Sinta a Fúria (artigo do Wall Street Journal) – Vídeo das batatinhas


De Berkley, o grande Osmar Junior resumiu a parte mais dificil do texto.

“O espírito do artigo é o seguinte: os liberais sempre defenderam uma intervenção regulatória pesada na economia, como instrumento indispensável para, segundo eles, corrigir as chamadas “falhas de mercado”. O que o autor quis dizer é que não existem só as falhas de mercado, mas, também, as “falhas do governo”, uma das quais é, justamente, a “captura” dos instrumentos de regulação pelos regulados. Isto é, ao ter influência desmedida sobre os agentes da regulação – governo, burocracia e legisladores -, empresários e lobistas podem conseguir uma interferência indevida sobre esses instrumentos reguladores e viesá-los para seus (dos empresários) interesses. É o que o autor está dizendo: é curioso que, agora, os liberais estejam furiosos com o governo Obama por haver, aparentemente, deixado que a MMS (a ANP deles) fosse “contaminada” pela influência das companhias petroleiras e, assim, relaxado a vigilância sobre as operações da BP. Com ironia, o autor diz que, se os liberais tivessem estudado um pouquinho os economistas conservadores, saberiam que esse risco já estava previsto.”

Sinta a Fúria

Liberais descobrem a crítica da direita ao poder de regular.

Não esperamos milagres dos presidentes, mesmo daqueles que fingem  poder  fazê-los. Assim sendo, não estamos entre aqueles que culpam Barack Obama por um governo que não consegue tapar um poço de petróleo a mil e seiscentos metros da superfície do mar. Deixamos essa ofensa para sua antiga torcida na esquerda, que tem insistido com o Sr. Obama, reprovando-o e implorando para  ele localizar e soltar o demagogo que existe dentro dele, em  reação ao desastre do Golfo do México.

Foi aquele espetáculo, com os  âncoras da MSNBC (canal de noticias a cabo), vários colunistas da NewsweekBoswells, furiosos e frustrados porque o presidente não pediu a cabeça dos executivos da BP em estacas. Tudo que ele tem feito até agora é permitir que seu Advogado Geral anuncie em altos brados uma investigação criminal sobre o vazamento – nada de demagógico nisso -embora não se possa aparentemente perceber no caso nenhum comportamento fora da lei.

A fúria dos liberais para com o presidente é quase tão extraordinária quanto a indignação deles ao descobrir  que as companhias de petróleo e seus agentes reguladores teriam ficado por demais a vontade. Na literatura econômica esse comportamento é conhecido como “captura regulatória”, e a atual ironia política é que isso é uma velha crítica conservadora ao estado regulador.

O economista prêmio Nobel, George Stigler, da Universidade de Chicago foi um dos principais criadores do conceito, que é um princípio seminal da escola de economia da “escolha pública”,  pela qual James Buchanan ganhou o Nobel de economia de 1986. Ronald Reagan chamou a atenção sobre isso em  termos diferentes, em um dos seus discursos de despedida.

Nos melhores textos de economia, a “captura regulatória” é descrita como uma “falha do governo”, em oposição à falha de mercado. Refere-se ao fato de que os indivíduos ou companhias com o maior influencia  ou  participação/risco em um determinado resultado político serão capazes de concentrar suas energias em políticos e burocracias para conseguir o resultado que eles preferem.

Talvez, se os liberais lessem mais os economistas conservadores, eles poderiam entender que isso é uma conseqüência comum do estado regulador, que eles tão diligentemente construíram através das  décadas. É também uma das  principais razões  pela qual  muitos de nós somos céticos em relação as soluções regulatórias rotineiramente oferecidas em resposta a cada acidente ou falência de negócio.

Deveríamos acrescentar que até aqui, baseando-se nas evidencias disponíveis, não sabemos se este vazamento foi realmente uma falha regulatória. Mas não importa, os mesmos liberais que fizeram  da perfuração de poços uma das  atividades mais reguladas da Terra, estão agora ocupados lastimando a burocracia e reajustando-a de forma que (eles prometem) esse tipo de acidente não  se repita nunca mais. Não soa afinal, como o pânico financeiro e a nova  medicação re-reguladora?

Como é notável ver um presidente que colocou  tanta fé  no poder do governo, ser esfolado pelos seus aliados por causa de uma falha do governo. É quase tão espantoso quanto ver Carol Browner, a czarina verde da Casa Branca e antigo flagelo dos combustíveis fósseis, ser interrogada na NBC a respeito de excessiva deferência ao Big Oil (refere-se ao grupo das seis maiores companhias internacionais de petróleo).  Às vezes, a vida é realmente justa.

Em relação ao presidente, ele parece estar aceitando a recomendação dos liberais, de  se enfurecer  com  o oceano e a BP. Ontem, além do vulgar “chute na bunda”, Obama disse no programa  NBC Today  que, embora não tivesse falado com o Diretor Executivo da BP, Tony Hayward, durante a crise,  teria demitido o Sr. Hayward nesse meio de tempo, se este trabalhasse para ele. O presidente também deu a entender que a BP deveria reduzir seus dividendos. As ações da BP caíram 5,7%, ontem.

Sem nenhuma dúvida esse fato vai tapar o vazamento.

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12 junho, 2010 às 01:19

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Categoria: Artigos

Comentários (2)

 

  1. Osmar disse:

    Muito obrigado, Mafra !! É-me uma honra poder colaborar um pouquinho com este grande blog. Um abraço, Osmar.

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