O isolamento dos militares e a ditadura petista; Explicando a paralização do governo americano e o papel de Obama (Bernardo Santoro)

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a esperança é a última que morre: cotucando a onça com a vara curta

Numa democracia, a medida que um partido fica muito tempo no governo o natural é o aumento de chances da oposição – a alternância no poder. Conosco está acontecendo o contrário, já que inúmeras medidas do governo estão nos levando para uma ditadura “constitucional”. Temos um rolo compressor do PT que vai tomando conta de todo o funcionalismo público, com importantíssima ênfase no Supremo Tribunal Federal. Ao mesmo tempo criaram-se mecanismos grosseiros de suborno dos votos dos mais pobres, e uma corrupção desvairada, os quais, somados, tem se mostrado suficiente para a perpetuação deste partido no poder.

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O Brasil não está sozinho neste drama. Ele é comum a outros países da America Latina. A facilidade com que a esquerda está conseguindo destruir as instituições democráticas no continente está conectada à imensa preocupação dos Estados Unidos com o surgimento do terrorismo logo no início do governo Bush. Acrescente-se o declínio político americano, culpa exclusiva de Obama.  (Nem se pense em declínio militar, o país está mais forte do que nunca, ao contrário do que os mentirosos liberais americanos apregoam.)

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Com Obama o PT ficou definitivamente livre da presença dos Estados Unidos. Isto nunca havia acontecido. Nós, que não suportamos os petistas, estamos nos descobrindo completamente sozinhos. Não tínhamos idéia do valor dos Estados Unidos quando ainda mantinham um veto ao comunismo nas Américas, mesmo depois do fim da Guerra Fria. Eles agora sumiram. Estão envolvidos até o pescoço com gravíssimos problemas que afetam diretamente sua segurança interna.Na ausência do gato, folga o rato. Pressões políticas americanas com veladas ameaças de sanções econômicas são coisa do passado. Chavez, Zelaya, Lula, Cristina, um monte de bufões, fizeram Obama de palhaço. Isso trouxe uma desenvoltura, uma garra, uma vontade de vencer que antes era inibida  O resultado foi imediato: começaram os planos de se perpetuarem no poder. Interessante o que aconteceu por estes dias: o governo brasileiro, no bom estilo soviético, exigiu explicações, satisfações a respeito da espionagem americana. Dilma, aproveitando a insegurança do patético Obama, chegou ao ponto de cancelar sua visita a Washington. A dona fêz história, sem a menor dúvida. 

 

Desastres econômicos são raros e sem um deles o PT vai continuar ganhando as eleições. Não aguento mais ler artigos malhando a oposição. Deixa prá lá. Todo o tucanato paulista é de esquerda, um monte de caipiras. Fernando Henrique, esse chato pomposo, um sujeito que não consegue nem falar, e muito menos escrever sem cometer erros ridículos, é um dos grandes culpados pela vitoriosa escalada petista. Vamos deixar que os profissionais dos grandes jornais e da tv continuem acompanhando a dispnéia pré-agônica dessa turma.

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Será que nem por curiosidade podemos saber como é que o milicos aguentam tanto desaforo dos seus históricos inimigos?  Por que não temos nenhum texto técnico de algum cientista político a esse respeito ? Essa atitude de ignorá-los, pensando que assim somos democratas de carteirinha, é estranhíssima. Como podem estar alijados da vida institucional brasileira se deram tantos golpes de estado e exerceram tanta pressão política ? E qual é a consequência de nos curvamos à patrulha ideológica esquerdista ? A exclusão os coloca para baixo, no sentido psíquico, a exclusão é desanimadora, sentem-se isolados. Desta forma estamos proporcionando grande alegria ao PT.

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O general Figueiredo deu um berro de frustração e raiva quando disse que saber matemática também o colocava (colocava os militares) como um intelectual. Os milicos sempre tiveram os intelectuais contra eles, e por uma ironia do destino achavam que ser intelectual significava inteligência e sabedoria. Nos velhos tempos foi dito que um intelectual é ” um homem com uns óculos no nariz e o inverno no coração”. Hoje temos as lentes de contato, e o inverno no coração foi substituído pela arrogância. Não há motivo para o enorme respeito pelos altamente escolarizados, principalmente com respeito aos de Ciências Humanas. O professor de Harvard, responsavel pela criação do politicamente correto, o liberal por excelência, o relativista, está destruindo o pouco bom senso que existe no mundo.  

 

 

Qual é a intenção dessa enxurrada de artigos que circula entre nós e entre a rede social, em geral? Apenas desabafos ? É o que a linguagem usada sugere. Mas, por acaso não estaríamos tentando entender melhor as nossas dificuldades para então derrotar o petismo? Talvez, mas não podemos excluir “a masturbação coletiva”, se me desculpam o termo. Resta a necessidade de se expressar escrevendo (diferente do desabafo), o exprimir-se com a necessidade do reconhecimento.

 

 

Os militares precisam da nossa ajuda para conseguir abandonar a síndrome da impopularidade que adquiriram a partir do governo Médici. As pesquisas de opinião, que pela segunda vez os colocam como a instituição mais confiavel para o povo brasileiro, pelo visto não os deixaram entusiasmados. Este é o tamanho do trauma. É preciso entender que o PT vai ficar nervoso, nervosíssimo, a medida em que os artigos, os textos, começarem a se referir – nem que seja por mera falta de assunto – ao que devem estar pensando os militares vendo seus inimigos no poder. Os petistas já deram provas de que recuam, tem medo, testam os limites do desafio que podem fazer aos milicos. Blogueiros e articulistas que passam o dia ridicularizando, odiando, e praguejando contra o o PT, já deveriam ter percebido que eles são admiravelmente imunes aos insultos. A insistência metódica, diária, no ineficaz, chega a ser suspeita. Parece que foi criada a indústria do anti-petismo.

O que o partido teme é o apelo popular aos militares, que pode e deve começar pela verdadeira elite intelectual do país. Tão dificil assim de entender ?

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Tenho até o título para um artigo que deveria ser escrito por alguém talentoso: “Batendo continência para uma terrorista”. Nada demais, aconteceu em vários países, inclusive na Àfrica do Sul. Fica minha amavel sugestão para o corajoso Merval.

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Mas, para aqueles que detestam o PT e ao mesmo tempo detestam os militares, porque não pensar em usar os milicos como massa de manobra ? O tempo está passando. O PT tem tudo nas mãos, inclusive os instrumentos legais, para tornar bolivarianas as Forças Armadas. Isto sem falar no perigo da corrupção entre os altos escalões quando começarmos a comprar bilhões e bilhões de dólares em armamentos. Corrompido os generais fica tudo muito facil para o petismo.

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Por falar nisto, outro dia conversei com um general. Sem novidades. Ele disse que os militares só vão se mexer se tiverem certeza de um significativo apoio popular. Garantiu que nos colégios militares, e em Agulhas Negras, o ensino de História continua o mesmo, sem interferência da corja que nos governa. O PT  não teve coragem de colocar em execução a Portaria 1.874-A .

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 Fabio Motta/Estadão
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Foto que mostra a violência inacreditavel da polícia militar. Não se conhece o destino da tímida  e fragil senhora apanhada de surpresa pela horda de bárbaros

 

 

 

Explicando a paralisação do governo americano e o papel de Obama

Posted on01/10/2013 by Bernardo Santoro
BERNARDO SANTORO*

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A grande notícia dessa terça-feira é a paralisação do governo americano pela falta de aprovação do orçamento público. A grande luta política está sendo travada em torno do programa apelidado de Obamacare (Affordable Care Act), que é o aprofundamento de uma política intervencionista no mercado de planos de saúde.

A Câmara dos Deputados americana, de maioria republicana (conservadores, liberais clássicos e libertários) aprovou um orçamento federal restringindo recursos para o Obamacare, e por conta disso, o Senado, de maioria democrata (social-liberais, social-democratas e socialistas), se negou a provar o orçamento na sua totalidade.

Esse é o fato. Agora vamos aprofundar a discussão.

O primeiro grande problema tem fundo institucional. O direito financeiro brasileiro, por exemplo, costuma ter uma regra que autoriza o governo a utilizar o valor de 1/12 do orçamento anual anterior, por mês, enquanto o novo orçamento não fica pronto, o que possibilita uma maior discussão sobre as prioridades do governo sem engessar o país. Tal regra, nos EUA, é mais rígida, e a receita autorizada sem orçamento fica adstrita ao minimamente essencial, como as forças armadas, por exemplo.

Talvez fosse o caso dos EUA repensarem essa situação para deixar o orçamento um pouco mais flexível nessa situação extrema.

Uma segunda questão, também de âmbito institucional, tem a ver com a natureza da democracia. A democracia foi pensada, como bem explica Montesquieu, para tentar diluir ao máximo o poder político no maior número possível de pessoas, de forma a não se ter uma tirania.

Dentro dessa ideia, o poder executivo deve executar as leis e o poder legislativo deve elaborar as leis. Aprovar a lei orçamentária é um papel fundamental do poder legislativo, caso contrário o chefe de governo poderia sair arrecadando o dinheiro que quisesse  e gastando como bem entendesse, o que é, na prática, um despotismo.

Isto posto, o Congresso Americano está cumprindo o papel constitucional e filosófico que lhe cabe numa democracia, e ninguém deve ser mal visto por fazer seu trabalho quando tal trabalho está dentro de uma conformidade ético-jurídica, e ainda mais quando se trata de uma função essencial para o bom funcionamento de uma sociedade sadia.

Agora vamos falar do impasse político em si.

O Obamacare é um programa que busca intervir tanto politica quanto economicamente no mercado de planos de saúde americano. Do ponto de vista da intervenção política ele é um desastre, pois destrói qualquer chance do operador de plano de saúde fazer um cálculo atuarial minimamente razoável.

Apenas à guisa de exemplo, o Obamacare obriga os planos de saúde a aceitarem  pessoas já com doenças pré-existentes, além de obrigar a cobrar a mesma mensalidade de pessoas não importando suas condições pré-existentes. Essa intervenção é tão grosseira que nem mesmo a ANS, agência reguladora de planos de saúde no Brasil, que já é extremamente invasiva, obriga a esse tipo de coisa.

Além disso, cria um rol de coberturas obrigatórias que acaba com a flexibilização contratual e a liberdade de negociação entre consumidores e planos. Aqui no Brasil, o rol da ANS transformou os planos de saúde em um grande sistema cartelizado, pois impediu a entrada de novos concorrentes, e acabou por baixar a qualidade de todos os  serviços prestados, já que os planos passaram a tomar seus clientes como garantidos.

Todos esses atos aumentaram enormemente os custos dos planos de saúde, e isso que o Obamacare, no fundo, é: um grande financiador de conglomerados de planos de saúde. Como, pelas novas leis criadas pelo governo, é impossível se manter um plano de saúde, uma rede hospitalar ou qualquer outro serviço de saúde de massa, o governo compensa seu autoritarismo entregando recursos públicos para as empresas operadoras, sempre com o discurso bom moço de “dar serviço de saúde” para os pobres.

Enquanto isso, assim como no Brasil, o mercado acadêmico de medicina é totalmente controlado pela guilda médica e a burocracia para se abrir um negócio de saúde é extremamente pesada. Remover esses entraves é o que realmente garantiria serviços médicos de qualidade para os pobres, mas isso não interessa para os donos da medicina americana, que preferem mercados fechados e subsídios governamentais, sempre patrocinados por Obama e o Partido Democrata.

Os republicanos, após perderem na legislatura passada e verem o Obamacare ser aprovado, viram agora, com mais força política, a possibilidade de reverter o quadro, e na discussão orçamentária restringiram os fundos para essa vergonhosa situação.

Não custa lembrar que a saúde já é hoje a maior fonte de gastos de um governo americano que está falido e lutando, todo ano, para aumentar o limite da sua dívida, se alavancando de maneira constante. É dever moral de todo congressista minimamente lúcido lutar contra isso.

E agora vem a grande cartada política de Obama. Após a aprovação do orçamento na Câmara, os senadores, liderados pelo democrata Harry Reid, passaram a obstruir a aprovação do orçamento, argumentando que somente o aprovariam se os fundos para a saúde estivessem completamente restabelecidos e nem um centavo a menos.

Vou destacar essa parte. A Câmara, de maioria republicana, aprovou um orçamento. O Senado, de maioria democrata, o rechaçou e condicionou sua aprovação ao restabelecimento completo dos fundos de saúde. Portanto, todos os problemas foram causados pelos democratas, e não pelos republicanos.

Todavia, a imprensa brasileira retrata que o problema seria uma obstrução republicana. Nem se eles quisessem. O republicanos são minoria na casa em que o orçamento não está sendo aprovado.

Destaco que o movimento “Defund Obamacare” (tire os fundos do Obamacare) no Congresso, liderado pelo Sen. Ted Cruz (R-Tx), não retirou totalmente os fundos da saúde, mas apenas o manteve nos níveis anteriores. E é de Obama que vem a total recusa de negociação, pois deputados foram ao Senado ontem tentar negociar uma solução, não tendo sido recebidos.

Obama, com o apagão do governo causado pelo seu próprio partido, agora está chantageando (na falta de palavra melhor) todo o Congresso a aprovar o orçamento que ele quer, em total desrespeito às regras democráticas a partir de um esquema de desinformação ao povo americano. Ao se dirigir ontem ao povo americano, Obama disse que o “Congresso” não cumpriu sem papel, se esquecendo, convenientemente, de dizer que a parte do Congresso que não cumpriu esse papel foi a parte que lhe é leal.

E, o que é mais estranho, exortou o exército americano a pressionar o Congresso a aprovar sua versão do orçamento. O que ele quer dizer com isso? Quando foi que os EUA viraram uma República das Bananas, onde militares ameaçam o governo constituído e o estatismo é a regra?

Portanto, que fique bem claro, Obama desligou o governo americano, prejudicando milhões de pessoas, para fins de pressão política e com o claro objetivo de tomar para si o poder de decidir como o orçamento público americano deve ser elaborado, em uma estranha movimentação autocrata que não coaduna com os valores americanos, seja na forma da intervenção, seja no conteúdo da lei de saúde em questão.

E os EUA vão caindo moral e economicamente a olhos vistos.

 

2 outubro, 2013 às 13:24

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Categoria: Artigos

Comentários (2)

 

  1. Marco Balbi disse:

    Gostei. Estou compartilhando no face e repassando via email aos correspondentes!

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