Um leitor comenta e o blog responde; Coronel do Exército, Comandante da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, no Pará, briga com a Comissão da Verdade; E Viva o ENEM! (Simon’s Site) ; Dois dados sobre o ENEM (Simon’s Site)

 

 

RECEBI DE UM LEITOR , PhD pelo MIT:

van der Mafra: que horror! não precisa apoiar o Obama. Mas, para contraste, por que criar um ente imaginário, o Sr. Romney!? Imagine. Não concordo, por exemplo, com o requinte religioso do Sr.Romney.  Enfim… Ele não me convenceu durante toda a campanha. Um camaleão. Abraço indignado do ..

PS: hoje almocei com jovens empresários liberais mineiros. Recomendei-lhes a leitura de reflexões radicais. Mas execrei a matéria sobre Obama e Romney.
 
EU RESPONDO:
 
 
A religião do Romney implica em não se usar a palavra sofisticado numa primeira abordagem. Acontece que escrevi, me incomodou ( justamente pelo que vc disse), mas fui deixando, e ficou definitivo. Não me arrependo. O que eu quero dizer com “numa primeira abordagem” ? Tudo é complexo. O meu artigo não pode ser entendido sem que se tenha lido alguns outros, ou, falta-me competência, ou é trabalho demais, ou estou cansado da repetição exaustiva para que a peça fique correta. O sofisticado, neste caso, teria que ser entendido realmente como o seu “ente imaginário” se contrapondo ao Obama, porque este último representa a “sofisticação” liberal, que me irrita até a medula por ser absurdamente falsa. A história do moço da cidade entre os caipiras ( que já repeti mil vezes) ilustra com precisão o que eu quero dizer. Acho que estamos vivendo um momento único, e sempre pego emprestada a expressão que vc me ensinou ( W. G. ?) o da “inteligência sem lucidez”. Isto é, por um fenômeno que levaria muito tempo para explicar (está no blog em muitos artigos),  a média dos liberais, comparados com a média dos conservadores mostra que os primeiros são mais inteligentes e mais cultos. Isto não vem de uma pesquisa científica, mas pode-se facilmente observar no dia a dia. No entanto, estão errados. Perderam o senso comum, o bom senso, a inexorabilidade da matemática. Como não fazem idéia do que está ocorrendo, ( e seria preciso morrer e nascer de novo para que entendessem), tratam os conservadores como se fossem trogloditas. Nós não nos importaríamos com essa opinião, mas acontece que dominam completamente a imprensa, mentindo TODOS os dias, e nos dificultando a vida.O caipira não entende muito bem esse negócio de ser preciso tratar o “ceguinho” de deficiente visual, ou o negro de afro-descendente, mas sabe que existem pessoas boas e pessoas más, criminosos e vítimas, enquanto o liberal está carregado de dúvidas a esse respeito.
 
Obama eu um considero um homem mau, no sentido exato da palavra. Um sujeito que não é bom, ao contrário do Romney. Para mim, Hillary Clinton é desprezivel, e assim por diante. Fico muito a vontade externando minha opinião tão contundente, porque um american liberal sente-se imensamente superior ao seu vizinho conservador. É alguma coisa tão apaixonada como a repulsa que um Fernando Henrique, ou você, sentem em relação ao PT. O Liberalismo nos EUA é uma religião em cruzada para salvar o mundo das injustiças, começando por “consertar” seu próprio país, do qual eles debocham, sentem vergonha, e tudo mais que vemos no NYTimes, filmes, tvs, etc. Quando eu cheguei na universidade foram vários os motivos que me fizeram optar pela AP, e não pelo partido comunista. Só depois de muitos anos ficou claro para mim que um deles foi o de não querer adotar outra religião, já que eu detestara ter sido protestante. O  american liberal é um religiosoisto é, dono da verdade, tremendo complexo de superioridade com relação à corja conservadora que se concentra no meio-oeste americano. Um novaiorquino acha ridículo votar no Romney. E, é dificílimo para ele não ser liberal porque basta olhar ao seu redor e constatar que as melhores universidades dos Estados Unidos (do mundo), são redutos liberais.
 
Por tudo isso, meu caro, é que eu entro nessa de chamar o Romney de sofisticado. Provavelmente seria melhor dizer que a sofisticação está em conseguir não ser engolido pelo processo de lavagem cerebral que criou o liberalismo nos EUA. Os caipiras ficaram imunes justamente por serem caipiras: não frequentaram as universidades, não estavam nas grandes cidades das costas Leste e Oeste quando a onda comunista de antes da 2a. Guerra Mundial conquistou parte da intelectualidade americana. Conhecemos muito bem o poder de mobilização do comunismo. Conseguida a adesão de um professor de Harvard, um diretor de cinema em Hollywood, a praga se expandiu exponencialmente. Com o tempo, e muita historia rodada, o núcleo do marxismo-leninismo foi perdido. Restou esta repulsa aos extremamente ricos, a vontade de redistribuir riqueza, a culpa pela convivência com a pobreza, e , é muito longo e muito chato explicar toda a transição que resultou em Hillary Clinton. Se vc chegou até aqui é um herói. Acho que deveria ler o “O Fascismo de Esquerda”, mas presumo que também já disse isso. O livro não trouxe nenhuma novidade conceitual, mas fiquei conhecendo muitos fatos sobre Mussolini e sua influência nos Estados Unidos, muita coisa sobre o New Deal, enfim, vale a pena ler. abraço
-.-.-.-..-.-.-.-..-.-.-.-..-.-.–.

Escrito depois: É evidente que considero a ELITE conservadora superior à ELITE liberal, ou… estaríamos liquidados. Outro ponto a ser observado é que o liberal, como regra, está ligado às Ciências Humanas. Isto é fundamental porque, como eu já disse,  implica em que os jornalistas sejam liberais, e na qualidade de formadores de opinião por excelência, está montada uma máquina infernal, que espalhada pelo mundo faz de Obama o favorito de todos, até de um menino jogando  futebol num campinho em Zanzibar.

Convencer um sociólogo liberal de que a bomba em Hiroshima foi uma benção porque salvou a vida de, no mínimo, 11 milhões de pessoas é impossivel. As placas do seu cérebro já colaram, feito as antigas baterias de carros. Então vamos conversar com um engenheiro, que também, por ter sido informado pelos agressivos jornalistas e intelectuais liberais, considera o lançamento da bomba um crime. No entanto, devido à sua formação matemática ele sim, pode aceitar meus argumentos que são baseados em números e fatos concretos, ao invés da ficção que nos foi impingida. Mas, acima de tudo,  ele  está em seu terreno quanto ao encadeamento lógico, e desta maneira muda de opinião sem nenhum problema. Então: quanto mais matemática menos chances de liberalismo.   

 

————————-

 
 

ENEM no IDEB? Oportunidade ou Manipulação?.

José Francisco Soares
GAME-FAE- UFMG

O ministro da educação Aloísio Mercadante anunciou recentemente que o IDEB para o ensino médio será calculado usando-se os resultados do ENEM, ao invés dos resultados da Prova Brasil aplicada aos alunos do terceiro ano do Ensino Médio, tal como é hoje.

Para analisar quão apropriada é esta sugestão é preciso explicitar algumas características do IDEB. Este indicador é o produto de uma medida de aprendizado dos alunos, colocada em uma escala de 0 a 10, pela média da taxa de aprovação na etapa do ensino considerada, que é um número entre 0 e 1.

A taxa de aprovação consiste no número de aprovados dividido pelo número total de matriculados. Ou seja, para que essa taxa seja alta é preciso que tanto a reprovação quanto o abandono sejam pouco freqüentes. No entanto, o abandono é particularmente freqüente no ensino médio. Ou seja, independente da forma de medir o desempenho, o IDEB do ensino médio será baixo considerando as atuais taxas de aprovação no ensino médio.

Para transformar a nota da prova Brasil em um número de 0 a 10 o INEP usa uma transformação linear, construída a partir do maior e menor valor observado para a nota dos alunos em 1997, ano em que a escala foi estabelecida. Como a variação das notas de matemática é maior, a nota padronizada de matemática de uma escola é quase sempre maior que a respectiva nota padronizada em leitura. Assim, pelo IDEB, os estudantes brasileiros aparecem como melhores em matemática do que em leitura, resultado que é um mero efeito da maneira em que as notas são padronizadas, e que é contrário a outras evidências como as do PISA, a avaliação internacional da OECD. Além disso, a medida de desempenho dos alunos usada IDEB considera apenas os alunos presentes na escola no dia da Prova Brasil. Uma consulta aos microdados da Prova Brasil referentes a 2009, recém divulgados, mostra que 15, 25 e 50% dos alunos que deveriam fazer o teste, respectivamente, no quinto e nono ano do ensino fundamental e no terceiro ano do ensino médio, não o fizeram. No ensino médio é fácil entender a grande taxa de ausência: a prova Brasil é aplicada depois que os alunos fizeram o ENEM e não é obrigatória. Assim não tem nenhum interesse para os alunos. Com isso, não se sabe exatamente quais são os alunos que a responderam.

A proposta de introdução da métrica do ENEM para o cálculo do IDEB do ensino médio coloca questões técnicas cuja solução pode se constituir em uma ótima oportunidade de tornar mais conhecidos os mecanismos internos da bússola da educação brasileira. Entre tantas perguntas destacam-se: Como serão padronizadas as notas das quatro provas do ENEM? A nota de redação será incluída, mesmo com os questionamentos da sua comparabilidade em relação às outras provas? Como será tratado o problema da ausência de alunos? Como serão calculadas as metas das escolas de ensino médio? Para responder essa última pergunta será preciso pensar como, no caso do Ensino Médio, o PISA pode ser usado como comparação, como foi feito no primeiro IDEB. Isso implica em discutir quais são os níveis do ENEM que podem ser considerados adequados. Ou seja, introduzir uma interpretação pedagógica dos escores do ENEM.

Uma eventual troca de indicadores exige um estudo técnico, que apresente respostas para questões como as indicadas acima e que seja posteriormente validado por amplo debate. Se bem feita, a troca permitiria que fossem estabelecidas metas individuais para cada escola, tal como já existe com o IDEB para o ensino fundamental. No entanto é preciso salientar que essa mudança, por si só, não toca nos reais problemas do ensino médio: sua natureza enciclopédica, seu oferecimento, majoritariamente, no turno noturno, sua organização única e acadêmica. Neste sentido a discussão do indicador é secundária, ainda que necessária e útil.

 

 DOIS DADOS SOBRE O ENEM ( Prof. Simon Schwartzman)
Posted: 05 Nov 2012 05:46 PM PST

Enquanto aguardamos os resultados do ENEM deste ano, vale a pena olhar alguns dados de 2010, os últimos disponíveis para análise. Naquele ano se inscreveram 4.6 milhões de pessoas, mas só cerca de 3.2 milhões, ou 70%, fizeram as provas. Não encontrei uma explicação para isto, mas o que se observa é que a desistência está fortemente relacionada com a educação dos pais, que, como sabemos, também está relacionada com nível de renda da família, ter estudado em escola pública, etc. Entre os candidatos com pais que não estudaram, 38% desistiram da prova de matemática, por exemplo. Entre os com mais de nível superior, a desistência foi de 18%, a metade.

O Ministério da Educação decidiu que o ENEM serviria também para dar um certificado de nível médio para quem não tivesse este diploma, e que o requisito para isto seria ter pelo menos 400 pontos em todas as provas. Naquele ano,  540 mil pessoas tentaram obter este certificado, e só 26% conseguiram. Para este ano o Ministério achou que 400 pontos era pouco, e elevou para 450. Aplicando este critério para os candidatos ao certificado em 2010, a percentagem de aprovados cairia para 11%.

Se o critério para ter o certificado do ensino médio são 450 pontos ou mais em todas as provas, quantos dos candidatos do ENEM de 2010 satisfazem este critério, ou seja, têm a qualificação mínima necessária para quem conclui o ensino médio? A tabela acima mostra que são somente 27% do total, variando, como era de se esperar, de apenas 12% para pessoas cujos pais não estudaram a 49% para os filhos de pais com educação superior.

Não há muita novidade nestes dados, que confirmam a péssima qualidade de nosso ensino médio, que afeta sobretudo a população de famílias mais pobres e menos educadas.  Eles mostram que, para a grande maioria dos que se candidatam ao ENEM, a prova é uma ilusão cruel, cujo resultado já está em grande parte predeterminado pelas suas condições socioeconômicas e pela má qualidade da educação que tiveram até aí. A solução correta para esta situação seria, antes de mais nada, melhorar o ensino médio, e , ao mesmo tempo, não exigir que todos passem pelo mesmo tipo de prova, em nome de uma igualdade que não existe  (veja a charge que publiquei ontem sobre isto). A solução mais fácil é criar uma política de cotas que, sempre em nome da equidade social,  transfere para as universidades públicas a responsabilidade de lidar com um problema para o qual elas não estão equipadas para resolver.

-.-.-.-.–.-.-.—.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.–.-.-.-.-.-

RECEBI DE UM LEITOR (e, puxa vida, achei ótima, sesquipedal, a atitude do coronel, pena que não existam outros feito ele)

 

Aloprou: Coronel do Exército interrompe reunião pública no Araguaia e manda militares se retirarem.
-.–.-.-.-.-.-.-.-.-.-…-.-.-.-.-.-.-.
Reunião do GTA sofre interrupção em Marabá.
 
 
 
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
Num gesto exaltado e de destempero, o coronel Celso Osório Souto Cordeiro, do Comando da 23ª Brigada de Infantaria de Selva, no Pará, interrompeu aos berros a reunião do Grupo de Trabalho do Araguaia (GTA) em Marabá (PA), onde era exibido um documentário com depoimentos de camponeses vítimas dos militares durante a Guerrilha do Araguaia. Cordeiro ordenou a seus subordinados que abandonassem o salão, num hotel da cidade. O oficial ainda bateu boca com o representante da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) do grupo, Gilles Gomes. A discussão só não virou agressão física graças à intervenção de integrantes do Ministério da Defesa. Puxa, mas que pena! Sempre alguém para atrapalhar.  O episódio ocorreu no último dia 23, mas vem sendo mantido em sigilo dentro do governo.— Militares, todos fora! — gritou o militar, que, em julho, fora condecorado com a Medalha do Pacificador, concedida pelo Comando do Exército.O GTA foi criado pelo governo para cumprir a sentença judicial de buscar informações e tentar localizar restos mortais de desaparecidos políticos na região. O Exército tem dado apoio logístico às ações desde 2009. Este foi o primeiro atrito mais grave entre militares e civis desde então. Esperamos que seja o primeiro de uma interminavel série.  O grupo é formado por representantes dos ministérios da Defesa e da Justiça e da Secretaria de Direitos Humanos.

Internamente, a atitude do coronel foi considerada grave, mas superável. Tá bom. Teria que perder o comando no mesmo dia. Se não aconteceu é sinal de fraqueza dos petistas.  Se o ministro da Defesa,  Celsinho Amorim, fosse um homem, e não um lagarto, teria destituído o coronel.  Oficialmente, o Ministério da Defesa e a Secretaria de Direitos Humanos informaram que estão tratando do assunto. Desde a última sexta-feira, a cúpula da secretaria tem debatido o assunto e chegou a redigir uma nota pública condenando o gesto do coronel. O militar pode ser afastado das próximas expedições do GTA. Só isso ? Hilário.

O presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, Marco Antônio Barbosa, criticou Cordeiro. A comissão é vinculada à SDH.

— Isso que ocorreu foi grave. A colaboração do Exército até agora era de uma logística de boa qualidade.  Foi surpreendente. Um gesto violento e incompatível com os tempos de hoje. Que tempos ? Os de Lula,  Zé Genoino, Zé Dirceu, tempos de canalhas ? É lamentável, e o que se espera é que seja dada uma resposta à altura e compatível com a história dos parentes — disse ele.

Sete parentes de desaparecidos e vítimas da ditadura presentes ao encontro elaboraram uma carta aos ministros da Defesa, da Justiça e dos Direitos Humanos na qual repudiam o fato. No texto, os parentes fazem um protesto contra a “atitude malsã e desequilibrada do oficial militar”.

Ex-vereador do PCdoB, Paulo Fonteles Filho, observador do grupo e presente à reunião, escreveu no seu blog: “(O coronel) esbaforido e nervoso gritou, no meio da sessão, orientando grosseiramente que todos os seus subordinados se retirassem dali”.

nota do blog: Para quem se esquece, é bom lembrar que esse PC doB  quer dizer : PARTIDO COMUNISTA DO BRASILEntão, meus caros, o tal do Paulo Fonteles Filho é comunista. Isso quer dizer alguma coisa, ou vocês já se esqueceram do que significa a maldita palavra ?

9 novembro, 2012 às 01:17

Tags:

Categoria: Artigos

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copy This Password *

* Type Or Paste Password Here *