Genial artigo de Churchill sobre Trotsky (enquanto este ainda estava vivo) – Fotos

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 1900 – Foto de Trostky nos arquivos da polícia do Czar
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 1915 – Na França com sua fiha Nina
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1916 – Documento da expulsão de Trotsky da França
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1918 – Trotsky uniformizado
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1928 – Trotsky matando o víbora do reacionarismo

Leon Trotsky, aliás, Bronstein

(Winston Churchill)

 

 

QUANDO O USURPADOR E TIRANO se reduz a controvérsia literária, quando o comunista, em vez de bombas, produz derramamentos de estilo para a imprensa capitalista, quando o refugiado senhor da guerra trava de novo suas batalhas na lembrança e o carrasco demitido fica prosa e tagarela ao pé da lareira, podemos comemorar os sinais de que dias melhores estão chegando. Tenho à minha frente um artigo que Leon Trotsky, aliás, Bronstein, publicou recentemente ao John o’ London Weekly, no qual se refere a meus comentários sobre Lênin, à Intervenção aliada na Rússia, a Lord Birkenhead e a outros tópicos sugestivos. Escreveu este artigo de seu exílio na Turquia, enquanto suplicava à Inglaterra, à França e à Alemanha para acolhê-lo nas civilizações cuja destruição tem sido — e continua a ser — o objetivo de sua vida. A Rússia — sua própria Rússia vermelha, a Rússia que ele montou e preparou conforme seus desejos íntimos, não importando o sofrimento de outros e os riscos para si mesmo — o expulsou. Toda a sua conspiração, toda a sua ousadia, toda a sua literatura, todas as suas arengas, todas as suas atrocidades, todos os seus feitos levaram-no simplesmente a isso — outro “camarada,” seu subordinado na hierarquia revolucionária, seu inferior em capacidade mental e conhecimento, embora talvez não em crimes, governa em seu lugar, enquanto ele, o outrora triunfante Trotsky, que, com um simples franzir de sobrancelhas, mandava milhares à morte, se acomoda em desconsolo. Uma crosta de maldade encalhou por algum tempo nas praias do Mar Negro e agora se despejou no Golfo do México.

Homem difícil de satisfazer deve ter sido. Não gostava do Czar, então assassinou-o e a sua família. Não lhe agradava o governo imperial, então o fez pelos ares. Não gostava do liberalismo de Guchkov e Miliukow, então os derrubou. Não podia suportar a moderação “social revolucionária” de Kerensky e Savinkov, então tomou seus lugares. Quando, afinal, o regime comunista, pelo qual lutara com todas as suas forças, estava estabelecido em toda a Rússia, quando a ditadura do proletariado dominava, quando a “nova ordem da sociedade” passara das visões à realidade, quando as odiosas cultura e tradições do período individualista tinham sido erradicadas, quando, em uma palavra, sua “utopia” foi alcançada, ele ainda estava descontente. Ainda se irritava, resmungava, rosnava, mordia e conspirava. Levantara os pobres contra os ricos. Levantara os miseráveis contra os pobres. Levantara os criminosos contra os miseráveis. Tudo acontecera como ele queria. Entretanto, os vícios da sociedade humana exigiam, ao que parece, novos castigos. No mais profundo dos abismos, ele buscava desesperadamente energia para afundar mais ainda. Mas — pobre infeliz — já tinha atingido o fundo rochoso. Não se podia encontrar nada mais baixo que a classe criminosa comunista. Voltou em vão sua atenção para as bestas selvagens. Os macacos não puderam apreciar sua eloquência. Não conseguiria mobilizar os lobos, cujo número aumentou tão significativamente durante sua administração. Então os criminosos que ele instalara no governo se aliaram e o depuseram.

Daí, esses artigos prolixos do jornal. Daí o ulular vindo do Bósforo. Daí essas súplicas para ser autorizado a visitar o Museu Britânico e estudar seus documentos, ou a beber as águas de Malvern para seu reumatismo, ou de Nauheim para seu coração, ou de Homburg para sua gota, ou de algum outro lugar para algum outro achaque. Daí o remoer nas sombras da Turquia, vigiado pelos olhos penetrantes de Mustafa Kemal. Daí suas partidas da França e da Escandinávia. Daí seu último refúgio no México.

É espantoso que um homem com a inteligência de Trotsky não fosse capaz de compreender o flagrante desgosto dos governos civilizados com os expoentes do comunismo. Ele escreve como se isso se devesse nada mais que a um preconceito intolerante contra novas ideias e teorias políticas rivais. Mas o comunismo não é apenas um credo. É um plano de ação. Um comunista não é somente o detentor de certas opiniões; é o adepto comprometido com um bem pensado instrumento para impor essas opiniões. A anatomia da insatisfação e da revolução foi estudada em cada fase, em cada aspecto, e um verdadeiro manual de treinamento foi preparado com espírito científico para ensinar a subverter todas as instituições existentes. O método de implantação forçada é parte do credo comunista, tal como sua própria doutrina. Inicialmente, são invocados os sempre nobres princípios de liberalismo e democracia, para proteger o nascente organismo. Liberdade de expressão, direito de reunião e todas as formas de manifestação política legítima são anunciadas e defendidas. Buscam aliança com qualquer movimento popular que tenda para a esquerda.

O primeiro marco é criar um moderado regime liberal ou socialista em algum período de convulsão. Mas este, tão logo criado, é deposto. As aflições e as carências resultantes da confusão devem ser exploradas. Confrontações entre os agentes do novo governo e as classes trabalhadoras, se possível com derramamento de sangue, devem ser preparadas. Mártires devem ser arranjados. Uma atitude de arrependimento dos dirigentes pode ser explorada positivamente. Uma propaganda pacífica pode ser a máscara de ódios jamais conhecidos entre os homens. Não é necessário, na verdade não pode ha0pver, qualquer compromisso com não comunistas. Qualquer gesto de boa vontade, tolerância, conciliação ou compaixão por parte de governantes ou estadistas dever ser usado para arruiná-los.

Então, quando chega a hora e o momento é oportuno, todas as formas de violência mortal, desde a revolta popular até o assassinato seletivo, devem ser usadas sem restrição ou remorso.  A cidadela será assaltada sob as bandeiras de liberdade e democracia. Uma vez que o aparato de poder esteja em mãos da Irmandade, toda a oposição e todas as opiniões contrárias devem ser extintas pela morte. Democracia não passa de um instrumento a ser usado e depois destruído; liberdade, apenas uma bobagem sentimental indigna de um lógico. A regra absoluta de um sacerdócio por livre escolha, de acordo com os dogmas aprendidos pelo hábito, deve ser imposta à humanidade, sem contemplação, progressivamente, mas de uma vez por todas. Tudo isto, sacramentado em tediosos livros didáticos, escritos também com sangue na história de muitas nações poderosas, constitui a crença e o propósito comunista. Para evitar a tempo, armar-se de antemão.

Escrevi este trecho há quase sete anos, mas acaso não é um relato exato da conspiração comunista que atirou a Espanha na atual terrível confusão, contra a vontade da esmagadora maioria de espanhóis de ambas facções?

É provável que Trotsky nunca tenha compreendido a doutrina marxista, mas foi o incomparável mestre de seu manual de treinamento. Possuía, inatos, todos os atributos exigidos pela arte da destruição cívica: o comando organizador de um Carnot, a fria e distante inteligência de um Maquiavel, a oratória de massa de um Cleon, a ferocidade de Jack, o estripador, e a dureza de Titus Oates. Nenhum resquício de compaixão, nenhum sentido de solidariedade humana, nenhum temor espiritual enfraqueceu sua elevada e infatigável capacidade de ação. Qual um câncer, cresceu, nutriu-se, torturou e matou para satisfazer sua natureza. Encontrou uma esposa que compartilhava a fé comunista. Ela trabalhava e conspirava a seu lado. Estiveram juntos em seu primeiro exílio na Sibéria, nos tempos do Czar. Deu-lhe filhos. Ajudou-o a fugir. Ele a abandonou. Encontrou outra mente irmã em uma moça de boa família, expulsa da escola em Kharkov por persuadir os alunos a se recusarem a comparecer às orações e a ler a literatura comunista no lugar da Bíblia. Com ela, formou outra família. Como diz um de seus biógrafos, Max Eastman: “Se você observa o aspecto estritamente legal, não se trata da mulher de Trotsky, pois ele nunca se divorciou de Alexandra Ivovna Sokolovski, que ainda usa o sobrenome Bronstein.” Sobre sua mãe, Trotsky escreve em termos frios e indiferentes. Seu pai, o velho Bronstein, morreu de tifo em 1920, foi deixado para afogar-se ou nadar no dilúvio russo e nadou imperturbavelmente para o fim. Que mais poderia fazer?

Ainda a respeito de Trotsky, neste ser humano tão destituído dos sentimentos e afeições próprios da natureza humana, tão elevado, por assim dizer, acima do rebanho, tão esplendidamente qualificado para sua tarefa, havia um componente de fraqueza particularmente importante, segundo o ponto de vista comunista. Trotsky era ambicioso, e ambicioso no sentido mais comum e mundano do termo. Todo o coletivismo do mundo não seria capaz de livrá-lo de um egoísmo que ia ao ponto da doença, uma doença fatal. Queria não apenas arruinar o estado queria, depois, governar a ruína. Todo sistema de governo do qual ele não fosse o chefe, ou quase o chefe, era-lhe abominável. A Ditadura do Proletariado, para ele, significava ele ser obedecido sem perguntas. Ditaria ele em nome do proletariado. As “massas trabalhadoras,” os “Conselhos ou Sovietes de Trabalhadores, Camponeses e Soldados,” o evangelho e a revelação de Karl Marx, a União Federal das Repúblicas Socialistas Soviéticas etc., para ele, soletravam-se em uma única palavra: Trotsky. Isso criou problema. Camaradas enciumaram-se. Ficaram desconfiados. Como chefe do Exército Russo, que reconstruiu em meio a indescritíveis dificuldades e perigos, Trotsky aparecia muito perto do trono vago dos Romanovs.

As fórmulas comunistas que usara com devastadora eficiência contra os outros agora não o atrapalharam. Descartou-se delas, tão prontamente quanto abandonou sua esposa ou seu pai ou seu nome. O exército deve ser refeito; a vitória deve ser alcançada; e Trotsky é quem deve fazê-lo, Trotsky é quem deve tirar proveito. Para que outro fim revoluções são feitas? Empregou sua excepcional perícia ao máximo. Os oficiais e praças do exército do novo modelo eram alimentados, vestidos e cuidados melhor que ninguém na Rússia. Oficiais do velho regime czarista foram trazidos de volta aos milhares. “Para o inferno com a política, vamos salvar a Rússia.” A continência foi reintroduzida. Os distintivos de posto e privilégio foram restaurados. Refez-se a autoridade dos comandantes. O alto comando viu-se tratado pelo arrivista e comunista com uma deferência jamais recebida dos ministros do Czar. O abandono pelos aliados da causa da Rússia legalista coroou aquelas iniciativas com uma vitória fácil e completa. Em 1922, era tão grande o apreço dos militares pela atitude pessoal e pelo sistema de Trotsky, que ele poderia perfeitamente ter se tornado ditador da Rússia pela mão das forças armadas, não fosse um obstáculo fatal.

Ele era judeu. Ainda era judeu. Nada podia superar isso. Destino ingrato, quando você abandonou a família, repudiou sua raça, cuspiu na religião de seus pais e juntou judeus e não judeus na mesma malignidade, ver-se privado de tão grande prêmio por uma razão tão insignificante! Tal intolerância, tal trivialidade, tal fanatismo eram realmente difíceis de aturar. E este desastre trazia arrastado outro maior. Na esteira da decepção, surgiu a catástrofe.

Pois entrementes, os camaradas não ficaram de braços cruzados. Também tinham ouvido a conversa dos oficiais. Também viram as possibilidades de um exército russo reconstituído em seus antigos elementos. Enquanto Lênin vivesse, o perigo parecia remoto. Lênin realmente via em Trotsky seu herdeiro político. Procurou protegê-lo. Mas, em 1924, Lênin morreu; e Trotsky, ainda ocupado com seu exército, ainda apreciando a rotina de administrar seu departamento, ainda recebido com aclamações anteriormente só dirigidas a Nicolau II, voltou-se para encontrar uma oposição pesada firmemente organizada contra ele.

Stalin, o georgiano, era uma espécie de secretário geral do aparato do governo. Administrava a vida do partido e manipulava os incontáveis comitês. Juntou pacientemente os fios e começou a puxá-los de acordo com um projeto muito claro. Quando Trotsky avançou esperançoso, na realidade confiante, para aceitar a sucessão de Lênin, viu que a máquina do partido orientava-se noutra direção. Na arena estritamente política das atividades comunistas, Trotsky foi rapidamente ultrapassado. Viu-se acusado, com base em seus volumosos escritos, de “antileninismo.” Parece não ter percebido que Lênin substituíra Deus no imaginário comunista. Por algum tempo, tivera a impressão de que essa correta substituição fora feita por ele, Trotsky. Reconheceu sua heresia e ansiosamente explicou a soldados e trabalhadores as irrefutáveis razões que o levavam àquela expectativa. Suas declarações foram recebidas com absoluto espanto. A GPU foi acionada. Oficiais sabidamente simpáticos a Trotsky foram afastados de suas funções. Depois de um período de silenciosa tensão, ele foi aconselhado a entrar em férias. Essas férias, depois de algumas interrupções, continuam até hoje.

Stalin usou seu sucesso para ter outro ainda maior. O Politiburo, sem o feitiço de Lênin e a força de Trotsky, foi por sua vez expurgado de seus elementos de poder. Os políticos que tinham feita a revolução foram dispensados, castigados e reduzidos à impotência pelo gerente do partido. A máquina engoliu o Gabinete e, com Stalin à testa, tornou-se o atual governo da Rússia. Trotsky foi atirado numa ilha pelos próprios amotinados que levara com tanta audácia a tomarem o navio.

Qual será seu lugar na história? Apesar de todos os seus horrores, uma luz brilhante dança sobre a cena e os atores da Revolução Francesa. A trajetória e a personalidade de Robespierre, de Danton, mesmo de Marat, projetam-se lúgubres através de um século. Mas as figuras esquálidas, sem graça dos bolcheviques russos não despertam maior interesse, nem mesmo pela dimensão de seus crimes. Forma e ênfase perderam-se num vasto processo de liquefação asiática. Mesmo a matança de milhões e o sofrimento de muitos outros milhões não atrairão gerações futuras para suas feições vulgares e seus nomes exóticos. Agora, em sua maioria, eles já pagaram por seus crimes. Surdiram de suas celas na Cheka para fazer ao mundo insólitas e monstruosas confissões. Tiveram a morte em segredo a que submeteram tantos homens mais bravos.

Mas Trotsky sobrevive. Permanece em cena. Esqueceu seus esforços, que Lênin via com restrições, para continuar a guerra contra a Alemanha, em vez de submeter-se aos termos de Brest-Litovsk. Esqueceu sua própria carreira de guerreiro e reconstrutor oportunista do exército russo. Em desgraça, voltou à ortodoxia bolchevique.

É de novo o expoente do mais puro sectarismo comunista. Em torno de seu nome, juntam-se os novos extremistas doutrinários da revolução mundial. Sobre ele cai todo o peso da perversidade soviética. A mesma propaganda vil que usou com tanta impiedade contra o velho regime agora se concentra sobre ele próprio, dirigida por seu único antigo camarada sobrevivente. Toda a Rússia, de Polônia à China, do Polo Norte ao Himalaia, é ensinada a vê-lo como o supremo canalha, que tentava, de uma ou outra forma, criar novos grilhões para os trabalhadores e trazer o invasor nazista para o meio deles. O nome de Lênin e a doutrina de Karl Marx são invocados contra ele, no instante em que se empenha freneticamente em explorá-los. A Rússia está recuperando forças, à medida que a virulência do comunismo diminui em seu sangue. O processo pode ser cruel, mas não é mórbido. É uma necessidade de sobrevivência o que impede o governo soviético a extrair Trotsky e seus venenos recém-destilados.

Em vão, ele se esganiça contra um vendaval de mentiras: em vão, denuncia a tirania burocrática da qual foi tão alegremente o chefe; em vão, tenta reunir o submundo da Europa para subverter o Exército Russo, que outrora se orgulhou de ter animado. A Rússia largou dele, e largou dele para sempre.

Talvez ele tenha ócio para contemplar o que fez. Ninguém pode lhe desejar castigo maior que uma vida longa, e que sua aguda inteligência e seu espírito inquieto possam atormentar um ao outro pela impotência e pela frustração. Em verdade, podemos prever o dia em que suas teorias, totalmente reprovadas na aplicação, cessem de incomodar o dinâmico e esperançoso mundo exterior; o dia em que a ampla tolerância que vem com a sensação de segurança permita que ele desacreditado e extinto, rasteje de volta para os lugares na Europa e na América onde passou tantos de seus primeiros anos. Pode ser que, nesses anos futuros, venha a encontrar tão pouca ajuda no trabalho que realizou quanto seu pai teve do filho que o gerou.

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1919 – A Guerra civil: Cartaz dos russos brancos dizimados pelo judeu comunista
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1919 – Trotsky com Lenin e L.B.Kamenev – Segundo Congresso da Internacional Comunista
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1920 – Parada na Praça Vermelha
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1920 – Retrato do Comandante do Exército Soviético ( na época os comunas haviam abolido as insígnias)
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1921 – Terceiro Congresso Mundial da Internacional Comunista
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1928 – Exilado na Turquia
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1940 – No México, pouco antes de seu assassinato ordenado por Stalin
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9 dezembro, 2013 às 18:40

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Categoria: Artigos

Comentários (2)

 

  1. chico pompeu disse:

    Muito interessante o artigo. Não tinha notícia de sua existência. Oxalá nossa intectualidade cultivasse a memória dos grandes defensores da liberdade, como Churchill, em vez de rastejar diante dos psicopatas marxóides!

    • claudiomafra disse:

      As primeiras sarcásticas frases são excepcionais. O trivial em Churchill era um monumento. E trata-se de uma tradução !

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