Os americanos são burros e nós somos inteligentes.

Abaixo postei um ótimo artigo do cientista político Simon Scharwtzman (blog Simon’s Site).Nele podemos ver que a nossa famosa USP ocupa o 232 lugar no ranking internacional de universidades.Enquanto isso os Estados Unidos têm 14 que estão entre as 20 primeiras. ( Conheço outra pesquisa onde são 18 entre as 20). Mas, vejam, dias atrás recebi (três vezes!) um vídeo onde é mostrada a tremenda ignorância dos nossos irmãos do norte. Eles não sabem nada. As pessoas que são entrevistadas na rua confundem as capitais dos países, além de outras ignorâncias sesquipedais. Uma gente burríssima. Aliás, são famosos por isso. Fechados dentro de si, desconhecendo todo o mundo exterior. Não sei como conseguiram ir até a Lua, e às vezes até acho que foi mentira . Tudo aquilo que vimos na televisão deve ter sido montado.Também não consigo entender como no início da década de 50 a receita da General Motors era maior do que o PIB brasileiro. Que mistério… Enquanto isso, nós somos espertos, povo inteligente, varonil, Brasil, Brasil, temos um Congresso maravilhoso, um Supremo Tribunal admiravel, presidentes acima de qualquer suspeita, ninguém rouba porque os crimes são punidos inexoravelmente no momento mesmo em que nossa maravilhosa imprensa os denuncia – e vejam, é raríssimo abrirmos nossos jornais e lermos alguma notícia de falcatruas, raríssimo, raríssimo… pensando bem, nem me lembro mais da última vez que ouvi falar em algum passo errado dado pelos nossas autoridades. Nosso povo não toleraria os desaforos de uma roubalheira aberta, fora de controle, diária, feito acontece em outros países. Graças a Deus não somos, por exemplo, americanos.

O artigo do Simon:

O Brasil no ranking internacional de universidades

Posted: 11 Mar 2011 05:32 AM PST

Dimensões do Ranking Internacional de Universidades
Posição das Universidades Brasileiras
O Times Higher Education de Londres acaba de publicar o seu novo ranking internacional de universidades, disponível aqui. Este ano, só participaram universidades que concordaram em mandar informações solicitadas pela publicação. No caso do Brasil, aparentemente, só entraram as três universidades estaduais paulistas, e nenhuma outra universidade da América do Sul aparece. Nos rankings anteriores, a USP já aparecia como a melhor da América Latina, mas longe das 100 melhores. Este ano, das 400 universidades analisadas, a USP está na posição 232. Este ranking é baseado em dados de cinco dimensões diferentes. Além desta lista, existe uma outra, de reputação, que lista as 200 universidades consideradas melhores por uma amostra de especialistas. Dos BRICS, esta lista inclui universidades da India e da Russia que não aparecem entre as 200 melhores pela listagem anterior, mas nenhuma do Brasil. A China aparece nas duas.

O ranking de reputação pode estar afetado pelo fato de que os especialistas consultados (cuja lista não está disponível) são provavelmente das principais universidades de lingua inglesa, mas a ausência brasileira confirma que o Brasil não está presente no circuito internacional de conhecimentos e troca de idéias e informações. O quadro com os escores parciais das universidades paulistas permite entender um pouco melhor aonde estamos pior: baixa internacionalização, medida pelo intercâmbio de professores e alunos; baixa atividade de inovação e capacidade de obter recursos do setor produtivo; baixa qualidade da pesquisa produzida, expressa no baixo nível de citações por artigo publicado.

Há razão para se preocupar?  Creio que sim. O  Brasil deveria ter pelo menos algumas universidades que fossem capazes de participar de forma mais intensa dos circuitos internacionais de conhecimento e cultura. Não acredito que seja um problema de recursos, mas de alguns outros fatores. Nossas universidades, mesmo as melhores, ainda são muito voltadas para dentro do país ou mesmo sua região ou cidade, embora muitos de seus professores tenham sido formados no exterior e participem de circuitos internacionais de pesquisa.  Elas não  têm estímulo e têm  dificuldade em admitir e apoiar alunos que venham de outros países, seja pelo uso exclusivo do português, seja pelos procedimentos burocráticos dos vestibulares, seja porque não podem cobrar anuidades destes alunos e usar os recursos para criar melhores condições para atendê-los.  Como repartições públicas, elas não têm estímulo para agir de forma mais agressiva na busca de talentos (não podem oferecer salários diferenciados, têm dificuldade para contratar professores estrangeiros) e no estabelecimento de vínculos mais estreitos com o setor produtivo. Em sua grande maioria, seus professores são formados por elas mesmas, uma situação de inbreeding que reproduz o provincianismo. Finalmente, nos últimos anos, os temas de inclusão social no ensino superior adquiriram uma prioridade quase absoluta nas políticas públicas de ensino superior, deixando em segundo plano a questão da excelência, que precisa voltar à agenda.

12 março, 2011 às 18:42

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Categoria: Artigos

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