“Política externa turca preocupa EUA e Israel” (um artigo idiota liberal do Washington Post, com comentários do blog)


As mulheres usavam véu, os homens faixas verdes do Hamas. Reuniram-se aos milhares numa ensolarada praça de Istambul aos gritos de: “Maldito Israel!” A manifestação de sábado não combinava com a imagem que a Turquia tem no Ocidente, de amiga secular de Israel e dos EUA. NOTA DO BLOG :Claro que tudo mudou depois que um govêrno islâmico ganhou as eleições, e está tentando transformar o estado secular em um estado islâmico, ou seja, regido por leis religiosas.  Mas nos últimos dias, a ira das pessoas explodiu por causa do ataque sangrento de Israel aos navios de bandeira turca que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza, atualmente bloqueada por Israel. O incidente ocorreu no momento em que a Turquia está estreitando os laços com os governos muçulmanos da região – manifestando-se mais abertamente em favor dos palestinos e tentando impedir novas sanções da ONU contra o Irã. O governo turco já está falando em “consulta popular”, “referendum”, essas manobras totalitárias visando isolar os militares que são (eram ? ) a única garantia para a Turquia não ingressar no obscurantismo islâmico.

Surgiram temerosas especulações: acaso a Turquia estaria se afastando do Ocidente? O governo turco de orientação islâmica afirma que não. ( e nós devemos acreditar, não é  ?)E alguns analistas consideram a pergunta muito simplista. Com uma economia em expansão e líderes determinados, o país, membro da Otan, está se revelando uma potência regional com uma política externa mais independente, afirmam analistas. Independente ? De jeito nenhum, muito pelo contrário, os turcos estão mesmo é indo pro brejo, aliando-se ao Islã, embora possam usar aquele surrado disfarce do ” não alinhamento” . “Os turcos querem que seu país seja o mais importante do bloco”, disse Henri Barkey, da Carnegie Endowment for International Peace em Washington. “Os turcos têm essencialmente um senso muito exagerado de sua importância.” Não, os turcos foram, e são, importantíssimos. Exerceram papel fundamental para o Ocidente durante a Guerra Fria. Quando esta terminou, esperavam uma justa recompensa, queriam ser membros da União Européia, mas se viram traidos, foram feitas exigências absurdas, bem ao gosto dos liberais europeus e americanos, e o país começou a se distanciar do Ocidente. Há pouco tempo a Câmara dos Representantes dos EUA apoiou uma moção condenando o extermínio dos armênios pelos turcos em 1913! Todos os ex-chefes do Departamento de Estado americano ainda vivos, e são 8, enviaram uma carta para a Câmara pedindo que não fizessem essa burrice. O Ocidente, no pior momento possivel, frustrou, indignou a Turquia, e a atirou nos braços dos muçulmanos radicais.

Os líderes turcos chamam sua política externa de “zero problemas com os vizinhos”. O país melhorou significativamente as relações com seus outrora rivais, como a Síria, que anteriormente abrigava rebeldes curdos, e o Irã, antes temido por seu potencial de exportação do radicalismo islâmico. Engraçadissimo. O Iran já não é temido porque seus comparsas ganharam as eleições na Turquia. O país melhorou as relações com os delinquentes do Oriente Médio porque está saindo da órbita do Ocidente. Esse fato tem sido ignorado pela mídia.

A nova política tem como base, em parte, a ampliação dos vínculos comerciais. A economia turca, antes sob a tutela do Estado, cresceu rapidamente, com a emergência de centros de exportação dinâmicos . O comércio da Turquia com os vizinhos cresceu mais de 20 vezes de 1991 a 2008.

Os ambiciosos líderes turcos procuram usar seu crescente peso regional para desempenhar um papel global maior. A Turquia serviu de intermediária entre Israel e a Síria, antes que a breve guerra de Israel em Gaza, em dezembro de 2008, acabasse com as conversações. Mais recentemente, diplomatas turcos e brasileiros obtiveram um acordo para enviar parte do urânio iraniano ao exterior, onde seria processado, para evitar novas sanções da ONU pedidas por Washington. Essa intermediação, que da parte do Brasil foi ridícula, mostra um dos momentos mais significativos da mudança de direção da Turquia Se ainda fosse o governo Bush a imprensa o estaria acusando de inabilidade, falta de visão e, unilateralismo, por deixar a Turquia fugir de nossas mãos. Mas o fato é totalmente ignorado porque Obama é o presidente. Segundo Barcin Yinnac, editora da Hurriyet Daily News and Economic Review, é inevitável que a Turquia tenha um papel internacional maior, considerando sua posição geopolítica e sua nova estatura como um dos 20 principais países industrializados. Mas os governos seculares anteriores, que introduziram a liberalização econômica, costumavam se mostrar mais cautelosos em política externa, disse Yinnac. Que cautelosos que nada! Os governos turcos há décadas fizeram uma opção : não queriam um governo islâmico, porque levaria o país para o atraso. Isso decidido começaram a construção de um país moderno, voltado para o Ocidente.

“A diferença em relação a este governo é que eles têm uma coloração ideológica”, afirmou . Nossa! É mesmo, a gente nem tinha reparado!

Em termos históricos, Israel e Turquia eram bons aliados, compartilhando ajuda militar e a mesma desconfiança dos países árabes. Mas se a Turquia estreitar os laços com seus vizinhos, já não precisará do apoio de Israel, afirmaram analistas. A matéria está sendo colocada de cabeça para baixo. A Turquia estava indo muito bem enquanto ocidental, e não precisava do apoio de Israel. Pelo contrário, apoiar Israel era um peso que a Turquia se dispunha a pagar para continuar forte aliada do ocidente, ser moderna, ingressar na União Europeia. Esse artigo é um lixo, nem sei porque fui coloca-lo no blog. De qualquer forma serve como um ótimo exemplo do que pensam os liberais americanos.

Mas a questão é mais profunda do que o mero realinhamento do governo turco em sua região. Seus cidadãos estão mais conectados com o mundo, até mesmo com as causas muçulmanas no exterior. Isso é um absurdo. Na medida em que o governo se torna islâmico o que ocorre é exatamente o contrário: um fechamento para o mundo exterior. Agora, quanto à conectar-se com os outros governos islâmicos, é óbvio que essa ligação tornou-se mais forte. O governo tornou-se mais sensível à opinião pública. Não é isso. O governo tornou-se é muçulmano, o articulista está insinuando mais democrático, mas esse é um artigo do Washington Post um dos pilares da imprensa liberal.E os eleitores sentem que têm mais poder, particularmente os religiosos. Desde que Mustafá Kemal Ataturk fundou a Turquia sobre o que restava do Império Otomano, o país adotou uma política oficial de secularismo. O país “era secular, mas de maneira forçada”, disse Barkey. “A maioria da população era muito mais conservadora e religiosa do que as autoridades”. Então, vamos comemorar que o país se tornou mais democrático, já que está expressando melhor a mediocridade islâmica radical. Os militares turcos, que sempre evitaram que o Islã assumisse o poder, viram-se aturdidos, perdidos, com os erros primários que a União Européia e os EUA cometeram contra seu país. Ficaram desmoralizados ante a população. A reciprocidade que eles prometiam não veio e as eleições foram ganhas pelo Islã./ TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

(articulista Mary Beth Sheridan, publicado no Estadão em 8 de junho de 2010)



Tópicos: , Internacional, Versão impressa

8 junho, 2010 às 19:30

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Categoria: Artigos

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