Obama destroi a superioridade americana no espaço sideral – (excepcional e melancólico artigo, Adeus “Nova Fronteira”, de Charles Krauthammer no Washington Post)

nota do blog:  Leiam e pasmem.  Obama, esse supremo expoente do Liberal americano que assumiu a presidência dos Estados Unidos, está acabando inclusive com os sonhos dos ocidentais.  Não veremos mais gente parecida conosco no espaço. Veremos zumbis.

Em paralelo ao tema, clicar em cima do título do meu artigo:  “Os astronautas e a crença em Deus” 

 

Adeus, “Nova Fronteira”*

* “The New Frontier”: programa de política interna do democrata J. F. Kennedy.

Enquanto o ônibus espacial Discovery voava três vezes em torno de Washington, uma saudação final antes de aterrissar no aeroporto de Dulles para sua aposentadoria em um museu, milhares de pessoas em terra olhavam fixamente com admiração e orgulho. Mas o que eles estavam testemunhando, com todo a sua elegância, era uma marcha funeral.

O ônibus espacial estava sendo transportado – carregando seu caixão, um Boeing 747 – porque ele não pode voar, nem voará novamente. Ele estava sendo levado para sua sepultura. Acima da terra, para ser exato. Mas tão seguramente embalsamado como Lênin na Praça Vermelha.

Uma prova‘cruel e incomum’

Há símbolo melhor para o desejado declínio americano? O que dá pena não é a aposentadoria do Discovery – mesmo bonito como era, o ônibus mostrou-se muito caro e arriscado de operar – mas que ele tenha morrido sem um sucessor. O planejado sucessor – o programa da cápsula foguete Constellation para levar humanos de volta a órbita e de lá à Lua – foi cancelado repentinamente em 2010. E com isso, o controle de vôo espacial tripulado foi gratuitamente cedido à Rússia e à China.

A Rússia foi atraída pelo dinheiro, dobrando seu preço para colocar um astronauta em órbita para 55,8 milhões de dólares (Com retorno incluído. Obrigado, Boris).

A China foi atrás por glória. Já tendo aperfeiçoado lançamento e encontro/passagens, os chineses planejam alunissar em 2025. Eles entendem bem o valor dos símbolos. E nada poderia melhor simbolizar a China ultrapassando a America do que tomando nosso lugar na Lua, andando sobre antigas pegadas, casualmente abandonadas, por nós.

Quem se importa, vocês diriam? O que é grandeza nacional, prestígio científico ou inspiração para os jovens – legados da NASA – quando estamos em desgaste econômico? Ok. Mas se estamos falando de empregos e crescimento, ciência e tecnologia, R&D* e inovação – o que o presidente Obama insiste em dizer que são as chaves para “uma economia construída para durar” – por que afinal, cancelar um empreendimento tecnológico incomparavelmente sofisticado e unicamente americano?

*Research &Development: atividades investigativas com a intenção de fazer descobertas que levem ao desenvolvimento de novos produtos ou procedimentos.

Lamentamos o declínio da produção americana, mas paramos a produção da mais complexa máquina jamais feita pelo homem – e cancelamos o substituto destinado a nos retornar a órbita. O resultado? Abolição de milhares dos mais altamente avançados empregos aeroespaciais de qualquer lugar – sua força de trabalho abruptamente desempregada e afastando do vôo espacial, para não ser nunca reconstituído.

Bem, vocês dizem, nós não podemos arcar com todas estas despesas em tempos de déficits pesados.

Há sempre desculpas para postergar esforçados empenhos nacionais: déficits, desemprego, pobreza, o que for. Mas eles estarão sempre com a gente. Tivemos exatamente cinco orçamentos equilibrados desde que Alan Shepard conduziu o Freedom 7* em 1961. Se tivéssemos adiado a exploração espacial até que esses enigmas sociais e econômicos terrestres fossem resolvidos, nossos estudos científicos e tecnológicos de foguetes estariam aonde esta a Coréia do Norte agora.

* Primeiro projeto tripulado do programa espacial dos Estados Unidos.

Além disso, os déficits de hoje não são inevitáveis, nem mesmo estruturais. Eles são em parte resultados do pânico e da recessão financeira de 2008. Agora, já passaram. O resto é o resultado de uma enorme expansão dos gastos federais, em três anos.

Mas não há razão para o governo federal ter que continuar gastando 24% do Produto Interno Bruto. A histórica média pós-guerra esta exatamente acima de 20% – e aqueles orçamentos sustentaram um robusto programa espacial tripulado.

A NASA dirá que tem um novo programa para ir além da órbita low-Earth* e, segundo instruções do Obama, chegar a um asteroide por volta de 2020. Considerando que o Constellation não durou nem cinco anos entre nascimento e cancelamento, não tenham grandes expectativas de chegar ao asteroide.

*Low Earth orbit: órbita abaixo de uma altitude de 2000 km.

Nem com o setor privado para nos levar de volta a órbita, como Obama assume que será. Verdade, levar para cima MREs* e trazer de volta para baixo poderia ser feito por veículos particulares. Mas vôo tripulado é infinitamente mais complexo e arriscado, requerendo maciça redundância e, inevitavelmente, maiores gastos. Podem as entidades privadas realmente arcar com isso? E nas próximas uma ou duas décadas perdidas?

*Meal ready to eat: refeições instantâneas.

Neil Armstrong, James Lovell e Gene Cernan estão profundamente céticos. “Transporte comercial para a órbita”, eles escreveram numa carta aberta em 2010, “provavelmente vai ser substancialmente mais longo e mais caro do que esperaríamos.” Chamaram o cancelamento do Constellation por Obama de uma decisão “devastadora”, destinada a tornar nossa nação, uma nação de segunda ou mesmo terceira estatura.”

“Sem a habilidade e experiência que uma efetiva operação aeroespacial proporciona”, eles alertaram, “os Estados Unidos estão muito próximos de entrar em um profundo estado de decadência para a mediocridade”.Isso, de “a nação líder no domínio espacial por quase meio século”.

Por isso, as visitas ao museu para ver o embalsamado Discovery serão tristes sem dúvida. A America raramente se retira de uma nova fronteira. Mas hoje, nos não podemos nem fazer o que John Glenn fez em 1962, sem falar voar num ônibus espacial de 1980.

No mínimo, o Discovery não sofrerá o destino do Temeraire, o navio de guerra britânico ternamente representado no famoso quadro de Turner “The Fighting Temeraire rebocado para o seu último ancoradouro para ser desmontado, 1838”. Muito bonito para ser sucata, o Discovery ficará intacto, uma magnífica e melancólica censura para horizontes contraídos.

Tradução:Célia Savietto Barbosa

 

24 abril, 2012 às 11:26

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Categoria: Artigos

Comentários (2)

 

  1. Marco Balbi disse:

    Sensacional!

    • claudiomafra disse:

      Obrigado. E Obama é o favorito. Deve ganhar com os votos dos imigrantes que nem falam inglês. Acabaram-se os USA realmente americanos.

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