Uma piloto estava pronta para sacrificar sua vida no 11 de setembro

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Uma piloto estava pronta para sacrificar sua vida no 11 de Setembro

Vídeo: Angoinette Crosby, do Washington Post, conversa com o repórter Steve Hendrix sobre um dos primeiros aviadores (ou piloto militar – Fonte: http://www.wordreference.com/enpt/pilot) que correu atrás dos ataques do dia 11 de Setembro.

Sem artilharia a bordo, ela encontrou-se frente à possibilidade de ter que enfiar seu avião em cima de um dos aviões de passageiros seqüestrados.

No final da manhã de terça feira, onde tudo mudou, a tenente Heather “Lucky” Penney estava na pista da Base da Força Aérea Andrews e pronta para voar. Sua mão estava no acelerador de um F-16 e já tinha as suas ordens: Destruir o vôo 93 da United Airlines. O quarto avião seqüestrado do dia estava indo rumo à Washington. As ordens de Penney, um dos primeiros pilotos no ar naquela manhã, era de derrubar o avião.

A única coisa que ela não tinha enquanto subia cada vez mais nos céus cristalinos, era munição. Ou mísseis. Ou qualquer coisa que pudesse ser jogado contra uma aeronave hostil.

Exceto, seu próprio avião. Então este era o plano.

Já que ataques surpresas aconteciam, naquela época, mais rápidos do que eles podiam armar aviões de guerra, Penney e seu comandante decolaram para enfiar seus jatos no Boeing 757.

“Não estaríamos atirando contra ele. Estaríamos nos jogando pra cima da aeronave,” diz Penney ao relembrar sua função daquele dia. “Eu seria praticamente um piloto kamikaze.”

Durante anos, Penney, uma das primeiras pilotos de combate de primeira geração do país, não deu nenhuma entrevista sobre suas experiências do 11 de Setembro (o que incluiria, eventualmente, escoltar o Air Force One de volta ao espaço aéreo extremamente restrito de Washington).

Porém, 10 anos depois, ela reflete sobre uma das histórias menos relatadas sobre aquela manhã que foi examinada até os pequenos detalhes: como o primeiro contragolpe das forças armadas dos EUA seria jogar seu avião contra os agressores em uma efetivamente missão suicida.

“Tínhamos que proteger o espaço aéreo de qualquer maneira possível,” ela disse no seu escritório no Lockheed Martin, onde ela é diretora do projeto F-35.

Penney, presentemente uma major, mas ainda uma loira “Mignone” de sorriso Colgate, não é mais uma piloto de combate. Ele voou dois turnos no Iraque e é piloto da Guarda Nacional em regime de meio expediente, geralmente transportando VIPs em um jato militar Gulfstream. Ela voa o seu vintage Taylorcraft tail-dragger de 1941 quando tem tempo.

Mas nenhuma de suas mil horas no ar se compara com a dose de adrenalina de se lançar no que supostamente seria um vôo sem volta, rumo a uma colisão.

Primeira de sua espécie

Ela era uma novata no outono de 2001, a primeira piloto de F-16 feminina que eles tiveram no 121º Esquadrão de Caça da Guarda Nacional de D.C. Ela cresceu cheirando gasolina pra jatos. Seu pai voou jatos no Vietnã e voa neles até hoje. Penney conseguiu sua carteira de piloto quando era bacharel em literatura em Purdue. Ela queria ser professora. Mas durante um curso de graduação em Estudos Americanos, o Congresso abriu aviação de combate para as mulheres e Penney era quase a primeira da fila.

“Eu me inscrevi imediatamente,” diz ela. “Queria ser um piloto de caça que nem meu pai”.

Naquela terça feira, eles haviam acabado de completar duas semanas de treinamento de Combate Aéreo em Nevada. Estavam sentados em volta de uma mesa de instruções quando uma pessoa entrou na sala para dizer que um avião havia colidido contra o World Trade Center em Nova York. Quando aconteceu uma vez, eles presumiram que poderia ter sido um jeca em um Cesna. Quando aconteceu novamente, eles sabiam que era guerra.

Mas a surpresa foi óbvia e completa. Naquelas primeiras horas de enorme confusão, era impossível receber ordens claras. Nada estava pronto. Os jatos ainda estavam munidos das balas falsas da missão de treino.

Quão notável possa parecer agora, não havia nenhuma aeronave municiada em standby e nenhum sistema no lugar para enviá-la rapidamente para Washington. Antes daquela manhã, todos os olhos olhavam pra fora, ainda examinavam as antigas ameaças da guerra fria sobre o caminho de aviões e mísseis que chegariam através da camada de gelo polar.

“Não havia nenhuma aparente ameaça na época, especialmente uma vinda da pátria,” diz Col. Geroge Degnon, vice-comandante da 113ª asa de Andrews. “Foi um sentimento de desamparo, mas fizemos tudo humanamente possível para armar a aeronave armada e colocá-la no ar. Foi incrível ver as pessoas reagirem.”

As coisas são diferentes hoje em dia, – diz Degnon. Pelo menos dois aviões armados estão sempre prontos, e seus pilotos, nunca estão mais distantes do que dois cockpit.

Um terceiro avião atingiu o Pentágono, e quase que imediatamente, chegou noticia de que um quarto avião poderia estar a caminho, talvez até outros. Os jatos seriam municiados dentro de uma hora, mas alguém tinha de voar agora, com ou sem armas.

“’Lucky’, você vem comigo,” gritou o Col. Marc Sasseville.

Eles estavam se preparando na área de pré-vôo quando Sasseville, com dificuldade pra entrar em sua roupa, encontrou o olhar de Penney.

“Eu vou para o cockpit,” disse Sasseville.

Ela respondeu sem hesitar.

“Ficarei na cauda.”

Era um plano. E um pacto.

“Vamos!”

Penney nunca teve que agilizar um jato antes. Normalmente os preparativos de pré-vôo são checagens metódicas de mais ou menos meia hora.  Ela automaticamente começou a mentalizar a lista de preparativos.

“’Lucky’, o que está fazendo? Suba agora e vamos!” gritou Sasseville.

Ela subiu, correu para dar partida nos motores, e gritou para sua equipe de solo para que eles tirassem as escoras. O chefe de equipe ainda usava seus fones de ouvido quando ela empurrou o acelerador pra frente. Ele correu do lado removendo os pinos de segurança  do jato enquanto este último seguia em frente.

Ela murmurou uma reza de pilotos de caça – “Deus, não me deixe f”….. tudo” – e seguiu Sasseville rumo ao céu.

Eles gritavam ao passar por cima do Pentágono em chamas, voando em direção noroeste a 400 mph e olhando o horizonte. Seu comandante teve tempo de pensar no melhor local para atingir o inimigo.

“Nós não treinamos para abater aviões civis,”  diz Sasseville, que agora trabalha no Pentágono. “Se você atinge apenas o motor, ele ainda pode planar. Eu pensei no cockpit ou na asa.”

Ele também pensou no seu assento de ejeção: Será que haveria algum momento antes do impacto?

“Esperava fazer os dois ao mesmo tempo,” diz ele. “Talvez não funcionasse, mas era o que eu esperava naquele momento”.

A preocupação de Penney era de errar o alvo se ela se salvasse.

“Se você se ejeta e seu jato voa sem ter um impacto….” ela disse, interrompendo sua própria fala, o pensamento de falir sendo pior que aquele de morrer.

Mas ela não precisou morrer. Ela não precisou derrubar um avião cheio de crianças e vendedores e namoradas. Eles fizeram isto sozinho.

O fato ocorreu horas antes de eles ficarem sabendo que o vôo United 93 já tinha caído em Pensilvânia, resultado de uma insurreição dos reféns, que estavam dispostos a fazer a mesma coisa que os dois pilotos de caça estavam dispostos a fazer: qualquer coisa. E tudo.

“Os verdadeiros heróis são os passageiros do Vôo 93 que estavam dispostos a sacrificar a si mesmos,” diz Penney. “Eu fui apenas uma testemunha acidental da história.”

“Ela e Sasseville voaram o resto do dia, checando o espaço aéreo, escoltando o presidente, olhando uma cidade que em breve, os enviaria pra guerra.

Penney é agora uma mãe solteira de duas filhas. Ele ainda ama voar. E ainda pensa bastante sobre aquela decolagem extraordinária há uma década.

“Eu honestamente pensava que aquela seria minha ultima decolagem,” diz ela. “Se tivéssemos feito como pensado, teria sido.”

TRADUÇÃO: Andréa Borges

14 setembro, 2011 às 13:17

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Categoria: Artigos

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