Obama deu a volta por cima e voltou a ficar forte ( artigo de Charles Krauthammer para o Washington Post)

Conduzindo os fracassados ‘sem mandato’ (nota do blog: lame ducks- patos mancos, os congressistas que perderam o mandato para a próxima legislatura), o presidente Obama ganhou há pouco, a Tríplice Coroa. Ele conseguiu:  1) a sua mais importante prioridade econômica, a aprovação do pacote econômico Stimulus II, também conhecido como a negociação do corte de impostos ( a perfeita euforia fiscal pré-reeleição –  despesa a ser paga em 2013 e posteriormente);  2) seu mais importante objetivo político social, a revogação do “não pergunte, não conte”;( nota do blog: gays nas Forças Armadas americanas deveriam ficar na moita)  e,  3) sua mais apreciada (executável) meta em política externa, a ratificação do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START) com a Rússia.

Politicamente, eles são todos sinérgicos. A natureza bipartidária da negociação dos impostos reposicionou instantaneamente Obama de volta ao centro. E logo quando  a sabedoria convencional decidiu que a negociação havia causado uma alienação irreparável da sua base liberal, Obama quase que imediatamente a ganhou de volta – conseguindo um dos avanços mais ilusórios e cobiçados do movimento pelos direitos dos homossexuais.

O simbolismo da anulação do “não pergunte, não conte” não pode ser subestimado. Não é apenas para a comunidade dos direitos civis; ela representa a tão esperada extensão do histórico arco – primeiro os negros, então as mulheres e agora os homossexuais. Obama também conseguiu superar Bill Clinton que instituiu o “não pergunte, não conte”. Ainda mais sutil e de forma que considero subestimada, a revogação representa a domesticação da mais conservadora das instituições da nação, o exército. Saiu vitorioso um movimento historicamente liderado pelos que estão mais na “vanguarda”. Quaisquer que sejam seus pontos de vista, isto é um marco cultural.

Então, veio o New START, que foi importante para Obama não somente por causa da escassez de conquistas na política externa nesses últimos dois anos, mas porque tratados, especialmente os retumbantes , os que tratam de armas estratégicas, trazem a aura da autoridade presidencial e maestria diplomática.

Não importa quão inúteis eles sejam, ou mesmo quão prejudiciais. O New START  foi significativo, embora sutilmente, danoso. O debate que ele despertou, adicionou ao tratado mais atenção do que o mesmo teria de outra maneira e, assim, deu a Obama uma extensa  vitoria em relações públicas. Mas este debate também amplificou a grande falha no tratado – o restabelecimento desnecessário do vínculo entre armamento ofensivo e defensivo.

Uma das maiores conquistas da década passada foi o corte desse vínculo pela administração Bush – primeiro, pela sua retirada do Tratado Anti-Mísseis Balísticos, entre os Estados Unidos e a Rússia, que tinha expressamente proibido maiores avanços na defesa anti-míssil, e depois com o Tratado de Moscou de 2002, que regulava as armas ofensivas mas, claramente não continha uma simples palavra sobre qualquer conexão com mísseis defensivos. Por que isso é importante? Porque a defesa anti-míssil é essencial para nos proteger dos mais ameaçadores perigos do próximo século – a hiper-proliferação nuclear.

O New START é a maior inversão desta conquista. Sem dúvida, Obama buscou tranqüilizar os críticos com sua carta ao Senado, prometendo desenvolvimento sem impedimento de nosso sistema europeu de mísseis defensivos. Mas os russos já viram esse presidente cancelar nossa esmeradamente planejada defesa anti-míssil  na Polônia  e na República Checa em resposta aos seus protestos e ameaças. É por isso que eles insistiram para que nós reconheçamos formalmente uma correlação entre ataque e defesa. Eles sabem que a ameaça russa de se retirarem do New START se os Estados Unidos construírem defesas que os desagradem, inevitavelmente vai alterar – e restringir – futuros avanços e distribuição de mísseis defensivos dos americanos.

A dificuldade de Obama em superar a objeção aos mísseis defensivos servirá para ajustar o resto de sua agenda nuclear, inclusive a entrada dos Estados Unidos no Tratado para a Proibição Completa dos Testes Nucleares* e colocar a sua última meta, que é a de total desarmamento nuclear, felizmente fora de alcance. Conservadores podem buscar consolo no fato de que sua vigorosa oposição ao New START  estará provavelmente prevenindo posteriores prejuízos quanto ao desarmamento no futuro. Mas o que eles não podem negar é o impulso político que a ratificação do tratado dá a Obama hoje, somente sete semanas após sua derrota nas eleições.

* ONU, 1996, proíbe todas as explosões nucleares em todos os ambientes tanto para fins militares como civis (N.do T.)

A grande supremacia  liberal de 2008, destinada a durar 40 anos (predisse James Carville) durou menos de dois. Mas, a grande supremacia Republicana de 2010 durou menos de dois meses. Os republicanos entrarão no 1120 Congresso com um número maior de representantes, mas não mais embalados pelo esmagador repúdio a agenda social-democrata de Obama de dois de novembro .

 “Harry Reid papou o nosso almoço”, disse o senador Lindsey Graham, lamentando a“capitulação” dos republicanos na ‘sessão dos sem mandato’. Sim, mas Obama voltou para se vingar. Sua corrente de êxitos de ‘sem mandatos’ é uma singular conquista política. Por causa disso, as batalhas épicas do 1120 Congresso começam sobre o que  parecia, há apenas um mês atrás, ser impossível  –  em condições iguais para todos.

letters@charleskrauthammer.com

3 janeiro, 2011 às 05:24

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Categoria: Artigos

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