A Guerra do professor (Charles Krauthammer ) – o presidente em seu labirinto

O presidente Obama está orgulhoso da forma como ele organizou a operação na Líbia. Um modelo de cooperação internacional: toda a papelada necessária; apoio da liga Árabe; uma resolução do Conselho de Segurança (Tudo, menos uma resolução do Congresso dos Estados Unidos, uma inconveniência mínima para um cidadão do mundo). É uma guerra como conceberia um professor de uma universidade Ivy League.

É verdade, levou 3 semanas para organizar tal feito, período durante o qual Muamar Khadafi passou de um deliquente delirante e cercado (lembrem-se daqueles jovens manifestantes que tomavam pílulas alucinógenas) perdendo apoio a cada hora que passava – ao tirano ressurgente que dominava as suas forças, marchou-os até os portões de Benghazi e teve o Diretor Nacional da Inteligência dos EUA prevendo que “o regime vai prevalecer”. nota do blog : esse é o mesmo sujeito que garantiu que não vê problema se a Irmandade Muçulmana tomar o poder no Egito. O carinha garantiu que a Irmandade não vai ser jihadista, nunca, jamais, porque: “é composta de muitas vertentes que são laicas”. Nós, os desinformados, ficamos com medo por causa de qualquer coisinha.

Mas, o que são a iniciativa e a oportunidade militares em comparação com o relatório?

Bem, vejamos como o relatório sobre o multilateralismo está se saindo.  A Liga Árabe já está mudando de posição, criticando o uso da força que ela tinha acabado de autorizar. Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe, está chocado – chocado! – ao descobrir que as pessoas estão sendo mortas por ataques aéreos das forças aliadas. Esta reação foi chamada de “enganosa” por um comentarista, aparentemente nascido ontem e que, portanto, ignora que a Liga Árabe tem sempre sido uma coleção de ditaduras cínicas, hostis , incertas nas suas lealdades que sempre estão mudando. Um grupo de torcedores de futebol Inglês (hooligans) tem mais unicidade e propósito moral. No entanto, Obama considerou um grande sucesso diplomático que a Liga se dignasse a permitir que outros lutassem e morressem para salvar árabes, sendo que 19 dos 21 Estados árabes até agora não levantaram um dedinho. E o que dizer sobre a resolução brilhante da ONU?

– Vladimir Putin da Rússia já está chamando a operação na Líbia de uma Cruzada Medieval.

–  A China pede que um cessar-fogo entre em vigor – o que debilita completamente o esforço aliado, deixando Gaddafi no poder, o seu povo à sua mercê, e um país dividido e condenado a uma guerra civil continua.

– O Brasil se juntou a China no pedido de um cessar-fogo. Isso apenas algumas horas depois do termino da visita de 2 dias do Obama ao Brasil. Outro triunfo pessoal da diplomacia presidencial. nota do blog: Êta Dilma! De vez em quando a dona fica do lado certo e parece que vai romper com a política exterior acafajestada de Lula. Logo depois embarca na vida. Essa mulher, de uma ignorância sesquipedal, está enganando os nossos articulistas. Todos muito animadinhos com seu governo, enxergando o que desejam enxergar e começando a trilhar o caminho do ridículo.

E a OTAN? Vejamos. A partir desse relatório, a Inglaterra queria que a operação fosse conduzida pela OTAN. França discordou inflexivelmente, alegando sensibilidades árabes. A Alemanha não queria participar de nada, depois de haver colocado quatro dos seus navios sob comando da OTAN. A Itália deu a entender que pode negar aos aliados a utilização de suas bases aéreas se a OTAN não agir em conjunto. França e Alemanha saíram do meio da reunião na segunda, enquanto a Noruega, que tinha aviões em Creta prontos para entrar em ação, se recusou a fazê-los voar até que soubesse quem está executando essa operação. E a Turquia, cujo primeiro ministro aceitou orgulhosamente o Premio Gaddafi Internacional dos Direitos Humanos, há quatro meses, tem sido, desde o início, particularmente resistente à operação na Líbia.

Quanto aos Estados Unidos, quem sabe o que realmente é a política americana. Oficiais Administrativos insistem que não estamos tentando derrubar o Gaddafi, mesmo que o Presidente insiste que ele precisa ir embora. Ainda na terça-feira Obama acrescentou “a não ser que ele mude sua abordagem.” Abordagem,  se vocês acreditam.

De qualquer forma, para Obama, objetivos militares estão sempre em segundo plano às aparições diplomáticas. O presidente está obcecado em fazer de conta que não estamos executando a operação – uma expressão apavorante da visão de Obama de que seu país é tão manchada por seus diversos pecados que carece de legitimidade moral…  para o quê? Salvar as pessoas do Terceiro Mundo de um massacre?

Obama parece igualmente obcecado em entregar o papel principal. Entregar a quem? A OTAN? Com o problema da resistência turca (veja acima), a OTAN ainda não pode concordar em assumir o comando da campanha de ataques aéreos, que é o que tem mantido os rebeldes da Líbia vivos. nota do blog: finalmente assumiu o comando, mas a situação continua confusa.

Esta confusão é puramente o resultado da decisão de Obama de levar a América para a guerra e logo em seguida abandonar o comando americano. Nunca modesto sobre si mesmo, Obama é extremamente modesto sobre seu país. América deve ser apenas “um dos parceiros, entre muitos”, disse segunda-feira. Para ele, não existe primus inter pares. Até a administração de Clinton falava dos Estados Unidos como uma nação indispensável. E continua desta forma. No entanto, num momento em que o mundo está faminto para que os Estados Unidos liderem – ninguém tem nada perto da nossa capacidade, experiência e recursos – os Estados Unidos são liderados por um homem determinado a que isso não pode ser feito.

Um homem que se arrepia sobre pergaminho. Um homem que começa uma guerra da qual ele quer sair imediatamente. Santo Deus! Se você vai conquistar Viena, conquiste Viena. Se você não estiver preparado para fazer isso, melhor então é ficar em casa sem fazer nada.

TRADUÇÃO: Andréa Borges

27 março, 2011 às 19:43

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Categoria: Artigos

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