Um episódio extraordinário – a ação física se sobrepondo ao intelecto

Duas coisas chamam atenção na foto do pequeno grupo da Casa Branca assistindo ao vivo a operação dos Seals. Obama não está no centro do grupo, e a imensa  preocupação de Hillary, que de uma maneira muito feminina leva a mão à boca. Entrevistada, ela disse que foram os momentos mais intensos de sua vida. Sem dúvida. Deve estar além da imaginação assistir ao vivo uma operação militar em que homens descem de helicópteros por fios de aço, em completa escuridão, e têm como objetivo invadir uma casa e tentar matar a pessoa mais procurada do mundo. Quantas interrogações estavam na cabeça dos que assistiam: Esses homens vão morrer?  Osama estará na casa ? Quando vão começar a atirar ? E se for um completo fracasso, e os terroristas de uma forma ou de outra vencerem? E o pano de fundo não pode deixar de ter sido a tremenda admiração pela destreza, objetividade e coragem dos Seals. Aqueles que assumem todos os riscos, mesmo tendo pai, mãe, esposa, filhos. O que Hillary disse resume tudo. Foi mais intenso que o momento em que se casou, que o nascimento de sua filha, seu marido confessando o adultério na TV, a  descida do homem na lua, qualquer coisa. Nada pode se comparar ao que ela assistiu. Mesmo com a possibilidade de um imenso ganho político (o que aconteceu), Obama não deve ter sido capaz de desviar seu pensamento nem por um minuto do drama restrito ao ato físico, ficando preso a cada movimento dos homens vestidos de negro,  à espera do desfecho sangrento, para o bem ou para o mal. Absolutamente sensacional.

Essas poucas pessoas que acompanharam o episodio pela TV nunca mais poderão assistir filmes de ação militar da maneira que faziam antes. Tudo será patético, ridículo ante a brutal realidade do que viram em 40 minutos.

Os Estados Unidos comportaram-se exatamente como o Império Romano, que ia até o fim do mundo para punir seus criminosos, não desistindo nunca, mesmo se levasse uma eternidade. Discutiu-se  muito pouco esse aspecto. A nossa atenção está dirigida para o trivial, para os detalhes, quando o que conta é o fato puro, a punição exemplar, o longo braço da lei alcançando seu objetivo depois de dez anos. A única super-potência militar do globo, todo o resto é figuração.

7 maio, 2011 às 05:11

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Comentários (2)

 

  1. Ari disse:

    Perfeito Claudio!

    “o longo braço da lei alcançando seu objetivo” !!!

    acho que depois dessa… embora o ato de terrorismo, na maioria das vezes, acabe com a vida dos próprios executores… os mandantes viverão sempre o tormento de que a caçada não chegou ao fim. Haverá sempre uma fresta na porta, um ruido denunciador… uma pergunta sem resposta. Ao matar Osama os EUA deram um bom exemplo de que … um dia é da caça o outro do caçador.

  2. claudiomafra disse:

    Muito obrigado Ari

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