Mais considerações sobre as passeatas

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O  PT está há 10 anos no poder. Quando a Dilma disse agora, por causa das passeatas, que está ao lado da população no repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público” a quem ela está se referindo como os culpados por esses descalabros ? Só poderia ser ao PT, é claro.  Como é que chegamos a este ponto de aceitarmos pontapés no mais elementar encadeamento lógico ? Como é possivel essa mulher dizer uma barbaridade dessas na nossa cara? Alguma coisa fizemos para merecer isto.

 

Uma coisa parece certa: O PT vai sair muito arranhado das passeatas. A recusa dos jovens em aceitar ao seu lado as bandeiras petistas, e de outros partidos de esquerda, é um marco político dos mais importantes nos últimos anos. Quem poderia imaginar que algo assim iria acontecer no Brasil?

 

 

Três pontos :O vandalismo cresceu de forma exponencial,  a militância do PT em algumas cidades está sendo escorraçada das ruas, e, na TV, os âncoras e entrevistados se colocam invariavelmente na posição de ensinar como os policiais devem agir.

 

 

E a Oposição?  Será que não vai dar nem uma notinha? Nada? Sabemos que estão desmoralizados, etc. e tal, mas espera-se um MÍNIMO daqueles que receberam milhões de votos em eleições majoritárias. Fernando Henrique, que adora análises sociológicas até para explicar porque o sujeito está bebendo um suco de melancia, não vai se dirigir, junto com sua turma,  À NAÇÃO ? Isto é o fim do mundo.

 

 

No Globo: “Exército está de prontidão com 7.500 homens no Rio

“O Batalhão de Choque e a Brigada Paraquedista, ambos do Exército, estão de prontidão no Rio. A determinação partiu dos responsáveis pela segurança da cidade nos grandes eventos e já está valendo desde domingo. A ordem vale até o dia do último jogo da Copa das Confederações. Segundo informações do Exército, a tropa só será acionada se os órgãos de segurança do Rio não puderem conter os manifestantes. As Forças Armadas estão mobilizando 7.500 homens”

 

Talvez seja um bom momento para vermos se os comandantes militares estão completamente subordinados ao governo ou se ainda guardam restrições. Que ordens darão às tropas ?  Qual será o papel do ridículo ministro da Defesa, Celsinho Amorim, nesta situação?

 

Vejam a pergunta feita a ele pelo reporter da Folha:

 

“As Forças Armadas podem ser chamadas?”

Não vejo isso acontecer. Os órgãos de segurança pública tem perfeito controle da situação. A questão é saber se agem com maior rigor ou com maior comedimento. É um equilíbrio às vezes delicado, mas acho que isso é encontrável”. 

 

Deve morrer de medo da Dilma mandá-lo dar uma ordem contundente aos militares. Pode ser questionado da maneira mais insubordinada. O que ele faria ? Por exemplo, demitiria o comandante do Exército? Teria esse peito?

Não ter os militares ao seu lado de forma incondicional é a maior prova da tremenda incompetência da corja petista. Dez anos nos quais poderiam ter adulado os milicos, dado aumentos salariais maravilhosos, reequipado as Forças Armadas da maneira que eles quisessem, mudar o curriculo e os professores nas Escolas Militares. Não fizeram nada disso e portanto não podem dar um golpe branco, não podem nos intimidar. A burrice deles foi a nossa salvação.  Agora a situação PARECE ter mudado. O PT, ainda deve ganhar as próximas eleições (?), mas o seu maior momento passou. Quando a porcina nomeou o Celsinho Amorim para ministro da Defesa achei que o Mensalão havia sido um acidente de percurso, e a parte mais importante do grande esquema teria sido posto em marcha. Nada, alarme falso. Até que tivemos sorte.

 

Agora, o que não dá para entender é o fato dos militares tendo 72 % de apoio da população brasileira ainda estarem com o rabo entre as pernas. O traumatismo que sofreram por haverem permanecido muito mais do que deveriam no poder parece que vai levar mais uma década para desaparecer.  A segunda colocada na pesquisa feita pelo Fundação Getúlio Vargas é a Igreja, com 55%

 

 


Achei importante esta pesquisa do Globo:

Qual é o principal motivo para a adesão de milhares aos protestos no país?

  • Atuação da polícia em São Paulo6.0%
  • Aumento das tarifas de ônibus e precária infraestrutura de transportes1.0%
  • Descontentamento com os partidos e políticos9.0%
  • Repúdio à corrupção21.0%
  • Inflação e o mal desempenho da economia3.0%
  • Gastos com a Copa do Mundo4.0%
  • Insatisfação generalizada contra tudo55.0%
  • Não sei1.0%

Ao contrário de parte da imprensa, que insiste em afirmar que a causa está na violência policial ( que não houve) nos primeiros momentos das passeatas em S.Paulo, podemos constatar que  Insatisfação generalizada conta com 55% ; Repúdio à corrupção 21%. e Atuação da polícia em São Paulo, apenas 6%

 

 

Vejam um exemplo de como a fotografia destroi o que a pessoa diz:

 

FOLHA – SP

Após confessar ter participado da depredação da entrada da Prefeitura de São Paulo no protesto de terça-feira, o estudante de arquitetura Pierre Ramon Alves de Oliveira, 20, ontem decidiu pedir desculpas: “Peço que quem nunca errou na vida que atire a primeira pedra”. EU. Tragam o rapaz que eu atiro a primeira e várias outras.

Filho de um pequeno empresário, Pierre Ramon é aluno da FMU. A polícia disse que ele não tem antecedentes criminais, não é ligado ao Movimento Passe Livre e nem pertence a qualquer partido. É simplesmente um cara violento e logo abaixo vamos descobrir  razão.

O estudante se entregou num posto de gasolina na marginal Tietê. Estava ajudando o pai com o caminhão de entregas da família e decidiu se apresentar depois que policiais foram até sua casa e falaram com sua mãe. Desesperada, ela ligou para o filho. Mãe é mãe. O homem no campo de batalha  morre chamando pela mãe. Isto é um fato.

Segundo seu advogado, Gerson Bellani, ele chorou ao depor. “Eu atirei pedra depois que os guardas jogaram spray de pimenta no rosto das pessoas. Fiquei revoltado”. Ele foi liberado após prestar depoimento e ser indiciado por dano ao patrimônio público. Mentiroso. Ele não se incomoda o mínimo com as pessoas a sua volta. É um narcisista, cara forte e resolveu, talvez pela primeira vez, testar sua força fora de um ginásio. Quis ver do que era capaz.

Joel Silva/Folhapress
Manifestante identificado como Tiago usa grade para quebrar os vidros da prefeitura; polícia está em busca do jovem
Manifestante Pierre Ramon usa grade para quebrar os vidros da prefeitura

A polícia também havia solicitado sua prisão temporária por formação de quadrilha –o juiz negou o pedido.

Pierre Ramon disse que foi ao protesto de cara limpa e negou ter ateado fogo na van da TV Record: “Quero pedir desculpas a todos os manifestantes do Movimento Passe Livre. Eu fui errado e estou disposto a arcar com todas as consequências e pagar centavo por centavo tudo o que eu fiz de dano. Vou trabalhar para tudo isso”.  Um sujeito desse tipo não é dado a arrependimentos. Entregou-se porque seria preso, já que a polícia o havia identificado e sabia seu endereço. Se houver alguma cobrança vai alegar que só quebrou um vidro. “Foram os outros participantes que arrebentaram tudo”.  Vai negociar de acordo com o filme que está nas mãos da polícia.

O delegado do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado) Antônio de Olim disse que o jovem insuflou os manifestantes a apedrejar a prefeitura: Ele é arrogante. Estava na manifestação, todo fortinho, lutador de jiu-jitsu. Achou que era o dia dele e começou a quebrar tudo. Mas que diagnóstico ótimo o do delegado. Irônico e determinado . Mostrou que conhece bem a peça. Segundo Antonio de Olim,  ele feriu guardas. Feriu guardas ? Lamento que não tenham baixado o pau nele .

Vestindo uma camisa branca, Pierre Ramon usava uma máscara contra gás lacrimogêneo durante o protesto, mas abaixou a máscara várias vezes, mostrando o rosto. Ele não foi o primeiro a atacar a prefeitura, mas usou uma barreira metálica para quebrar vidros da entrada. E o malandro tinha uma máscara contra gás! Quer dizer que foi de caso pensado o seu ataque. Não foi por acaso.

A polícia confirmou sua identificação após ouvir testemunhas e comparar a foto dele com as que constam na sua página em redes sociais. Bom trabalho da polícia, e ótimo que tenha sido divulgado na Folha.

No Facebook, o jovem se diz adepto de artes marciais, como muay thai e jiu-jitsu, das quais compartilha páginas. É fã de Renato Russo, Paulo Coelho e Anderson Silva. Fotos na rede mostravam o estudante abraçado com amigos antes do protesto. É isso, resolveu colocar na prática o que havia aprendido na academia de jiu-jitsu. Resolveu se mostrar para o público presente. Exibiu a precisão, grande poder de concentração, técnica  e força, para… quebrar vidros. E os policiais, desarmados, tiveram que se proteger dentro do prédio. Muito corajoso o pilantra.

 

Folha SP. Vejam que ótimo artigo da Eliane Cantanhêde. Ela enumera as mais recentes brutalidades contra o povo brasileiro.

Exaustão

BRASÍLIA – Condenados pelo Supremo têm mandato de deputado e, não bastasse, viram membros da Comissão de Constituição e Justiça.

Um pastor de viés racista e homofóbico assume nada mais, nada menos que a presidência da Comissão de Direitos Humanos na Câmara.

Um político que saíra da presidência do Senado pela porta dos fundos volta pela da frente e se instala solenemente na mesma cadeira da qual havia sido destronado.

O arauto da moralidade no Senado nada mais era do que abridor de portas de um bicheiro famoso. E o Ministério Público, terror dos corruptos, é ameaçado pelo Congresso de perder o papel de investigação.

A chefe de gabinete da Presidência em SP usa o cargo e as ligações a seu bel-prazer, enquanto a ex-braço direito da Casa Civil, afastada por suspeita de tráfico de influência, monta uma casa bacana para fazer, possivelmente… tráfico de influência.

Um popular ex-presidente da República viaja em jatos de grandes empreiteiras, intermediando negócios com ditaduras sangrentas e corruptas.

Um ex-ministro demitido não apenas em um, mas em dois governos, tem voz em reuniões estratégicas do ex e da atual presidente, que “aceitaram seu pedido de demissão”.

Ministros que foram “faxinados” agora nomeiam novos ministros e até o vice de um governador tucano vira ministro da presidente petista.

Na principal capital do país, incendeiam-se dentistas, mata-se à toa. Na cidade maravilhosa, os estupros são uma rotina macabra.

Enquanto isso, os juros voltam a subir, impostos, tarifas e preços de alimentos estão de amargar. E os serviços continuam péssimos.

É por essas e outras que a irritação popular explode sem líderes, partidos, organicidade. Graças à internet e à exaustão pelo que está aí.

A primeira batalha foi ganha com o recuo dos governos do PT, do PSDB e do PMDB no preço das passagens. Mas, claro, a guerra continua.

 

 

Três comentários sobre o povo nas ruas  (Prof. Simon Schartzmann) -comentários do blog em AZUL

Posted: 19 Jun 2013 02:26 PM PDT

No meio de tanto que tem sido dito sobre as manifestações populares dos últimos dias, três comentários me chamaram atenção, e expressam meu entendimento do que está ocorrendo.

O primeiro foi da economista Eliana Cardoso, ao dizer que, se Brasília quiser mesmo responder às demandas populares, poderia começar cortando imediatamente para vinte os quarenta ministérios de hoje existem, e reduzir em 10% os salários e benefícios dos nossos “representantes” . Esta proposta da Eliana Cardoso é de uma insensatez que não se espera de um PhD americano. É algo panfletário, parece saído da boca do mais ingênuo dos manifestantes. Reduzir de 40 para 20 (imediatamente!) os ministérios não está muito longe da proposta de pedir, com toda a seriedade, a renuncia da presidente. O segundo foi do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmando que o voto das ruas não pode prevalecer sobre o voto das urnas. E o terceiro foi de Bolívar Lamounier, ao descrever o romantismo que parece prevalecer no que tem sido dito por muitos que se apresentam para falar em nomes dos manifestantes.

O comentário de Eliana me parece resumir o grande fosso que hoje separa grande parte da população, sobretudo nos grandes centros urbanos, que sofre com a inflação crescente e a má qualidade dos serviços públicos, não se beneficia diretamente dos programas sociais do governo e vê com desgosto o mercado persa em que transformou grande parte da política brasileira, em que os políticos negociam abertamente votos e apoios por cargos e os corruptos mais óbvios continuam impunes e poderosos como sempre. Se o espetáculo de Brasília é lamentável, o da maioria das capitais estaduais não é melhor. Enquanto via horrorizado, pela TV, como tentavam incendiar a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, me perguntava ao mesmo tempo quanta gente, no Estado, sabe mesmo para que ela serve. Não entendo como o inteligente e competente prof. Simon Schartzmann colocou a bobagem que disse Eliana Cardoso nesse quadro do seu blog. Reparem que sua análise do que disse a doutora eleva o nivel do que ela pronunciou de maneira passional, irracional.  Ele fez uma TRADUÇÃO para melhor, para o razoavel, do destempero juvenil da economista por Harvard. Logo em seguida vem a frase do professor com respeito à  Assembleia do Rio de Janeiro   “……..eu me perguntava quanta gente, no Estado, sabe mesmo para que ela serve”. Não entendi. Acredito que a interpretação seja: A Assembleia é tão inoperante (para dizer o mínimo) que as pessoas desconhecem sua função.

Fernando Haddad tem toda razão ao dizer a vontade de milhões, expressa nas urnas, e que dá aos governantes um mandato para tomar decisões e implementar políticas, não pode ser atropelada pelo voto das ruas, expresso por porta-vozes cuja representatividade ninguém sabe exatamente qual é. Suas propostas sobre como lidar com os transportes públicos em São Paulo contribuíram para sua eleição, e seu papel é levar estas propostas à frente, e não mudar de rumo de repente. Mas o mandato político não pode ser somente uma formalidade legal, precisa ter legitimidade, as pessoas precisam acreditar que realmente os eleitos as representam, e os protestos de centenas de milhares de pessoas nas ruas nos últimos dias mostram a grande fragilidade desta representação. Boa análise, corajosa quando diz que Haddad  FOI ELEITO. Continuando Schartzmann assinala que existe um porém: os protestos de milhares podem mostrar a fragilidade de um mandato político. Minha opinião é que o PT comprou a sua legitimidade subornando o povo brasileiro com Bolsa Família e agregados. Você pode ter 80% de popularidade quando faz um plebiscito, tendo antes o cuidado de dobrar o salário mínimo e tornar gratuito o transporte público. Desta maneira o regime transforma-se numa ditadura constitucional.

É esta falta de legitimidade que cria o caldo de cultura para o florescimento das ideologias “românticas” que parecem dar o tom de grande parte das manifestações que se ouvem de muitos de seus supostos porta-vozes, e de que nos fala Bolivar Lamounier. “Romântico”, aqui, não tem ver com amores, paixões e ódios, mas com um tipo específico de ideologia política que sonha com um passado ou um futuro, ambos utópicos, em que as pessoas vivem em comunidade, tudo é decidido e feito em comum, em harmonia entre homens e mulheres e destes com a natureza. Comparado com o mundo perfeito dos românticos, o mundo real, de instituições, leis, recursos escassos, interesses contraditórios, tudo isto é inaceitável. Eleições, parlamentos, juízes, instituições, bancos centrais, nada disto serve para nada. “Que se vayan todos!” como se dizia na Argentina em um de seus momentos mais tristes. No mundo utópico não existem limitações de recursos, os serviços públicos são perfeitos e gratuitos, não se pagam impostos, e só precisamos trabalhar naquilo que gostamos. Alguns românticos, como os velhos hippies, decidem se recolher em comunidades isoladas de paz e amor, aonde os malefícios do mundo real não entram; outros, como os antigos anarquistas, partem para a destruição deste mundo imperfeito, contra o qual tudo vale, inclusive o terrorismo. Absolutamente perfeito

A grande vantagem das ideologias românticas é que elas são simples e fáceis de entender; a grande desvantagem é que elas são impossíveis. Não há exemplos de sociedades organizadas conforme as ideologias românticas (as utopias, por definição, não existem), mas não faltam exemplos de sociedades em que as instituições públicas acabaram sendo destruídas e substituídas por regimes populistas, autoritários, corruptos e ineficientes, que conseguem apoio de muitos e se apresentam como representantes dos romantismos mais puros.  A ditadura constitucional a que me referi, acima. Mas existem também exemplos de sociedades que foram capazes de reformar suas instituições públicas, fazendo com que as pessoas se sintam representadas, tenham canais adequados de expressão, e onde a apropriação deslavada dos recursos públicos pelos políticos não seja permitida nem tolerada.

Precisamos urgentemente de governabilidade e legitimidade, e, para mim, pelo menos, a principal lição do voto das ruas é a necessidade urgente de uma reforma política que consiga produzir isto, com as inevitáveis imperfeições do mundo real.

21 junho, 2013 às 00:10

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Categoria: Artigos

Comentários (1)

 

  1. Marco Balbi disse:

    Ótimo. Estou compartilhando e difundindo!

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