O maior sniper de toda a história americana ( entrevista com o “Seal” considerado o maior “atirador-certeiro” dos EUA)

Nota do blog: Antes do artigo (entrevista) de hoje, gostaria de mais uma consideração sobre o que publiquei ontem. Eu disse que os articulistas se preocupam muito pouco com o comportamento de outros exércitos, mas quando se trata da tropa americana a indignação por algum ato contrário aos estabelecidos pela convenção de Genebra ( e pelos próprios Estados Unidos) é hipócrita e escandalosa. Lembrei-me que já contei, em algum lugar no blog, o que aconteceu quando os russos invadiram Berlim, durante a 2a. Guerra Mundial *. O estupro foi ignorado pelos comandantes, marechais Zhukov e Chuikov, e pelo próprio Stalin, que fez piada a respeito do crime**. De noite procedia-se a caçada das berlinenses. Um pesadelo que os comunistas trataram de fazer com que caisse imediatamente no esquecimento. Bem, na parte da Alemanha ocupada pelas tropas bárbaras foram 2.500 milhões de estupros, com 10 mil suicídios, 150 mil mulheres infectadas e milhares sendo abandonadas pelos maridos. A fonte de onde consegui os números é o livro ” A Batalha de Berlim” do renomado historiador Antony Beevor, mas o fato é muito conhecido. ENQUANTO ISSO, no lado americano, os raríssimos casos de estupro foram levados para a corte marcial e os soldados fuzilados.

* A invasão se deu com 3 milhões de homens, precedida por um fogo de barragem de 20 minutos, considerado o maior estrondo da história da humanidade

** ” Os nossos rapazes deram muita alegria para as velhotas alemãs”

 

Entrevista traduzida da FOX NEWS, programa de Bill O’Reilly, THE FACTOR, o de maior audiência de toda a tv americana nos últimos 10 anos no segmento de noticiário. 

BILL O’REILLY, ANFITRIÃO: No segmento “História pessoal” desta noite, o comandante Chris Kyle, um SEAL* da marinha americana é, oficialmente, o mais letal atirador de elite na história do exército americano. O comandante está lançando um livro novinho em folha chamado “American sniper”, que registra sua surpreendente historia no Iraque. Eu falei com ele a noite passada.
* Sea, Air, and Land Teams da Marinha dos Estados Unidos – comandos, tropa de elite (N. do T.)

(INICIO DO VIDEOTAPE)

O’REILLY: Então, comandante, eu li seu livro. Muito divertido. Eu o recomendei para a minha audiência. Acho que vão gostar dele. Primeiramente, você disse que derrubou Jesse Ventura no chão com um soco. Agora você não menciona o seu nome, mas todo mundo sabe quem ele é. Número 1, o que aconteceu?  Você nocauteou ele? nota do blog: Jesse Ventura, ex-governador de Minnesota, é um louco, o rei das teorias de conspiração. Frequentemente toma posições anti-americanas.

CHRIS KYLE, EX-ATIRADOR DE ELITE DA MARINHA: Bem, eu o nocauteei.

O’REILLY:  Porque? Porque você faria isso com Ventura?

KYLE: Foi em 2006. Foi no ano que perdemos nossos dois primeiros SEALs no Iraque. Voltamos para casa. Perdemos nosso último cara justamente antes de voltar para casa. Tivemos o funeral num bar SEAL lá no Colorado, e ele estava lá. Ele estava lá para um discurso numa cerimônia inicial de graduação.

O’REILLY: Por que ele era um SEAL, não é?

KYLE: Sim.

O’REILLY: Ele era um SEAL da marinha. Então, ele estava falando mal da guerra, é isso?

KYLE: Falando mal da guerra, falando mal do Bush. Falando mal da America.

O’REILLY: E você se ofendeu?

KYLE: Eu realmente achei isso um problema. A família estava lá. Eu pedi a ele que, por favor,  diminuísse o tom, que nós não queríamos aborrecer os membros da família de Michael Mansoor.

O’REILLY: O que foi morto?

KYLE: Sim, senhor. E ele ganhou a Medalha de Ouro. Ele pulou numa granada e salvou todo mundo que estava lá.

O’REILLY: Mas, eu quero ser claro. Ventura não estava atacando ele afinal, criticando ele verbalmente.  Ele não estava apenas criticando a coisa como um todo, no geral?

KYLE: Sim, senhor. Até que ele disse que nós merecemos perder uns poucos caras.

O’REILLY: Ele disse que nos merecemos perder – nós, os Estados Unidos …

KYLE: Não, ele disse, “Vocês, vocês todos merecem perder uns poucos caras.”

O’REILLY: Os SEALs da marinha?

KYLE: Estou assumindo que ele estava dizendo aquilo para mim.

O’REILLY: Ele não estava bêbado?

KYLE: Não, senhor. Eu nunca o vi com uma bebida na mão, de jeito nenhum.

O’REILLY: Então, logo que ele disse, “Vocês merecem perder alguns caras”, você o apagou?

KYLE: Sim, senhor.

O’REILLY: Ele revidou?

KYLE: Ele caiu, os tiras estavam lá. Eu escapei correndo.

O’REILLY: Você correu?

KYLE: Sim, senhor.

O’REILLY: Eles te prenderam?

KYLE: Não senhor. Eu tenho um chefe, meu superior, que sempre dizia, bata e corra.

O’REILLY: Agora se eu te fizer uma pergunta difícil, você vai me bater esta noite?

KYLE: Não.

O’REILLY: Ok. Certo. Agora, outra coisa no livro é que lhe são creditadas 150 mortes certificadas, o que significa que você, como atirador de elite, tirou a vida de 150 caras e alguém viu isso, testemunhou isso. Assim, você é o mais letal atirador de elite na história dos Estados Unidos, e você tem as medalhas que provam isso. Cinco Estrelas de Bronze, duas Estrelas de Prata e tudo aquilo. O que me choca, no entanto, é que você considerava essas pessoas que você estava matando, os iraquianos que você estava matando, abre aspas, fecha aspas, “selvagens”.

KYLE: As pessoas que eu estava matando. Não apenas  iraquianos.

O’REILLY: Porque você considerava os inimigos uns selvagens?

KYLE: Por causa das ações deles. A maneira como eles viviam o dia-a-dia, pela violência que eles cometiam contra soldados americanos, as decapitações, os estupros de pessoas inocentes em vilas e cidades onde eles entram apenas para intimidar. Eles vivem metendo medo no coração das outras pessoas, e pessoas civilizadas não agem dessa forma.

O’REILLY: Você era tão eficaz no Iraque que eles ofereceram vinte mil dólares pela sua cabeça. Se algum deles tivesse te matado, eles pagariam vinte mil dólares a essa pessoa. Você acredita que eles te consideravam um selvagem?

KYLE: Estou certo que eles me consideravam. Honestamente, eu não sei, e eu realmente não me importo.

O’REILLY: Então você estava comprometido em matar essas pessoas por que você, em seu coração, acreditava que elas mereceriam morrer?

KYLE: Eu não estava assim tão comprometido a matá-las como eu estava – tinha um compromisso de  assegurar que todos os membros que estavam lá a serviço, americanos ou aliados, voltassem para casa.

O’REILLY: Mas como um atirador, seu trabalho é matá-las, não feri-las, não prende-las. Você tem que ter uma certa mentalidade para ser um atirador. Vocês as esta matando.

KYLE: Eu as estou matando para proteger meus companheiros americanos.

O’REILLY: E você gostava disso? Você gostava do trabalho. No livro – você sabe, a sua mulher não queria que você fizesse isso. Ela queria que você ficasse em casa. Você voltou, quantas vezes você voltou?

KYLE: Quatro vezes.

O’REILLY: Quatro vezes. Você gostava de matar esses caras. Você nunca pensou nisso?

KYLE: Bem, quer dizer, não é problema apagar alguém que quer ver os seus companheiros mortos. Afinal, isto não é um problema.

O’REILLY: Você nunca, olhando para trás agora, nunca tem remorsos e tudo mais sobre qualquer coisa que você tenha feito?

KYLE: Sim, eu tenho. Pelas pessoas que eu não pude salvar.

O’REILLY: Os americanos que você não pode salvar, ou as forças aliadas?

KYLE: Os americanos, os iraquianos locais, qualquer um que eu vi sofrendo violência e que eu não pude salvar.

O’REILLY: Este é o seu remorso?

KYLE: Sim, senhor.

O’REILLY: Você não teve estresse pós-traumático ou qualquer coisa assim, por ter matado tantos seres humanos? Isto não te persegue?

KYLE: Nenhum de meus problemas vem das pessoas que eu matei.

O’REILLY: Isso é muito fascinante. E é por isso que eu quero que as pessoas leiam o seu livro, por que se elas lerem, se lerem o seu livro comandante, “American Sniper”, elas vão entender o que é de verdade uma guerra. Por que eu penso que muitos de nós não entendemos do que realmente se trata uma guerra.

KYLE: Eu quero dizer que guerra é o inferno. É definitivamente – Hollywood fantasia sobre isso e faz com que isso pareça legal. É – a guerra é muito desagradável.

O’REILLY: Mas eles precisam de rapazes como você para ganhar.

KYLE: Definitivamente, você tem que se convencer e não pensar neles como seres humanos. Você tem que vê-los como – é por isso que eu usei o termo ‘selvagens’.

O’REILLY: Selvagens.

KYLE: Com certeza.

O’REILLY: Certo. Tudo bem, comandante. Muito obrigado. Agradecemos a sua presença aqui.

KYLE: Obrigado por me convidar.

 

Tradução: Célia Savietto Barbosa

17 janeiro, 2012 às 00:02

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Categoria: Artigos

Comentários (1)

 

  1. BRUNO SANTOS disse:

    GOSTARIA DE DAR OS MEUS PARABENS PARA UM GRANDE ATIRADOR SEI QUE É DIFÍCIL ALGUÉM ENTENDER O OFICIL DE UM PROFISSIONAL COMO ELE, MAS NA GUERRA É PRECISO SER FORTE.

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