Síndrome de Depreciação de Obama (Charles Krauthammer- Washington Post) – 4 Charges

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Existe uma historiazinha famosa nos EUA a respeito de caráter. George Washington era um menino e cortou uma macieira. Seu pai ficou desesperado e perguntou : “Quem fêz isso ?” (o castigo seria imenso)  George respondeu:Não sei mentir. Fui eu “.  Vejam o maravilhoso cartoon abaixo

 

A França é mesmo a pátria da esquerda, a pátria dos vagabundos, a pátria da conversa fiada, da Sorbonne e outras fraudes. Esses estudantes, operários, imigrantes, funcionários públicos, toda essa corja foi para as ruas, indignada porque o governo passou a idade da aposentadoria de 60 para 62 anos!  Nem o De Gaulle, cujo patriotismo chegava perto da insanidade, aguentou a barra, e no final, DESISTIU da França. Carregamos pela vida afora um monte de bobagens políticas, conceitos sociológicos, psicanalíticos, que tiveram sua origem lá. A maior, sem dúvida, é exaltar a Revolução Francesa, que foi feita por psicopatas, sádicos, histéricos. Vamos deixar no extremo oposto a literatura e as artes, OK?

Charles Krauthammer

Numa tentativa crescentemente desesperada de desenvolver uma narrativa para o próximo colapso democrata, os democratas têm se mostrado indulgentes com eles mesmos através do que, por meio século, eles têm habitualmente atribuído ao direito americano – o estilo paranoide na política americana. A conversa é de conspirações obscuras – dinheiro secreto, influência externa, grandes corporações, com Karl Rove e, sim, Ed Gillespie  espreitando sinistramente por trás das cenas. A única coisa que falta é o ponto de vista “Halliburton*-Cheney”.

* Empresa de serviços petrolíferos, de engenharia e construção,  co-dirigida por Dick Cheney. (N. do T.)

Mas após exibir algumas dessas acusações com uma perceptível falta de sucesso, o presidente Obama propôs algo novo, algo menos comum, algo mais adequado à sua estatura e intelecto. Ele agora está oferecendo uma explicação científica, na verdade neurológica, para seus problemas políticos atuais. O eleitorado está aparentemente transtornado pelas suas ansiedades e temores, ao ponto de não conseguir pensar com lógica. Parte da razão  – “fatos e ciência e argumento parece que não vencem o tempo todo” – ele explicou a uma audiência em Massachusetts, “é porque estamos firmemente programados a não sempre pensar claramente quando estamos amedrontados. E o país está amedrontado”.

Abrindo um ramo inteiramente novo da ciência cognitiva – psicologia liberal – Obama descobriu um novo princípio: O cérebro com medo está conectado para agir confundindo os fatos, ou seja, ordena que se vote nos republicanos.

Mas é claro. Mas, logo Obama, que gastou dois anos colocando para o proletariado a “New Foundation”** de uma sociedade mais regulada, socialmente projetada e, consequentemente, uma sociedade mais humana, e eles o retribuem com oposição recalcitrante e franca. Mas, logo ele que lhes deu o seu plano de saúde, o ‘stimulus’ (pacote de ajuda financeira à economia americana), regulamentação financeira e um tiro na política do comércio do carbono – e o eleitorado permanece não apenas impassível mas também mal-agradecido.

** Reforma com regulamentação das instituições financeiras. (N. do T.)

Frente a essa verdadeiramente estarrecedora, inexplicável questão, Dr. Obama diagnostica um transtorno psicológico até então desconhecido: Síndrome de Depreciação de Obama, induzida por ansiedade, onde a inteira população está tão carcomida pelas suas ansiedades econômicas ao ponto de estar neurologicamente incapaz de apreciar os “fatos e ciência” que embasam o Obamacare e as outras bênçãos que o presidente concede a ela, lá de cima.

Eu tenho uma explicação melhor. É melhor porque adere ao mais moderno princípio científico, a Navalha de Occam***, pelo qual a  melhor explicação para qualquer fenômeno é aquela mais econômica e simples. E não há nada mais simples do que as pesquisas do Gallup sobre as inclinações ideológicas do povo americano: Conservador: 42%. Moderado: 35%. Liberal: 20%. Nenhuma fantástica síndrome nova ou outras ficções elaboradas são requeridas para entender que, se você tenta impor uma agenda liberal a uma nação tão demonstravelmente de centro-direita – uma nação que é 80 por cento não liberal –  o resultado é um pesado retrocesso.

*** Navalha de Occam: Princípio lógico do filósofo William of Ockham, enuncia que a explicação de um fenômeno deve ter o menor número de pressupostos possível, eliminando os que não contribuem para a hipótese explicativa. (N.do T.)

Além do mais, sem considerar que ideologia é realidade empírica. O modelo social-democrático para o qual Obama esta aberta e audaciosamente tentando levar a America, está se desmanchando na Europa. Não é apenas o panorama real do colapso financeiro na Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, mas estão em grave crise inclusive aqueles outros países relativamente estáveis. É o colapso moral visível de um sistema que após duas gerações de crescente infantilização do nascimento à morte, leva milhões de cidadãos às ruas da França em protestos furiosos e frequentemente violentos, por causa de que? Por causa do aumento da idade de aposentadoria de 60 para 62 anos!

Tendo visto essa exposição do que só pode ser chamado de decadência, o eleitorado perfeitamente ligado de Obama diz não, nós não, não aqui. Os proletários têm visto o futuro – Grécia e França – e concluíram que ele não funciona. Daí vem a oposição ao orgulhosamente transformador programa “New Foundation” de Obama. A lógica deles é impecável: somente o mais obtuso intelectual poderia estar tentando introduzir social democracia na America, precisamente quando o principal exemplar mundial deste modelo – a Europa – esta em caótica dissolução.

Não que essa mensagem política seja nova. Ela já foi enviada no ano passado com sonora e clara limpidez nas eleições na Virginia, Nova Jersey e Massachusetts onde os independentes – os votantes oscilantes, sem ligação ideológica de uma forma ou de outra – se dividiram 2 para 1; 2 para 1; e 3 para 1 respectivamente, contra os democratas.

A história dos últimos dois anos é tão simples quanto dramática. É a historia épica de uma administração com um programa altamente ideológico que encontra uma crescente resistência do povo americano em relação à maior questão em disputa: o tamanho, alcance e poder do governo e, muito mais fundamentalmente, a natureza do contrato, do pacto social americano.

Uma sentença para o diagnóstico formulado pelo Dr. Obama será dada no dia 2 de novembro. Nesse dia, o proletariado americano estará presidindo.

Tradução: Célia Savietto Barbosa



2 novembro, 2010 às 11:09

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Categoria: Artigos

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