Vídeo com Charles Krauthammer: A estratégia de Obama para sua reeleição; A importância da educação infantil (Simon’s Site)

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BILL O’REILLY, ANFITRIÃO: No segmento “Back of the Book” esta noite: Quase todas as eleições no país mostram o apoio ao presidente Obama progressivamente se desmantelando. Então, se ele quiser ser reeleito, tem que fazer algo surpreendente. Charles Krauthammer acha que ele sabe o que fazer. Charles se une a nos agora, de Washington. Então, ele vai fazer isto de forma pessoal, certo?

 

CHARLES KRAUTHAMMER, COLABORADOR DA FOX NEWS: Bem, não é o que ele vai fazer, é o que ele já vem fazendo agora, uma decisão que já tem alguns meses. Veja, ele não pode concorrer como um candidato a reeleição em exercício geralmente faz. Um dirigente geralmente concorre para reeleição por uma de duas coisas: por gerenciamento, como ele manejou o país e a economia ou pela ideologia ou sua visão política. Ele não pode prosseguir com sua forma de administrar, num país com 9% de desemprego, com crescimento estagnado, praticamente zero, e tendo acumulado um valor de 4 trilhões de dólares de débito em três anos, um imenso recorde interno. Ele também não pode concorrer usando as visões, a ideologia. Então,no que ele vai dar continuidade? “Eu passei um trilhão de dólares de incentivos que foram gastos sem deixar rastro. Eu passei um sistema de saúde que é bastante impopular, que esta levando a todos os tipos de incertezas, e do qual, na última semana, tivemos que cortar o mais importante elemento porque é completamente impraticável.

Ele não pode funcionar na visão. Ele não pode funcionar na gestão. Então, para o que ele esta concorrendo? Ele esta gerenciando inveja, inveja de classe, demonização. Os ricos são responsáveis pelas doenças da America e os democratas são os protetores dos destituídos e os republicanos são os protetores dos ricos. É isso.
O’REILLY: Certo. Eu tenho uma pergunta antes de entrarmos especificamente em como você demoniza. Alan Colmes, o grande da comunicação, continua a manifestar o mantra de que os incentivos funcionaram, que eles nos mantiveram fora da depressão. Mantiveram tudo melhor e etc. Você diz sem dúvida que essa ajuda financeira falhou. O presidente Obama, eu assumo, vai dizer, “Bem, Colmes diz que isso funcionou, e nos dessa maneira estaremos fora da depressão”. E parece que algumas pessoas vão acreditar nisso.
KRAUTHAMMER: Mas isso não é nem o que Obama esta dizendo. Ele tentou isto nas eleições ano passado, e é uma farsa. O povo não vai te reeleger por uma hipótese de empregos na cabeça de um alfinete. O que ele esta dizendo agora é – ele nem fala sobre os incentivos. O que ele só fala agora, ele esta dizendo que as misérias do país vêm de 1% de prósperos, como você ouve dos manifestantes de Wall Street, os bem abonados 1% que roubaram, furtaram e destruíram a economia americana, e todos os outros estão sofrendo, e os republicanos são os que protegem esses 1%. Essa é a historia – não é uma defesa dos incentivos. Não é uma defesa do Obamacare. Não é uma defesa de sua gestão. Ele não tem uma defesa.

O’REILLY: Isso realmente não faz nenhum sentido- não faz nenhum sentido dizer que, em 2005, 2006 e 2007, um monte de idiotasde Wall Street estava tendo vantagem do clima negligente das hipotecas, que saiu do governo federal. Como você sabe, Barney Frank e Fannie Mae, nos todos passamos por isso. E, consequentemente, o que eles fizeram levou a uma catástrofe e, a propósito, há alguma verdade nisso. Alguma verdade nisso. Mas um eleitor, mesmo um eleitor que não é tão esperto poderia dizer, “Bem, o Sr. Presidente teve três anos para melhorar isso, e você simplesmente piorou as coisas”. E então, o que ele diz?

KRAUTHAMMER: Olha, e para tornar esse argumento mais fraco ainda, se esse é o argumento, então, Obama, se essas pessoas terríveis em Wall Street são os que causaram tudo isso, suas políticas não fizeram nada para melhorar a situação. Não é verdade que você indicou como seu secretário do tesouro, Timothy Geithner, o cara que foi o engenheiro das operações emergenciais de resgate, e que você renomeou como presidente do Banco Central Americano, o cara que fez os planos de resgate com Timothy Geithner? Você mesmo como senador e presidente apoiou os resgates. Então, de repente, você está agora fingindo e pensando que os americanos – que o povo americano não vai se lembrar de que você era a favor da ajuda financeira, as pessoas que você agora denuncia como pessoas que nunca mereceram isso e que estão destruindo a America. Seja o que for, isso não faz sentido, mas é tudo que ele tem.

O’REILLY: Mas as pessoas – muitos votantes nem sequer prestam muita atenção.

Então, a última pergunta para você esta noite é: Há insatisfação suficiente na America agora – pessoas furiosas com suas situações econômicas – a ponto de reagirem assim, “Eles são os caras maus, e os republicanos estão protegendo os caras maus”? Há o suficiente para fazer do Sr. Obama um ganhador nesta eleição?

KRAUTHAMMER: Eu acho que não. As únicas pessoas que gostam dessas coisas são as da esquerda. Ele as tem de qualquer forma. Elas não vão apoiar nenhum republicano de forma nenhuma. O povo americano esta descontente. Eles estão desmoralizados de várias maneiras, e eles estão assim, pela situação da economia. Mas quando você joga com inveja, isso funciona em outros países; para a maioria na America, não funciona. Os americanos entendem que não é uma questão de ricos destruindo os pobres ou a classe média. É bem maior – e eles entendem isso – é sobre uma eleição governamental, uma eleição política. É sobre os políticos e as políticas.

O’REILLY: Charles, obrigado, como sempre.

TRADUÇÃO DE CÉLIA SAVIETTO BARBOSA

 

A IMPORTÃNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL (cientista político Prof. Simon Schwartzman)

Posted: 24 Oct 2011 06:20 AM PDT

Na quarta feira dia 26 de outubro serão publicados, finalmente, os resultados dos trabalhos do grupo de estudos sobre educação infantil instituido pela Academia Brasileira de Ciências em 2008 com a participação de especialistas em neurobiologia, economia e psicologia do desenvolvimento cognitivo. A publicação coincide com um seminário internacional sobre a experiência internacional e brasileira em aprendizagem infantil, realizado conjuntamente pela Academia e a Fundação Getúlio Vargas, cujos detalhes estão disponíveis aqui.

A evidência analisada pelo grupo de trabalho, resumida no texto abaixo, não deixa dúvida quanto à importância do desenvolvimento cognitivo dos primeiros anos no desempenho das pessoas ao longo da vida, dos benefícios econômicos dos investimentos nestes primeiros anos, e da importância dos métodos de alfabetização baseados no desenvolvimento da consciência fonológica por parte das crianças.

Dois desdobramentos importantes  não analisados pelo grupo decorrem destas conclusões, e requerem aprofundamento.

Primeiro, a educação infantil e pré-escolar se expandiu muito no Brasil na última década, mas sem mecanismos de acompanhamento e garantias de qualidade, e absorvendo recursos que talvez fossem melhor utilizados em outros níveis mais estruturados. Além de consumir recursos, existem evidencias de que educação infantil e pré-escolar de má qualidade pode ter efeitos danosos sobre as crianças. Qualquer política de expansão deste nível educacional deve estar centrada e apoiar ao máximo o relacionamento das mães com seus filhos, e zelar pela qualidade das creches e escolas.

Segundo, o que fazer com o grande estoque de jovens que não tiveram os estímulos e as oportunidades de uma boa educação nos primeiros anos, e que hoje mal conseguem terminar o ensino médio? As evidencias dos trabalhos de Heckman e outros mostram que os custos de recuperação escolar desta população no currículo convencional pode ser demasiado alto, e os resultados, duvidosos. Este é um forte argumento para a necessidade de pensar em caminhos alternativos e diversificados de estudo sobretudo a partir do ensino médio, proporcionando as competencias cognitivas e não cognitivas que possam ser adequadas para os diversos segmentos da população.

Sumário das conclusões e recomendações do Grupo de Trabalho sobre Educação Infantil

O PROBLEMA

• O desempenho educacional das crianças brasileiras é muito inadequado. Resultados da Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, avaliação do movimento Todos pela Educação divulgada em agosto de 2011, mostram que 57,2% dos estudantes do terceiro ano do ensino fundamental, o que corresponde a antiga segunda série, não conseguem resolver problemas básicos de matemática, como soma ou subtração. Resultados semelhantes são encontrados na avaliação dos estudantes brasileiros no Programa International de Avaliação de Estudantes da OECD, PISA.
• Dificuldades de linguagem são associadas às de processamento matemático e de lógica. Falhas na alfabetização dificultam a incorporação de conhecimentos importantes para o desenvolvimento profissional.
• Embora o número de alunos no ensino médio venha aumentando de forma significativa nos últimos 20 anos, menos de 60% dos jovens de uma coorte conseguem concluí-lo, porém este número tem se estabilizado. Uma fração ainda menor ingressa no ensino superior.

CAUSAS

• Parte do problema se deve tanto à falta de recursos e má utilização destes, quanto à ausência de uma política nacional eficaz de atração, seleção e retenção de melhores professores. Outra parte ao descompasso entre as políticas específicas de atenção às crianças (antes da escola e na alfabetização) e as recomendações que decorrem de evidência científica internacional.
• De acordo com a neurobiologia, sabe-se que o desenvolvimento mais acentuado da estrutura cerebral (volume e maturação cerebral e, notadamente, sinaptogenese) ocorre nos primeiros anos de vida. Consequentemente, este é um período sensível para o desenvolvimento das habilidades envolvidas no processo de aprendizagem da linguagem. Eventual atraso na estimulação dessa habilidade poderia implicar perda do melhor momento para o desenvolvimento do reconhecimento da relação grafema-fonema, tão importante para a leitura, no futuro, de palavras desconhecidas. Este fato tem sido ignorado na formulação de políticas públicas de educação.
• Essa evidência se complementa pelos estudos em economia que mostram a grande rentabilidade de investimentos que ocorrem na mais tenra idade e produzem habilidades, que são utilizadas para acumulação de outras habilidades (“habilidade produz habilidade”). Por exemplo, é muito difícil formar um engenheiro que não tenha desenvolvido habilidades básicas de álgebra. Estudos recentes mostram que investimentos que ocorrem entre os três e quatro anos de idade têm uma taxa de retorno de 17% ao ano, enquanto alguns programas de recuperação tardia apresentam retornos que são nulos e muitas vezes negativos (custo maior do que o benefício).

RECOMENDAÇÕES

Atenção à infância: é importante investir na educação durante os primeiros anos

  • Estabelecer políticas integradas e flexíveis de atendimento às famílias com crianças pequenas, conforme suas diferentes circunstâncias e necessidades, visando assegurar o direito a condições básicas de se desenvolver. Estas políticas devem minimizar o efeito dos fatores de risco, entre os quais a condição social e econômica de seus pais. Famílias em condições críticas, especialmente em relação à violência, pobreza extrema, ambientes tóxicos, e monoparentais, requerem atendimento diferenciado.
  • Desenvolver políticas públicas que apoiem as mães na educação e no desenvolvimento dos seus filhos.
  • DIncorporar no atendimento pré e pós-natal dos serviços de saúde pública e da assistência familiar já existentes as dimensões de desenvolvimento cognitivo e linguístico das crianças. Inovações tecnológicas no tratamento de epidemias e a acentuada queda da taxa de fecundidade abrem espaço para que a estrutura física e os recursos humanos da área de saúde sejam mobilizados para estimular o desenvolvimento cognitivo que é precário em boa parte das famílias brasileiras, principalmente aquelas provenientes de famílias de baixa condição socioeconômica. Tanto a evidência da neurobiologia quanto a da economia apontam altos retornos para essa realocação de recursos na fase inicial da vida. Para tanto, será importante incentivar e capacitar os profissionais da área, especialmente os profissionais da saúde.
  • Dar prioridade para o diagnóstico precoce de condições que afetam o desenvolvimento posterior da criança, tanto na linguagem quanto na sociabilidade. Propiciar tratamentos adequados para as crianças com necessidades especiais, tais como déficits auditivos, visuais, e crianças que possam ser incluídas no espectro autista.
  • Estabelecer, para as creches e pré-escolas, mecanismos de regulação que assegurem a qualidade dos atendentes, proporção adequada entre adultos e crianças, equipamentos, livros e infraestrutura, de modo a promover o desenvolvimento integral da criança incluindo o seu desenvolvimento linguístico e lógico-matemático, e atitudes que favoreçam uma posterior escolarização bem- sucedida.
  • Desenvolver programas de capacitação e certificação de educadores da primeira infância de nível médio e superior que levem em conta os conhecimentos científicos sobre os fatores que promovem o desenvolvimento infantil.
  • Estimular programas para promover o hábito da leitura em casa.

Alfabetização: devem ser utilizados métodos baseados em evidência científica

  • Levar em consideração a evidência científica e as orientações oficiais dos países mais avançados com relação à importância de adoção de políticas, materiais e métodos adequados de alfabetização. Ainda não há estudo nacional semelhante.
  • Tomar como referência os estudos sobre a neurobiologia da aprendizagem para se repensar a prática educacional. O melhor conhecimento dos circuitos neurais para a expressão e entendimento verbal, aquisição da habilidade da leitura e manutenção dos mecanismos atencionais e estratégia de aprendizagem são importantes para estabelecer processos mais eficientes de alfabetização.
  • Reforçar a importância da estimulação da capacidade de decodificação fonológica, no início da alfabetização, independentemente da intervenção escolhida para o ensino da leitura.
  • Estabelecer orientações, currículos e programas de ensino de alfabetização que levem em consideração a evidência acima.
  • Estabelecer critérios, indicadores ou expectativas para indicar que o aluno foi alfabetizado até no máximo 7 anos de iddde.
  • Estabelecer políticas de adoção e aquisição de livros e materiais didáticos que estimulem a provisão de materiais ricos e variados adequados para ensinar, de forma consistente, as múltiplas competências associadas ao processo de alfabetização.
  • Incluir, nos programas de ensino das pré-escolas, competências que facilitem e preparem o aluno para o processo de alfabetização.
  • Estimular a leitura em voz alta, considerando que isso contribui para a ativação da área cerebral relacionada ao processamento auditivo, favorecendo o desenvolvimento da capacidade da associação fonema-grafema.
  • Estabelecer políticas e assegurar recursos para criar e manter atualizadas bibliotecas escolares e bibliotecas de sala de aula.

Pesquisa e formação profissional:

  • a formação de profissionais para a pré-escola e as séries iniciais deve ser alinhada às necessidades específicas da primeira infância e da alfabetização
  • Estimular o desenvolvimento de pesquisas através da formulação de experimentos e levantamento sistemático de dados que explorem o relacionamento da dimensão neurobiológica e psicológica com a educação. Determinar os custos e os benefícios de diferentes intervenções voltadas para o desenvolvimento infantil.
  • Criar centros de ensino e formação de profissionais para apoio às instituições que cuidam da primeira infância.
  • Rever as orientações sobre formação de professores alfabetizadores, assegurando que essa formação seja feita de forma teórica e prática e em consonância com princípios científicos atualizados consistentes com a ciência cognitiva da leitura.

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26 outubro, 2011 às 19:34

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Categoria: Artigos

Comentários (3)

 

  1. acportal disse:

    Muito bom este Blog.

  2. Gabriel Nunes disse:

    Olá, Mafra,

    Gostaria de pedir para que você fizesse um post falando sobre os postulantes a concorrer o ano que vem contra o Obama, principalmente dos candidatos Ron Paul (que apesar de suas propostas libertárias estão dizendo que trabalha para os russos) e Herman Cain.

    Atenciosamente,

    Gabriel Nunes

    • claudiomafra disse:

      Olá, Gabriel,
      está nos planos uma pequena análise mostrando quem são e as chances de indicação. obrigado

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