Pressão por ataque militar ao Irã cresce nos Estados Unidos ( Folha de S.Paulo)-comentado pelo blog

Pressão por ataque militar ao Irã cresce nos Estados Unidos

CLAUDIA ANTUNES
DO RIO

Impulsionado por conservadores, o debate sobre a suposta inevitabilidade de um ataque militar para frear o programa nuclear do Irã voltou a ganhar corpo nos Estados Unidos.

Analistas contrários à ação divergem sobre se o objetivo é de fato forçar o governo Obama a adotá-la ou apenas obter ganhos para a oposição na eleição legislativa de novembro, mostrando o presidente como fraco em segurança nacional. Mas temem que a reverberação do tema “naturalize” a opção da guerra, transformando-a num fato consumado.

A campanha começou logo depois da aprovação da quarta rodada de sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU e da votação de sanções unilaterais pelo Congresso americano.

Obama vendeu-as como uma alternativa à guerra, embora nunca tenha descartado a “opção militar”.  – e também até agora não quer cumprir sua promessa de campanha de dialogar com o Irã, “sem condições pré-estabelecidas”.

Em julho, 47 congressistas apresentaram um projeto que apoia o uso, por Israel, de “todos os meios necessários” contra o Irã, “incluindo a força militar”.

A lei tem pouca possibilidade de ser aprovada, por enquanto. Mas sustenta-se sobre argumento análogo ao exposto há dez dias na revista ultraconservadora “Weekly Standard” e na semana passada na “Atlantic”.

Um ataque, dizem os artigos, seria para Israel um ato de autodefesa preventiva, já que a possibilidade de o país persa ter a bomba é considerada “ameaça existencial” ao Estado judaico.

Na “Atlantic”, o premiê Binyamin Netanyahu disse que a liderança iraniana, um “culto messiânico apocalíptico”, não seria sensível a uma política de contenção contra o uso da arma como a adotada contra a antiga União Soviética. – A diferença é enorme. Os russos, altamente responsaveis, não admitiam a possibilidade de destruição do mundo, enquanto os aitolás estão a serviço de Alá, que determinou que todos as pessoas no globo devem ser levados para a fé, ou sofrerem as consequências. (clérigos discordam se deve ser aplicado o apedrejamento, o enforcamento, cusparadas, cortar o nariz, serem trancadas dentro de um armário e obrigadas a ouvir a Dilma 10 horas seguidas durante todos os dias de suas vidas imundas, etc.) Impossivel o diálogo com gente desse tipo. Querem a bomba a qualquer preço e não enganam mais ninguém.

O próprio artigo relativiza o grau da ameaça, com analistas dizendo que o problema é a perspectiva da perda da vantagem estratégica de que Israel desfruta, como único país do Oriente Médio com arsenal nuclear. Bobagem. Um Irã nuclear afeta todo o Oriente Médio e o mundo, não apenas a supremacia israelense.

Mas diz que há 50% de chances de que os israelenses ataquem em 2011, se concluírem que “Obama não vai, em nenhuma circunstância, atacar o Irã”. Especulação. O ataque israelense pode ser a qualquer momento. A única dúvida é se o medo de Obambi pode levar Israel a um gesto desesperado e atacar sem apoio americano.

O texto provocou reações. Flynt Leverett, ex-funcionário da CIA que defende a normalização das relações entre EUA e Irã, escreveu que sua implicação é a de que os EUA devem agir antes do aliado, já que seriam afetados pelas consequências do bombardeio e teriam mais chances de sucesso. Corretíssimo. Os EUA serão de qualquer forma responsabilizados, e se o ataque israelense fracassar em parte, ou totalmente, a situação fica ainda pior.  Os EUA teriam que atacar DEPOIS do ataque israelense, um desgaste monumental, e um atestado de incompetência do governo americano. Seria dificil Obama sobreviver à uma situação desse tipo.

“Há um clima palpável para a ação militar. O governo diz que uma bomba no Irã é inaceitável, implicando que a contenção não é uma opção”, disse à revista “New Yorker” o ex-congressista Lee Hamilton.

A dubiedade da Casa Branca contribui para a incerteza. Os EUA ainda se dizem dispostos a dialogar, mas não responderam à oferta do Irã de voltar a negociar a proposta de troca de urânio endossada por Washington em 2009 e que serviu de base ao acordo mediado por Brasil e Turquia. Gente, essa menina da matéria não fez pesquisa. Os Estados Unidos já responderam há meses. Recusaram absolutamente, completamente, essa antiga proposta que serviu de base para o acordo com o Brasil e Turquia. As contas a respeito da quantidade de urânio enriquecido já haviam mudado. O que valia para 2009 não poderia mais valer para 2010. Todo mundo sabe disso. 

18 agosto, 2010 às 00:02

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Categoria: Artigos

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