Os artigos recebidos do exterior e o jornal – Michael Scheur – A traição americana no Vietnã do Sul

Estou apresentando um artigo que é antigo no tempo, (2008) mas atualíssimo, indispensavel. O autor discorre sobre as guerras no Oriente Médio sem insultar os Estados Unidos (esses papers existem, mas raramente chegam até nós). Por ordem do chefão foi publicado há muito tempo no jornal. Quer dizer, de vez em quando o chefão acha que já afagou o suficiente a histeria anti-americana, que o seu pessoal na redação e no exterior já deitou e rolou fazendo picadinho dos EUA, e resolve que não custa nada dar uma colher de chá para a turma “do outro lado”. Já que isso acontece poucas vezes por ano o jornal não vai perder a sua imagem e, além do mais, não custa nada atingir um leitor marginalizado, que vai se encher de esperanças de voltar a ler alguma coisa parecida. Pode esperar sentado.

A lavagem cerebral socialista – iniciada a partir de 1945 – e somada com as razões freudianas as mais simples, fazem os EUA serem odiados em quase todos os lugares do planeta. Esse fenômeno não está ligado ao comportamento desse, ou daquele, presidente. O que pode acontecer é o ódio se tornar mais visivel, mais explícito, o que aconteceu durante a administração Bush. A atitude de ser contra os Estados Unidos vai desde a eleite intelectual de um país até pessoas que apenas sabem ler jornal.

Transcrevo artigo de Michael Scheur onde ele sustenta que em uma guerra os USA não usam os recursos que têm, que no conflito os bebês não estão a salvo, e que a resistência para o uso da força vem da mídia, dos demagogos e dos europeus. Eu cortaria os europeus, que não valem nada, e ficaria apenas com o NYTimes, e os demagogos e loucos  (liberais e democratas – o PT dos Estados Unidos). Scheur coloca a guerra em seu devido lugar, uma ação sangrenta desde tempos imemoriais, que é uma opção para se conseguir a justiça. Acha incorreto que se desgaste a CIA e as Forças Delta, Rangers, etc., apenas para se ocultar que para vencer é necessário matar e, na presente situação, matar muita gente.

Que não se confunda a abordagem do articulista com o aumento de 30.000 soldados no Afeganistão. Isso são peanuts. Ele quer, óbviamente, alguma coisa muito mais profunda. Quer o uso da máquina militar americana em sua plenitude.  

Vamos ao artigo, e depois considerações sobre a retirada americana no Vietnam.

EUA têm de usar força esmagadora ( Michael Scheuer)

Nesta época de frases sem sentido como “pensamento divergente” e “um tempo de mudança”, outra expressão tola – muito apreciada pelos (ex) presidentes George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush – está causando a derrota dos EUA no Afeganistão e no Iraque. A expressão é “pequena, leve e rápida”, e refere-se ao tipo de força militar que eles acreditam que precisamos ter.
“Pequena, leve e rápida” é a negação do Exército de nossos avós – muito menos armas pesadas e muito menos infantaria em relação às forças convencionais em que os EUA sempre se apoiaram em grandes guerras. Em vez disso, seus propositores acreditam que hoje as forças militares americanas devem se apoiar mais em operações secretas e forças especiais para combater contra-insurgências e guerras irregulares.
 
Em graus variáveis, os senadores Hillary Clinton, John McCain e Barack Obama querem isso também. Obama, por exemplo, pediu recentemente “mais recursos para operações especiais ao longo da fronteira entre Afeganistão e Paquistão”.
Mas essa abordagem não pode funcionar. Uma lição da última década é que os esforços de nossos líderes para vencer guerras com o serviço secreto liderado pela CIA e as Forças Especiais dos EUA só trazem derrotas. Não podemos combater uma sublevação mundial de muçulmanos radicais com o tipo de forças que um dia julgamos mais apropriadas para suprimir rebeldes de minúsculas ilhas caribenhas.
 
O Afeganistão é o melhor exemplo dessa realidade. Forças clandestinas americanas se saíram muito bem ali, vencendo as primeiras batalhas contra o Taleban e a Al-Qaeda depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 – mas elas não tiveram recursos humanos e poder de fogo suficientes para aniquilar o inimigo, para o qual agora estamos perdendo a guerra.
Isso não deveria surpreender. O serviço clandestino e as forças especiais não foram planejados para vencer guerras; sua função é complementar o uso de forças convencionais americanas em grande número contra inimigos dos EUA. Quem ler trabalhos nas listas de livros recomendados do Estado-Maior do Exército e do comando do Corpo de Fuzileiros Navais – livros de escritores como Stephen Ambrose, Ulysses S. Grant, William T. Sherman e Dwight Eisenhower – descobrirá poucas indicações de que guerras podem ser vencidas por forças clandestinas ou especiais. Somente Max Boot e seus irmãos de Weekly Standard, Commentary National Review, pregam tamanha bobagem como um evangelho.
 
Conheço um pouco as limitações desses tipos de operações porque durante 15 anos administrei ações secretas da CIA contra a Al-Qaeda e muçulmanos sunitas. Tenho claro para mim que o máximo que forças clandestinas podem fazer é segurar a barra até as forças convencionais chegarem para destruir o inimigo. A CIA sugeria isso em 1997 – veja-se a página 349 do relatório da comissão do 11 de Setembro – e o conceito continua válido.
 
Falando francamente, forças clandestinas não podem matar o número de inimigos que precisa ser morto. Mas, se é assim, por que presidentes recentes defenderam com tanta insistência essa maneira perdedora de guerrear?
 
A triste verdade é que a crescente dependência excessiva de Washington das forças clandestinas e especiais para combater nossos inimigos é um resultado do pavor que nossa classe política tem de uma condenação pela mídia, pela academia, pelos teóricos da guerra justa e pela elite européia se ela usar o poder militar pleno dos EUA. A despeito da guerra criminosa nos Bálcãs e do genocídio em Ruanda, líderes americanos compraram a afirmação sem base histórica de que a natureza humana e a guerra são hoje radicalmente diferentes e bem menos sangrentas do que eram nos tempos de Alexandre e César.
 
Ao não quererem usar o pleno poder militar convencional contra nossos inimigos, as autoridades americanas esperam que forças leves, táticas, de contra-insurgência, e armas de precisão vençam nossos inimigos com poucas baixas, pouco ou nenhum dano colateral – e sem publicidade negativa.
Pura bobagem. Não se chega à vitória se forem usadas apenas forças clandestinas, e presidentes de ambos os partidos mentiram sobre a sua eficácia porque nunca dirão aos americanos a verdade politicamente incorreta. O fato é que, nesta guerra global contra inimigos não uniformizados e religiosamente motivados que vivem entre – e são apoiados por – seus irmãos civis, e estão perfeitamente dispostos a usar uma arma nuclear contra os americanos, a vitória só é possível mediante o uso de uma força militar maciça, grandemente indiscriminada.
 
A reação instintiva a apelos para usar forças militares maciças é um grito angustiado de “oh, mas perderemos a batalha por corações e mentes!” Essa é uma afirmação absolutamente falsa porque os EUA já perderam a guerra por “corações e mentes” – quase 80% dos muçulmanos em todo o mundo compartilham a crença de Osama bin Laden de que o objetivo da política externa americana é “enfraquecer e dividir o mundo islâmico”, segundo uma pesquisa feita pelo programa sobre Atitudes Políticas Internacionais da Universidade de Maryland. Mais forças militares só aumentariam marginalmente esses números.
 
O que conta é que os EUA precisam ser defendidos. Forças clandestinas e especiais devem constituir uma parte importante dessa defesa, mas somente da maneira que elas foram previstas para operar. Elas têm quatro funções básicas: reunir informações secretas, destruir alvos de infra-estrutura (como campos de treinamento terrorista e esconderijos de armas), treinar aliados estrangeiros e matar ou capturar o inimigo.
 
As forças americanas são excelentes em todas essas funções. A remoção temporária do regime Taleban, a captura e morte da primeira geração de líderes da Al-Qaeda e a morte de Abu Musab al-Zarqawi, da Al-Qaeda no Iraque, são provas cabais disso. Além do mais, a habilidade dos homens e mulheres de nossas forças secretas para localizar bases e líderes radicais islâmicos é o principal fator que permite o uso efetivo do estoque de armas de precisão americanas, aliás inúteis contra insurgentes.
 
Mas, enquanto continuarmos evitando a morte e a destruição mais amplas que são o subproduto necessário de campanhas militares convencionais vencedoras e tanto enfurecem os europeus, não conseguiremos vencer. Embora os serviços clandestinos possam ser bem-sucedidos na eliminação de líderes do inimigo, seus soldados de infantaria e apoiadores civis não estão sendo eliminados. Assim, os chefes islâmicos que tombam são rapidamente repostos, e suas tropas e redes de apoio civil permanecem intactas. Curto e grosso, usar forças clandestinas como nossa principal ferramenta de guerra é garantia de uma luta interminável contra um inimigo bem comandado, resistente e bem servido de braços.
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É garantia também de que nossos serviços secretos estarão exaustos e enfraquecidos quando a ficha cair e líderes americanos começarem a usar mais forças convencionais, e assim serão menos capazes de realizar sua função de complementar as operações convencionais. Nossas forças clandestinas também estão sendo enfraquecidas pelo crescimento espantoso de companhias paramilitares que estão atraindo muitos agentes secretos americanos para o setor privado, onde a remuneração é melhor e as missões são geralmente menos perigosas. Para um serviço pequeno como a CIA, é devastador agora e para o futuro perder consistentemente quadros jovens e talentosos – que requerem dois ou mais anos para ser recrutados, treinados e mobilizados – para o setor privado
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O mais danoso para os EUA talvez seja o fato de que as valiosas operações clandestinas americanas de guerra agora parecem, para muitos americanos (e para boa parte do mundo), ilegítimas ou até “sujas”. Ajudei a dirigir o programa da CIA de devolução de extremistas a seus países de origem e, graças aos agentes que o executaram, os americanos estão um pouco mais seguros do que estavam no 11/9 – e uma dezena de veteranos líderes da Al-Qaeda está presa.
No geral, o programa registrou os golpes mais expressivos dos EUA contra a Al-Qaeda, e foi autorizado pelos presidentes Clinton e Bush, aprovado por comissões de inteligência do Congresso e endossado pelos consultores jurídicos de cada um deles.
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Hoje, porém, muitos americanos o têm identificado como ilegal, vergonhoso até. Os americanos precisam saber que os líderes de ambos os partidos preferem as forças clandestinas às convencionais na luta – mas que essa preferência não propicia letalidade suficiente para chegar à vitória. E, lamentavelmente, a eficácia futura de nossas forças clandestinas está sendo corroída pelos males gêmeos de uso excessivo e caça bipartidária às bruxas por políticos americanos como McCain, os senadores Carl Levin (democrata de Michigan) e Lindsey Graham (republicano da Carolina do Sul), e o representante Edward Markey (democrata de Massachusetts).
Mais desastres como o 11 de Setembro virão e, quando vierem, os americanos encontrarão seus serviços secretos exaustos e desacreditados por políticos americanos mais interessados em conquistar cargos e evitar críticas internacionais do que em assegurar a sobrevivência dos Estados Unidos.
 
TRADUÇÃO DE CELSO MAURO PACIORNIK
 
Michael Scheuer trabalhou na CIA por 22 anos. Foi o primeiro comandante de sua unidade Osama bin Laden. Seu livro mais recente é ‘Marching Toward Hell: America and Islam after Iraq’.
 Artigo escrito para o jornal ‘Los Angeles Times’
 
 
Observações sobre a traição liberal no Vietnã. Carta para um amigo
 
Nixon conseguiu o Acordo de Paz de Paris, que era muito favorável aos americanos, mas o Vietnam do Norte o assinou sem a menor intenção de cumpri-lo.Para isso contava com a sabotagem interna dentro dos Estados Unido. Foi exatamente o que aconteceu. O Congresso, dominado pelos Democratas, proibiu que as forças armadas americanas reagissem quando os norte-vietnamitas rasgaram o Acordo e dominaram o Vietnam do Sul. Nunca se viu tamanha vergonha.  

Palavras de Kissinger: “Nem Nixon nem eu tínhamos qualquer intenção de por fim ao empenhamento dos Estados Unidos no Vietname do Sul, um compromisso herdado dos nossos antecessores, atraiçoando milhões de pessoas que tinham depositado a sua confiança em nosso país”……”Por volta de Outubro de 1972, Hanoi desistiu de impor pela força os seus termos e aceitou as condições  que Nixon tinha proposto, publicamente, em 25 de Janeiro de 1972 (e em privado, em Maio de 1971), nove meses antes da realização das eleições presidenciais norte-americanas: continuação em funções do governo de Saigon, cessar-fogo, retirada norte-americana, fim do envio de reforços e das infiltrações norte vietnamitas, devolução de prisioneiros e um diálogo político continuado entre as partes”………”adverti Nixon de que Hanoi iria procurar minar os termos do acordo e que só através de uma vigilância constante a paz poderia ser preservada”…….Ao longo de 1973 e 1974, fazer cumprir o acordo tornou-se uma matéria tão debatida como a própria guerra o tinha sido, e os argumentos utilizados eram  idênticos. O movimento contra a intervenção no Vietname não aceitaria a premissa de que alncançaramos uma paz honrosa, porque fazê-lo seria contradizer a sua tese primária de que era o poderio norte-americano em si mesmo um foco de mal no mundo”……….”Justificavam esta rendição posterior ao acordo de paz com a afirmação capciosa de que não havia “obrigação” legal de auxiliar o Vietname, ou de defender as cláusulas acordadas em Paris……”Quando os Estados Unidos concluem um acordo de paz, a outra parte deve ficar automaticamente prevenida de que não lhe permitiremos que viole impunemente os seus temos. Sem um castigo pelas violações, um cessar-fogo transforma-se num subterfúgio para a rendição”………”Quando em Junho de 1973, o Congresso proibiu o uso da força militar “na ou sobre a Indochina”, os Estados Unidos foram efetivamente proibidos de fazer cumprir um acordo pelo qual mais de 55.000 norte americanos e centenas de milhares de vietnamitas tinham dado as vidas.”……”Seguiram-se em 1974 os cortes orçamentais anteriormente referidos.
 
Espero que você acredite porque isso é História. O que acontece é que nós somos frutos de uma torrente de mentiras, que pela repetição se tornaram “verdades”. Eu sei que é difícil de admitir, mas o que se passou no Vietnam é uma dessas grandes farsas que vieram para ficar conosco definitivamente. A literatura honesta sobre o episódio é expressiva ( não traduzida, é claro) e Kissinger escreveu milhares de páginas sobre o Vietnam. Agora, procure se reciclar, ou então siga em frente com tudo que nos empurraram goela abaixo.
 
Nota: No blog está o artigo ” Ho-Chi-Minh virou hamburguer”, que conta uma das viagens que fiz ao Vietname
 
 
Sinal dos tempos: não é montagem, não é Carnaval, é mesmo o atual presidente americano. 
 

 

  

 
 

 

 
 
 

 

24 julho, 2010 às 13:23

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Categoria: Artigos

Comentários (1)

 

  1. Thais disse:

    My people for world:
    MEU POVO DO MUNDO :

    Jamais acreditem nos seres humanos, eles são o pior animal da terra. (VEJAM O QUE FIZERAM COM JESUS CRISTO)
    MOHAMMAD, BUDA E, TODOS OS PROFETAS DO DEUS PAI (ALLÁH)

    SÓMENTE ALLÁH É, TEU CRIADOR CONFIÁVEL, NINGUEM MAIS…

    INSHA ALLÁH !!!

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