O Dalai Lama escreve o prólogo – “Livro Tibetano do Viver e do Morrer”, de Sogyal Rinpoche

Bandeira_Tibet

O significado da bandeira do Tibet

O sítio oficial do governo no exílio do Tibete dá o seguinte significado à bandeira:

.No centro, uma montanha coberta de neve, representa a grande nação do Tibete, amplamente conhecida como a Terra Rodeada de Montanhas Nevosas

.Pelo céu azul escuro, seis faixas vermelhas representam os antepassados do povo Tibetano: as seis tribos chamadas Se, Mu, Dong, Tong, Dru e RA que por sua vez geraram doze descendentes. A combinação das seis faixas vermelhas (das tribos) e das seis faixas azuis (representando o céu), simbolizam a incessante proteção dos ensinamentos espirituais pelas divindades guardiãs vermelhas e negras, com as quais o Tibete tem uma ligação há muito.

.No topo da montanha nevosa, brilha o sol, raiando em todas as direções, simbolizando isto, o gozo da liberdade por todos, riqueza espiritual e material, e a prosperidade de todos os seres na terra Tibetana.

.No sopé da montanha, permanecem dois leões da neve, respresentativos dos feitos vitoriosos do país de unificar uma vida espiritual e secular.

.As três jóias coloridas elevadas pelos leões, representam a reverência guardada pelos Tibetanos às Três Jóias Supremas (Buda, Dharma e Sangha).

.As duas jóias coloridas seguradas em baixo pelos leões, significam a consideração e estima pela auto-disciplina do comportamento ético correto, principalmente representadas pela prática das dez virtudes exaltadas e dos dezesseis modos de conduta.

.A borda amarela em torno do perímetro da bandeira, simboliza a anunciação e o florescimento em todas as direções e tempos dos ensinamentos de ouro de Buda.

.E ainda, a extremidade da bandeira sem a borda amarela representa a abertura do Tibete a outros credos religiosos.

PRÓLOGO

Por Sua Santidade o Dalai Lama

A compreensão do verdadeiro significado da vida, a aceitação da morte, a maneira de ajudar os que estão morrendo e os mortos: eis os temas estudados neste oportuno livro de Sogyal Rinpoche.

A morte é parte natural da vida, que todos nós com certeza teremos de enfrentar um dia. Para mim, há dois modos de abordar a questão enquanto estamos vivos. Podemos escolher entre ignorar o então olhar de frente para a perspectiva da nossa própria morte e, pensando claramente nela, tentar minimizar o sofrimento que traz. Entretanto, em nenhum desses casos podemos de fato vencê-la.

Como budista, vejo a morte como um processo normal, uma realidade que aceito irá ocorrer ao fim da minha existência terrena. Não vejo sentido em me preocupar com ela, uma vez que dela não posso escapar. Tendo a pensar na morte como uma troca de roupa — uma roupa que envelheceu e já não presta — mais do que como um fim absoluto. No entanto, a morte é imprevisível: não sabemos como ou quando ela terá lugar. Assim, é apenas sensato tomar certas precauções antes que ela ocorra.

Naturalmente, a maioria de nós gostaria de morrer de maneira tranqüila, mas também é claro que não podemos esperar morrer tranquilamente se nossas vidas foram cheias de violência, ou nossas mentes foram quase sempre agitadas por emoções como ódio, apego ou medo. Assim se queremos morrer bem, devemos aprender a viver bem: se esperamos morrer em paz, devemos cultivar a paz em nossa mente e modo de vida.

Como você lerá aqui, do ponto de vista do budismo, a verdadeira experiência da morte é muito importante. Embora como e onde vamos renascer sejam condições que, em geral, dependam de forças cármicas, nosso estado de espírito  no momento da morte pode influir na qualidade do nosso próximo renascimento. Desse modo, no instante da morte, apesar da grande diversidade de carma que acumulamos, se fizermos um esforço especial para produzir um estado mental virtuoso, poderemos fortalecer e ativar um carma também virtuoso, e assim propiciar um renascimento feliz.

O momento em que a morte acontece é também aquele em que as experiências mais profundas e benéficas podem emergir. Familiarizando-se como o processo da morte repetidamente na meditação, um meditador consumado pode usar sua morte real para obter uma grande realização espiritual. Por isso, alguns praticantes muito experientes fazem práticas meditativas enquanto morrem. Uma indicação do seu desenvolvimento é o fato de que, com freqüência, seus corpos não começam a se corromper senão muito depois de terem sido considerados clinicamente mortos.

Não menos significativa do que a preparação da nossa própria morte á a ajuda que podemos dar à morte dos outros. Como recém-nascidos, cada um de nós veio indefeso, e sem o cuidado e a bondade que recebemos não teríamos sobrevivido. Uma vez que os que morrem também não podem socorrer a si próprios, devemos aliviá-los do desconforto e da ansiedade assistindo-os o quanto pudermos, para que morram com serenidade.

A questão mais importante, no caso, consiste em evitar que a mente da pessoa que está morrendo fique mais perturbada do que possivelmente já era. Nossa principal meta é ajudar aquele que morre a acalmar-se, e há muitas maneiras de conseguir fazer isso. Uma pessoa que está morrendo, e que tenha familiaridade com a prática espiritual, pode se sentir encorajada e inspirada se for lembrada desse fato, mas mesmo uma suave tranqüilização de nossa parte àquele que está fazendo sua passagem pode promover a paz e uma disposição descontraída em sua mente.

A morte e o morrer estabelecem um ponto de encontro entre o budismo tibetano e as tradições científicas modernas. Acredito que ambos tenham muitas contribuições a fazer um ao outro, no que diz respeito a conhecimento e benefícios práticos. Sogyal Rinpoche é especialmente dotado para facilitar esse encontro; tendo nascido e crescido dentro da tradição tibetana, recebeu instrução de alguns dos nossos maiores lamas. Tendo sido beneficiado igualmente por uma educação moderna, vivido e trabalhado no Ocidente por muitos anos como professor, ele se tornou íntimo conhecedor do pensamento ocidental.

Este livro oferece aos seus leitores não apenas uma soma de conhecimentos teóricos sobre a morte e o morrer, mas também medidas práticas para aumentar a compreensão e preparar um caminho de calma e plenitude para si mesmo e para os outros.

2 de junho de 1992

Assinatura_Dalai_Lama

30 março, 2010 às 02:01

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Categoria: Artigos

Comentários (5)

 

  1. Que linda, a bandeira do Tibete! E que sábias, as palavras do Dalai Lama!
    Obrigada, Cláudio Mafra
    Carlota Valdéz – São Paulo SP

  2. Fantástica! Isto não é apenas uma bandeira, mas um campo de forças magnético-espiritual. A propósito, e com a devida permissão do blog manager, gostaria de indicar aos seus leitores um livro também fantástico: “Místicos e Magos do Tibet” (1929), de Alexandra David-Neel. Ela viveu na Índia, China, Japão, Coréia e sobretudo no Tibete, que percorreu quase todo a pé, em princípios do século XX. Não sei se esse livro já foi traduzido para o português (editores, acordai!), o meu exemplar é o #1404 da Colección Austral – ESPASA-CALPE S.A., talvez a série de bolso mais popular da Espanha.
    Cláudio Mafra, não posso resistir à tentação de transcrever abaixo uma das narrativas que compõem o livro de Alexandra – escolhida a dedo para vc, seus leitores e todos os que amam e admiram esse país sem fronteiras que era o Tibete, agora acossado pela tirania Han.

    Parabéns ao seu blog,
    LILIANA MONTEIRO – Porto Alegre RS

    LA VUELTA DEL MAESTRO

    Desde sus primeros años, Migyur – tal era su nombre – había sentido QUE NO ESTABA DONDE TENÍA QUE ESTAR. Se sentía forastero en su família, forastero en su pueblo. Al soñar, veía paisajes que no son de Ngari: soledades de arena, tiendas circulares de fieltro, un monasterio en una montaña; en la vigilia, estas mismas imágenes velaban o empañaban la realidad.
    A los 19 años huyó, ávido de encontrar la realidad que correspondía a esas formas. Fue vagabundo, pordiosero, trabajador, a veces ladrón. Hoy llegó a esta posada, cerca de la frontera.
    Vio la casa, la fatigada caravana mongólica, los camellos en el patio. Atravesó el portón y se encontró frente al anciano monje que comandaba la caravana. Entonces se reconocieron: el joven vagabundo se vió a si mismo como un anciano lama y vio al monje como era hace muchos años, cuando fue su discípulo; el monje reconoció en el muchacho a su viejo maestro, ya desaparecido. Recordaron la peregrinación que habían hecho a los santuarios del Tibet, el regreso al monasterio de la montaña. Hablaron, evocaron al pasado; se interrumpían para intercalar detalles precisos.
    El propósito del viaje de los mongoles era buscar un nuevo jefe para su convento. Hacía veinte años que había muerto el antiguo y que en vano esperaban su reencarnación. Hoy lo habían encontrado.
    Al amanecer, la caravana emprendió su lento regreso. Migyur regresaba a las soledades de arena, a las tiendas circulares y al monasterio de su reencarnación anterior.

  3. Cláudio Mafra, por favor! Venhamos e convenhamos! A BESTA DO SIDINEI é um agente do Edir! Controle de qualidade, please. Se não, daqui a pouco vc vai ter que aturar a bancada evangélica dentro do teu quintal. Veja que o cara escolheu logo a página onde havia a belíssima narração deixada pela Liliana, além de dois comentários alto-astrais, para fazer proselitismo barato, escatologia de pacotilha. Se eu topar com comentários desse cretino de sacristia dentro dos próximos três dias, vou dar uma volta pelo éter antes de acessar teu blog novamente.
    ZÉ EDUARDO / BH

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