas, o fato político mais importante é a performance de FH, mais importante do que o roubo. O cara não quer a CPI ? E fala-se nele para vice do Aécio ? Estamos liquidados. Aliás, em Belo Horizonte todo mundo diz que Aécio meteu a mão prá valer.  Então ficamos assim: uma ladra comunista  x  um não comunista ladrão. Sobre a Marina Maluca, e o outro cara que está na frente do Aécio nas pesquisas, nem sei o que dizer.

Muitos anos atrás eu estava assistindo uma cerimônia no Palácio do Planalto. Ao meu lado um amigo que trabalhava no mercado financeiro em São Paulo. De repente ele apontou para alguém: “Aquele é o Marinho, o mala do Mario Covas” .  Acreditei imediatamente. Nem por um segundo tive qualquer dúvida.  O mercado sabe de tudo, os jornais não sabem de nada. 

 

 

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UM CENÁRIO A SER DISCUTIDO

 

A turma do PT é comunista, mas após a queda do império soviético não sabe exatamente o que deseja como forma de governo. Ficaram meio que perdidos. Admitem eles a “modernização do comunismo” feito a China? Preferem o regime cubano, sonhos da juventude que permanecem até hoje ? Não sendo capazes de formular suas próprias aspirações passaram a esperar alguma luz vinda do exterior. Enquanto isso descobriram como é bom ter dinheiro e começaram a roubar tudo que viam pela frente.  Mas…finalmente aconteceu! Putin mostrou o caminho!  Se tudo der certo a União Soviética vai renascer, um perigo para todos os países asiáticos com os quais a Rússia faz fronteira – exceção para a China.

O episódio ucraniano deriva do fato de Obama estar na presidência americana. Por sentir horror visceral ao uso da força, ou até mesmo à simples demonstração do poderio militar de seu país, o idiota nos levou ao ponto da Crimeia estar perdida para o Ocidente. A Rússia cresceu. A força impede a guerra, pois intimida o inimigo. Putin jamais invadiria a Crimeia se o presidente fosse republicano. Uma sucessão interminável de covardias obamísticas encorajou o coronel da KGB. Reagan venceu a URSS e acabou com a Guerra Fria. Obama está nos levando de volta a ela.

 

Não se pode deixar de lado a culpa da União Européia. Que gente mais burra! Deveriam ter trazido há muitos anos a Ucrânia para o seu lado, concedendo empréstimos e tudo mais que fosse necessário. Admiti-la na OTAN, onde quem ataca um membro está atacando todos os outros. Não, esses líderes dos países babás, confusos, avarentos, dependentes dos Estados Unidos para tudo, ficaram fazendo cêra. Uma turma perfeita para conviver com o Mandchurian President, o moleque americano.

 

Então, voltando ao início, o PT já tem uma realidade concreta onde se apoiar, da mesma maneira que muitos outros países da América Latina. Nasceu a besta que se dirige para Belém. Todo o trabalho em apoiar regimes com nomes estranhos feito “bolivarianismo” será recompensado. Nada se compara ao bom e velho co-mu-nis-mo. Além de ficarem milionários, com o nosso dinheiro, agora podem esperar as ordens de Putin, como nos velhos tempos da URSS. Enquanto aguardavam a chegada da besta os petistas trabalharam muito, verdade seja dita. Ajudaram vários países inimigos dos Estados Unidos distribuindo nosso dinheiro entre eles.  Esperam contar com algum respeito por parte do novo senhor da guerra. 

Bem, trata-se de um cenário, um exercício de futurologia. Mas que os petistas  (e os fanáticos liberais dos USA) estão estourando champagne não tenham dúvidas. Os americanos foram desafiados militarmente e correram. Vamos ver cada vez mais a bandeira da URSS tremulando no Brasil e pelo mundo afora.  

 

Political Cartoons by Glenn McCoy
Political Cartoons by Chip Bok
Political Cartoons by Glenn Foden
Political Cartoons by Chip Bok
 
Img_21032014001
Political Cartoons by Bob Gorrell
Political Cartoons by Robert Ariail

 

 

 

Hey! Hey! Hey, hey, hey!

Macho, macho man (macho man)

I’ve got to be, a macho man

Macho, macho man

I’ve got to be a macho! Ow

 

 

 

 

    

       

 

       

 

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ESTES SUJEITOS, AÍ EMBAIXO,  SÃO OS MELHORES  “MACHO MEN” DE QUE DISPOMOS. NÃO BRINQUEM COM ELES!

 

 

GERDAU E MANTEGA TAMBÉM METERAM A MÃO NA GRANA DA REFINARIA ?

Gerdau, e aí?…Sachsida, e aí?

Publicado em março 21, 2014 por Claudio Shikida

Carta aberta a Adolfo Sachsida, chamando-o à razão diante de tão insidiosa pergunta feita a um simples empresário.

Carta a Adolfo Sachsida (21.03.2014

Meu caro Adolfo Sachsida,

Faz tempo que não nos falamos. E eu vi que você tem uma excelente pergunta em seu blog hoje. Permita-me o trecho:

Bom esta ai uma boa lista para começar a perguntar o que ocorreu. Só um último detalhe GUIDO MANTEGA e JORGE GERDAU JOHANNPETER faziam parte do Conselho de Administração em 2006, e estão no Conselho de Administração atual. Nada mais natural do que começar por eles com a simples pergunta: dado o prejuízo de 1 BILHÃO DE DÓLARES em decorrência do negócio, você ainda se considera qualificado para fazer parte desse conselho? Se sim, então de quem foi a culpa? E qual a punição que os culpados receberam? Ou será que uma vez mais a culpa foi de ninguém?

Em especial tenho uma pergunta para JORGE GERDAU JOHANNPETER: nas suas empresas você age com a mesma benevolência para com os que cometem erros de 1 BILHÃO DE DÓLARES?

Mais do que pura retórica, sua pergunta procede. Os conselheiros recebem para…aconselhar. Sei que não é a mesma coisa de ser dono da empresa, mas não é a mesma coisa de ser um gerente ou um analista.

Por um lado, Mantega nunca foi empresário e não saberia mesmo responder à pergunta que você fez, Adolfo, mesmo que ele quisesse. Mas de um empresário a gente espera uma resposta coerente com sua trajetória. Em uma empresa, numa economia de mercado, o que acontece se um funcionário comete um erro que faz a empresa perder um bilhão de dólares?

Eu imaginava que a pergunta fosse surgir de algum seguidor de Mises, mas veio do Adolfo. Engraçado como algumas questões óbvias nem sempre surgem nos lugares óbvios, não? O silêncio da galera, por outro lado, mostra que eles entendem bem como funciona a liberdade. Você, meu amigo, não.

Em defesa do governo, Adolfo, devo lembrar-lhe que Paul Krugman recebeu uma bolada (uma dilmabolada, dizem as más línguas) para vir ao Brasil nos dizer que o Brasil não está vulnerável. Bem, talvez ele tenha razão. Em que país do mundo um sujeito admite errar em um bilhão de dólares e não perde o emprego? Nem vai preso? Nem é questionado pelos jornalistas que sempre investigam até se tem um Fiat Elba na garagem de um presidente? Ora, só pode ser um país rico.

Pense comigo, Adolfo: você já viu um país no qual um, digamos, Honda Civic custa três vezes mais do que no Chile e…ainda assim, vende? O que dizer dos preços dos imóveis? Não tem demanda? Eu sei que você fala de bolha imobiliária (a gente discorda nisto, mas tudo bem), mas olha aí como são as coisas.

Então, acho que o país é rico. Muito rico. Na verdade, Adolfo, Gerdau pode até se dar ao luxo de não demitir um empregado que perde um bilhão de seu dinheiro. É porque somos muito ricos. Muito mais ricos do que os norte-americanos, etc. Não acredita? Ouça os discursos da presidente. Ouça todos eles. Ache-me lá, nas palavras da sincera estadista, uma única palavra de pessimismo. Até conta de luz mais baixa nós temos!

Ah, se não a temos mais, somos ricos! Podemos aumentar os impostos e pagar uma conta mais alta. Não apenas isto. Somos ricos e podemos financiar “campeões nacionais” como as empresas do grupo “X”. Quando elas quebram, novamente, somos ricos: nós podemos salvá-las!

Eu sei, Adolfo, você anda com estas idéias estranhas, não-marxistas, coisa de gente burguesa, que não gosta do povo e é a favor do pagamento da dívida externa. Abre os olhos, Adolfo!

 

Veja aí o gráfico, Adolfo! O país está mal no ranking de rent-seeking (cronismo). Veja o eixo vertical. Agora, veja que estamos mal naquele interessante pantheon do MIT. Nossa desigualdade de gênero, nossas injustiças (embora sejamos ricos!) ainda não nos permitem termos tantas brasileiras colaborando para a cultura da humanidade. Mas esqueça a desigualdade de gênero por um instante, Adolfo.

Veja só que somos tão ricos que podemos até ficar mal no ranking de cronismo! Temos dinheiro de sobra para empresários que buscam o lucro e também para os que buscam apenas a redistribuição do nosso bolso para os deles. Somos ricos!

Diante de tantas evidências, Adolfo, só posso concluir que você não enxergou o óbvio fato de que…somos ricos. Ricos demais. Resultado dos doze anos de escravidão, governo que mudou para sempre nossa forma de encarar o funcionamento da economia de mercado. Para que segurança jurídica? Para que satisfazer o consumidor? Que papo é este de escassez? Temos abundância aqui, Adolfo. Um bilhão, dois, nada disso importa. O que importa é que temos que amarrar a internet, censurá-la para que os pessimistas não contaminem os outros (uma idéia similar ao congelamento de preços, só que aplicada à alta variância de idéias, inflacionando excessivamente a diversidade de opiniões, tornando difícil ao governo controlar tudo isto que está aí…). O que importa é continuar enriquecendo com mais arrecadação e mais dívida.

Qual é o caminho da riqueza? É este, Adolfo. Liberdade econômica? Liberdade econômica é isto, Adolfo. É a liberdade de perder um bilhão de dólares e não se preocupar com isto! É o desapego! O não ao materialismo, Adolfo. É o homem se libertando do fetichismo diabólico da moeda, do dinheiro. Vade retro, moeda estável!

Agora, se depois de tudo isto você não entender o verdadeiro significado de liberdade econômica, então vou ter que chamá-lo a assistir diversas edições do Fórum da Liberdade. Vá assistir alguns deles, Adolfo. Vá lá e aprenda o óbvio. Qual é mesmo a frase? Sim, isso mesmo: estamos ricos!

Espero que tenha entendido, Adolfo, que você está errado e que Gerdau não tem com o que se preocupar.

Abraços

Claudio.

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Jeffrey Nyquist | 21 Outubro 2013

A sociedade humana é imperfeita; seria tolice quebrar a banca para tentar transformar o círculo em quadrado. O socialismo, como religião que é, quer fazer exatamente essa transformação.

O capitalismo, como sistema de liberdade econômica, corre o risco de ser derrubado. Esse é um fato que muitas pessoas não estão a par, pois ele está no domínio da economia, assunto ao qual está além da compreensão da maioria dos cidadãos. A liberdade econômica e o livre mercado estão em declínio porque novamente o socialismo está avançando. “O socialismo é a palavra de ordem e o lema dos nossos dias”, escreveu Ludwig von Mises em sua clássica obra sobre o socialismo (1). “A ideia socialista domina o espírito moderno. As massas aprovam-na. Ela expressa os pensamentos e os sentimentos de todos; [ela] estabeleceu sua marca sobre a nossa era.”

As forças que ameaçam o mercado são muitas. Quem se atreve a pará-las? Os defensores do livre mercado parecem estar sobrepujados, embora a causa possa ser eloquentemente defendida. Os leitores tirariam bom proveito se vissem o clássico vídeo “If I Wanted America to Fail” [NT.: Se eu quisesse que a América fracassasse] do site freemarketamerica.com (2). O vídeo faz um resumo das políticas invertidas que prejudicam o bom funcionamento do nosso sistema de mercado. E como a América depende da liberdade para prosperar, a limitação gradual da liberdade econômica sugere um perigo ainda pior, isto é, o fim da liberdade política. “Seu país está em perigo”, disse o autor e pesquisador neozelandês Trevor Loudon em uma conferência recente para o America’s Survival (3). “Pequenos grupos marxistas estão (atualmente) comandando seu país”, explicou. Os sindicatos foram tomados por marxistas ortodoxos nos anos 1990 e isso afetou a trajetória de um dos dois grandes partidos, de modo que isso acabou por direcionar o país para um caminho mais marxista. Dia após dia, momento após momento, os freios e contrapesos dos Pais Fundadores estão sendo quebrados. Um sistema socialista altamente centralizado está envolvendo o velho sistema de livre mercado. A bancarrota nacional parece ser parte integrante do plano deles.

“O marxismo é uma religião”, escreveu o economista Joseph Schumpeter na obra Capitalism Socialism and Democracy. “Para o fiel, ele se apresenta primeiro como um sistema de fins derradeiros que incorporam o sentido da vida e servem como padrão absoluto para julgar eventos e ações; depois, ele se apresenta como um guia para aqueles cujos fins implicam um plano de salvação e indicação do mal do qual a humanidade […] será salva”. Para o marxista, esse mal é a liberdade econômica; a liberdade de comprar e vender, de traçar seu próprio curso na economia. O malfeitor na ideologia marxista é o homem rico, pois ele não é tido como benfeitor da civilização, mas sim como um malfeitor cuja grande riqueza deve ser suprimida.

As grandes batalhas políticas do nosso tempo podem ser vistas como disputas entre socialismo e capitalismo, com este último sendo incapaz de lutar consistentemente em seu próprio favor. “Em princípio, não há oposição ao socialismo”, escreveu Mises há mais de 80 anos. E assim parece ser até hoje, pois o regime de regulamentações e controle econômico parece amontoar novas leis e novas taxas a cada década, conforme emergem novas políticas e novos cenários. Para se ter ideia, para qualquer medida anticapitalista revogada sob Reagan ou Tatcher, três vieram em seu lugar. “A palavra ‘capitalismo’ expressa, na nossa era, a soma de todos os males”, escreveu Mises. “Mesmo os oponentes do socialismo são dominados por ideias socialistas”.

Em setembro, a revista The New Criterion publicou o texto “A sociedade interesseira” de Kenneth Minogue (4), que explora alguns aspectos desse mesmo dilema. Refazer o mundo à imagem da utopia socialista é muito caro, sugeriu Minogue. “E politicamente, não há dúvida sobre qual rumo tomarão os gastos. Eles se elevarão desenfreadamente. As classes vulneráveis se multiplicarão e as demandas por dinheiro público aumentarão para que seja possível lidar com problemas que as gerações anteriores adequavam ao âmbito das exigências familiares”. Minogue acrescenta que muitos dos estados ricos do Ocidente estão sendo levados a “uma condição de falência crônica”.

A solução deveria ser óbvia, pois ela é oferecida tanto por Mises quanto por Minogue. A sociedade humana é imperfeita; seria tolice quebrar a banca para tentar transformar o círculo em quadrado. O socialismo, como religião que é, quer fazer exatamente essa transformação. Quantia nenhuma em gastos estatais corrigirá as imperfeições da sociedade ou fará dela uma utopia concretizada. O máximo que pode acontecer é um governo tão grande, e as pessoas tão dependentes dele, que a própria liberdade será posta em perigo. Tudo que a despesa descontrolada pode fazer é nos levar à falência até estarmos escravizados por uma ditadura política. Levando em conta a quantidade de cadáveres atribuídos ao socialismo e a expectativa da debacle universal, Minogue concluiu que “a inevitável conclusão que me ocorre é deixar as economias se abrirem [i. e. correrem livremente], seja o quanto for que desaprovemos suas consequências, [ainda assim] é uma opção muito melhor”.

O capitalismo pode ser salvo – e apenas continuará a existir – se nossa civilização colocar de lado a noção de progresso como a eliminação dos problemas do mundo. Como seres humanos deveríamos reconhecer a absurdidade de tal perfeccionismo. “Parece-me”, escreveu Minogue, “que nossa preocupação com os defeitos da nossa civilização é uma preocupação permanente e perigosa que nos faz recorrer à autoridade civil para lidar com o que poderíamos ser persuadidos a entender como imperfeições sociais”. Deixe a generosidade individual tomar o lugar do estado de bem-estar social que mira uma arma na cabeça de todos os contribuintes em nome daquilo que Minogue chama de “classes vulneráveis”. E o mais importante: não devemos, conforme avisa Minogue, “começar a conceber as sociedades modernas como associações de incompetentes e defeituosos”. Não é apenas uma questão de o que se pode fazer, é também uma questão de o que nos tornaremos se estivermos sob tal sistema. 

 

 

 

Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco
por Klaus Bernpaintner, sexta-feira, 21 de março de 2014

Verdades inconvenientes sobre o sistema de saúde sueco

por Klaus Bernpaintner, sexta-feira, 21 de março de 2014

 

Um mito ainda ronda o mundo: o mito da excelência do sistema de saúde estatal da Suécia.

Normalmente, apenas alguns poucos e básicos argumentos econômicos já bastam para fazer uma pessoa entender, de maneira lógica, por que é impossível um sistema de saúde gerenciado pelo estado manter sua excelência no longo prazo.

No entanto, e infelizmente, apenas teorias não convencem. E dado que não é factível convidar todo o mundo para fazer uma excursão-surpresa nas salas de emergência dos hospitais estatais da Suécia — o que estraçalharia de maneira irreparável as ilusões dos mais crentes –, terei aqui de me ater apenas às palavras.

E a realidade é que o sistema de saúde sueco é a perfeita ilustração da tragédia do planejamento central. Além de ser extremamente caro, ele ainda mata pessoas inocentes.

A saúde universal e gratuita foi implantada na Suécia na década de 1950 como parte de um projeto do Partido Social Democrata para criar a “Casa do Povo” (Folkhemmet). Este grande esforço também incluiu educação gratuita em todos os níveis, moradias modernas para os pobres, pensão estatal obrigatória, e outras coisas. Vamos aqui conceder o benefício da dúvida e supor que ao menos algumas dessas propostas eram bem intencionadas. Como quase sempre ocorre, boas intenções pavimentam a estrada que leva à servidão.

Demorou um pouco, mas hoje já está um tanto óbvio para o cidadão comum que absolutamente todos os aspectos deste projeto se revelaram um desastre. O cidadão pode até ter alguma dificuldade para ligar causa e consequência, mas ele já é capaz de ver que o sistema definitivamente não está funcionando como o propagandeado. Pior: está se deteriorando rapidamente.

Antes de este projeto utópico ser implantado, a Suécia tinha uma das mais baixas cargas tributárias do mundo civilizado. Tanto a quantidade de impostos, quanto o valor deles, era um dos mais baixos do mundo desenvolvido. O país, nada surpreendentemente, estava no topo em termos de padrão de vida. O projeto alterou completamente a Suécia. O país passou a ter a segunda maior carga tributária do mundo (a maior é a da Dinamarca), vivenciou períodos de acentuada inflação de preços, e apresenta uma economia em contínuo enfraquecimento.

Não há nada de economicamente misterioso a respeito de serviços de saúde; trata-se de um serviço como qualquer outro. Os princípios que governam os serviços de saúde são imutáveis e não podem ser alterados por meros decretos governamentais ou por “vontade política”. Como qualquer serviço, a medicina pode ser plenamente fornecida em um livre mercado a preços razoáveis e com qualidade crescente. No entanto, como qualquer outra área, tão logo o governo assume o controle e passa a fazer um planejamento centralizado, ele entre em colapso. A qualidade despenca e passa a haver escassez e racionamento.

Alegar que os atuais problemas no sistema de saúde sueco se devem a uma “falha de mercado” — como já fazem alguns social-democratas no país — é o equivalente a dizer que houve uma falha de mercado na produção de pão na União Soviética.

Analisemos o que ocorreu quando os serviços de saúde passaram a ser fornecidos “gratuitamente” pelo governo sueco (isto é, pelos pagadores de impostos). Observe que os mesmos incentivos e princípios econômicos se aplicam a qualquer outro serviço que o governo decida assumir e fornecer “de graça”.

De início, ficou estabelecido que o sistema de saúde gratuito seria somente para os pobres. Ele não iria afetar aqueles que estavam satisfeitos com os serviços até então vigentes. No entanto, ocorreu o óbvio: quando um governo passa a repentinamente oferecer uma alternativa gratuita com promessa da qualidade, várias pessoas abandonam seus fornecedores privados e adotam os bens gratuitos. Trata-se de uma questão de incentivos. Logo, esse sistema público tem de ser expandido. Médicos privados irão perder clientes. Ato contínuo, os médicos privados serão forçados ou a procurar emprego no sistema público ou a abandonar a profissão. O resultado inevitável será a criação de um único sistema público de saúde.

Alguns ainda alegam que é possível haver economias de escala dentro das operações de um sistema de saúde estatal, tornando-o eficiente. Possível até é. Porém, mesmo que existam, elas serão inevitavelmente sobrepujadas pelos custos e ineficiências inerentes a qualquer burocracia que inevitavelmente se agiganta quando passa a gerenciar um sistema desses.

Tais resultados são claramente visíveis na Suécia. Restaram poucos médicos privados. Dos poucos que restaram, a maioria faz parte do sistema nacional de seguridade social. Uma enorme burocracia foi erigida para administrar todo o necessário planejamento centralizado dos sistemas de saúde público e pseudo-privado.

Quando os suecos vão às urnas a cada quatro anos, eles elegem três níveis de governo: o nacional, o landsting, e o kommun. Um landsting é uma espécie de governo regional. Há 20 deles. Os landstings são quase que inteiramente voltados para o gerenciamento do sistema de saúde estatal. Como era de se esperar, eles sempre reclamam de escassez de fundos e regularmente incorrem em déficits.

A vantagem de um sistema de livre mercado é que a contínua interação entre demanda e oferta forma os preços. Esses preços funcionam como sinais emitidos pelos consumidores, guiando os médicos a identificar o que seus pacientes mais desejam e do que eles mais necessitam. Assim, se houver um súbito aumento na demanda por cirurgias cardiovasculares, os preços de tal serviço iriam, ceteris paribus, aumentar. Essa elevação de preços motivaria mais médicos a irem para estas áreas, que agora se tornaram mais lucrativas. Ato contínuo, mais médicos passariam a fornecer mais serviços de cirurgias cardiovasculares, e a oferta de tais serviços iria aumentar. Com a demanda agora satisfeita, os preços voltariam a cair.

Algumas pessoas protestam e dizem que é imoral que médicos queiram maximizar seus lucros e viver à custa dos problemas médicos de outras pessoas. Isso faz tanto sentido quanto dizer que agricultores — inclusive os pequenos — lucram com a fome de terceiros.

Assim, um arranjo de livre mercado sistematicamente direciona a produção (“oferta”) e a realoca de forma a rapidamente satisfazer as necessidades dos pacientes (“demanda”). Por causa da concorrência, tal sistema apresenta outra vantagem: ele está sempre tentando reduzir preços e aumentar a qualidade. Este princípio vale tanto para serviços médicos quanto para quaisquer outros serviços, sejam eles tecnológicos ou de jardinagem.

Já a burocracia inerente a um sistema de saúde estatal não tem como utilizar preços de mercado para alocar recursos. Ela tem de recorrer a outros métodos. Primeiro, ela tentará planejar de acordo com a demanda estimada. Ela tentará adivinhar o número de fraturas ósseas, de cirurgias cardiovasculares e de transplantes de rins que ocorrerá no ano que vem. As estimativas irão invariavelmente estar erradas, o que gerará escassez em algumas áreas e excesso de oferta em outras. Isso significa que haverá, ao mesmo tempo, desperdício de recursos e sofrimento humano.

Sem a motivação da busca pelo lucro, não há incentivos para se adaptar à realidade, para se utilizar equipamentos mais caros e de mais qualidade, para otimizar a capacidade, para aprimorar o nível dos serviços prestados, e para tratar pacientes com dignidade. Todas as mudanças serão impostas, por decreto, pelos burocratas planejadores. Médicos e enfermeiras inevitavelmente ficarão frustrados. Eles não mais serão livres para exercitar sua arte ao melhor de suas habilidades, e nem para ajudar as pessoas o tanto quanto gostariam. Boa parte dos melhores profissionais irá abandonar a área e migrar para outros setores.

É impossível fazer comparativos numéricos, mas é bastante óbvio que o nível de energia entre os profissionais da medicina na Suécia é baixo quando comparado ao de outros países. Um residente americano, amigo meu, passou um ano em um grande hospital sueco. Ele ficou abismado quando descobriu que os alunos nunca dedicavam parte de seu tempo livre observando procedimentos em salas de cirurgias. Simplesmente não há incentivos para se tornar bom na profissão. É claro que há entusiastas que ainda assim gostam de sua profissão e fazem um trabalho fantástico, mas o sistema não é propício a essa atitude.

O planejamento central sempre fracassa. Os planejadores inevitavelmente acabam percebendo que o mercado é superior. Mas, em vez de admitir e recuar, eles aprofundam o esquema. Eles começam a tentar emular um mercado, recorrendo a modismos técnicos como “gestão pública moderna” ou sistemas de vouchers. Os resultados destas soluções normalmente se revelam ainda mais desastrosos do que o planejamento direto. Para fazer com que a coisa funcione minimamente, eles começam a simplesmente atribuir códigos e números a tudo: cada tipo de doença passa a ser designada por um código, cada paciente se torna um número de identificação, e cada procedimento passa a ter um custo planejado (arbitrário) e uma receita estimada.

Recentemente, um grande jornal da Suécia relatou que médicos foram ordenados por burocratas a priorizar pacientes tomando por base seu valor futuro como pagadores de impostos. Sob esse critério, idosos naturalmente têm um valor futuro muito baixo, de modo que eles inevitavelmente passaram a ter baixa prioridade no aparato estatal e se tornaram menos propensos a receber tratamento adequado. Em um sistema de saúde privado você pode, como paciente, criar suas próprias prioridades: você pode, por exemplo, vender alguns ativos e gastar as receitas para melhorar sua saúde. Já em um sistema socializado, uma outra pessoa é que irá determinar quais são suas prioridades.

Como sabemos da prática, toda ação induzida por um planejamento central gera pelo menos cinco inesperadas reações em sentido oposto, sendo que cada uma delas será, por sua vez, contra-atacada com ainda mais regulamentações e planejamentos. Com o tempo, o sistema inevitavelmente entra em colapso. Na Suécia, o sistema de saúde é “gratuito”, mas não é acessível.

Para os casos que não configuram emergência, um sueco tem de ir à “Central de Serviços de Saúde”, que é estatal. Este sempre é o ponto de partida para qualquer consulta médica, desde uma simples gripe até um tumor cerebral. O sueco tem de ir à Central que lhe foi especificada, tudo de acordo com o distrito médico em que ele vive. Ele só será atendido se tiver hora marcada. Normalmente, há uma janela de 30 minutos todas as manhãs, quando você pode ligar para reivindicar uma das vagas que foram disponibilizadas no orçamento do governo. Mas você tem de madrugar, caso contrário elas acabam.

Raramente você consegue uma consulta no mesmo dia. Um burocrata irá lhe designar um médico que estiver de plantão, provavelmente um que você nunca viu antes; e provavelmente um que não fale sueco; e muito provavelmente um que odeie seu emprego. Se você tiver uma doença grave, você será encaminhado a uma fila de espera, na qual, quando chegar a sua vez, você receberá algumas orientações médicas de um especialista. Esse procedimento pode demorar meses. E isso não é um mero defeito do sistema sueco; isso é uma característica inevitável de um sistema de planejamento central, análogo às filas de pão que ocorriam na União Soviética.

É nesta “fila para o pão” do sistema de saúde que as pessoas morrem. As demoras ocorrem com tanta frequência que, quando chega a data de o paciente ser atendido por um especialista, sua condição já se agravou para além de qualquer possibilidade de cura. Também é frequente o sumiço dos pareceres médicos e o desaparecimento das listas dos encaminhamentos médicos, o que faz com que todo o tempo de espera tenha sido em vão. Burocracias criam empregados apáticos e desatentos, que não se importam com ninguém, que não fazem nenhum esforço, e que nunca são responsabilizados por suas falhas.

Já se a sua situação for de emergência, você irá à seção de emergência de um dos vários e enormes hospitais de estilo soviético. Estocolmo tinha dois desses enormes hospitais. Em 2004, eles se fundiram em um só. Obviamente, a “fusão” foi um fracasso, de modo que nos últimos anos tem havido grandes debates sobre a necessidade de separá-los novamente.

A sala de emergência é uma experiência completamente inusitada. A menos que você esteja sufocando ou apresentando uma copiosa hemorragia, você esperará de 5 a 7 horas até ser atendido. E você só receberá esse serviço de “alto nível” se chegar ao hospital em um dia útil e durante o horário comercial. Portanto, se você for um sueco, é bom programar antecipadamente o dia em que você sofrerá algum acidente grave. Após o horário comercial, ou durante os fins de semana, a coisa é muito pior. Em vez de atender os pacientes, os médicos estão majoritariamente ocupados preenchendo formulários para as autoridades do sistema central e rabiscando códigos em pequenos quadrados para relatar os serviços que foram prestados. Já foram relatados casos em que os pacientes conseguiram ser imediatamente atendidos, mais tais casos são raros.

Um fenômeno cada vez mais comum é o de negar ambulâncias àquelas pessoas gravemente atacadas por todos os tipos de sintomas, desde queimaduras severas e septicemia, a infarto do miocárdio ou derrame cerebral.

Se você planeja sofrer algum sério problema de saúde, é importante também que isso não ocorra nos meses de junho, julho e agosto, pois nesses meses de verão os hospitais estão praticamente fechados para férias.

Devido à ausência da busca pelo lucro, serviços gratuitos não apenas são ruins como também são muito caros. Um dos principais bancos da Suécia (o Swedbank) recentemente apresentou um estudo dizendo que o assalariado médio gasta aproximadamente 70% de seu salário com impostos para o governo, incluindo-se aí a enorme e invisível fatia que é retida na fonte. Dado que sistemas gratuitos se tornam mais caros com o tempo, e dado que é impossível compensá-lo com aumentos constantes de impostos, torna-se inevitável que, anualmente, novas doenças sejam listadas como não-graves, e portanto deixem de ser cobertas.

Na etapa final do fracasso do planejamento central, os planejadores simplesmente desistem. Eles lavam as mãos para tudo, e decidem “privatizar” os serviços. Isso começou a ser feito na Suécia. Só que, na prática, isso significa que eles desovam hospitais a preços de liquidação para empresários com boas conexões políticas. Ato contínuo, os próprios planejadores se tornam supervisores e reguladores. Isso cria um “mercado” extremamente protegido no qual os “empreendedores” devem apenas entregar serviços de qualidade estatal a preços que são estipulados de acordo com cálculos que estimam quanto custaria ao governo fazer o mesmo serviço.

Obviamente, isso cria distorções tão grandes, que seria possível atravessá-las com ambulâncias. E não há nenhuma livre concorrência para trazer alguma racionalidade a isso.

O mercado de saúde privado na Suécia é pequeno. Poucas pessoas podem pagar por ele, uma vez que elas já pagam 70% de impostos para todas as outras coisas “gratuitas” e dado também que o sistema é altamente regulado e não há livre concorrência (o que significa preços artificialmente altos). Os políticos, obviamente, utilizam o sistema privado, mas quem paga são os cidadãos suecos. Aparentemente, eles são pessoas tão especiais que o sistema estatal que eles amorosamente criaram para os outros não serve para eles.

Aos apologistas do modelo de saúde sueco: eu vivo neste modelo. Creiam-me: ele não funciona.

 

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21 março, 2014 às 14:44

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