Eles já estão perdendo a paciência! Falam os Generais brasileiros – Consolidação da Conquista do Poder- comentário do blog

nota: O blog grifou os trechos que estão em azul, e fez seus comentários em vermelho. Reparem que os generais que estão na reserva, e portanto podem se manifestar, estão cada vez mais impacientes com os seus chefes ainda na ativa. Tirem suas conclusões.

Consolidação da Conquista do Poder

Artigo no Alerta Total – http://www.alertatotal.net
Por Marco Felicio

Quem tem a obrigação de conhecer os fatos ocorridos neste País desde os anos 60, inteirou-se do surgimento do PT e de sua trajetória após a contra-revolução de 64, vivenciou os anos de governo do apedeuta Lula e de seus asseclas, aparelhando e domesticando os três poderes da República, incluso o Ministério da Defesa e a oposição política, criando imenso curral eleitoral por meio de políticas assistencialistas, praticando toda sorte de corrupção, favorecendo o próprio Lula, familiares, amigos, o PT e a conquista de aliados.

Mentindo ou omitindo descaradamente, inteligentemente, buscaram o apoio das massas mais carentes e até mesmo da maioria da população instruída, criando uma nova estória para tal período, vendendo a imagem antítese do que sempre foram : revolucionários comunistas, totalitários, assassinos, seqüestradores, torturadores, assaltantes, justificando as suas maléficas ações pelo objetivo de impor ao povo brasileiro a ditadura do proletariado ( os fins justificam os meios).

No curso de suas ações, conquistaram o poder pela via legal, o voto, e, agora, trabalham para a consolidação da conquista do mesmo. O objetivo maior é o enfraquecimento e transformação das Forças Armadas, derradeiro obstáculo a ser vencido. Estão elas reduzidas a quase milícias. Vivem brutal escassez de recursos materiais e financeiros, utilizadas em missões internas diversas que não condizem com a finalidade precípua respectiva, deixando-as a reboque de ações e circunstâncias sobre as quais não têm o comando e o controle total respectivos. Seus quadros recebem salários aviltantes em relação à média salarial dos poderes constituídos e, até mesmo, já inferiores aos de policiais militares, contrariando a Constituição Federal.

Seus comandantes têm sido vergonhosamente engabelados por meio de promessas que se sucedem e que jamais são cumpridas. (ÊPA!) Em nome da disciplina e da hierarquia, aceitam ordens e situações que fragilizam a imagem das Forças. Por eles, fala até mesmo indivíduo processado e acusado de corrupção, José Genoíno, assessor do MDef. Assim, omitem-se, incapacitando suas respectivas lideranças e forte poder de influência. Deixam que se aproveitem da Democracia para matá-la. (Cada vez mais forte o texto do general Marco Felício)

Como acreditar nas intenções democráticas e conciliadoras da Presidente eleita, faxineira de faxinas malfeitas, enganadoras, e não de malfeitos, se foi escolhida a dedo para dar continuidade a nefasto projeto em andamento ? Como acreditar em suas palavras se os auxiliares diretos, por ela escolhidos, não escondem, claramente, os caminhos e os objetivos a atingir, já delineados, sabidamente, no governo anterior ?

Exemplo maior se mostra a sórdida “Comissão da Verdade”, criada com o beneplácito dos comandantes das Forças Armadas, presentes quando do seu “lançamento”, escutando, calados, barbaridades inaceitáveis. Serão eles “ingênuos” ? Não o creio ! ( ÊPA!)Onde se encontram os órgãos e assessores de Inteligência ? Omissos, intimidados ? Não o creio !

Confirmando o acima, afirma o recente Manifesto dos Clubes Militares: “Para finalizar a semana, o Partido dos Trabalhadores, ao qual a Presidente pertence (esteve ela presente à comemoração), celebrou os seus 32 anos de criação. Na ocasião foram divulgadas as Resoluções Políticas tomadas pelo Partido. Foi dado realce ao item que diz que o PT estará empenhado junto com a sociedade no resgate de nossa memória da luta pela democracia (sic) durante o período da ditadura militar.” O próprio manifesto conclui: “Pode-se afirmar que a assertiva é uma falácia, posto que, quando de sua criação, o governo já promovera a abertura política, incluindo a possibilidade de fundação de outros partidos políticos, encerrando o bi-partidarismo.”

A hora é de ação, pois, o desenlace está mais do que a vista. ( DUAS VEZES ÊPA!!!)Somente não enxerga a realidade quem não tem interesse em vê-la. Infelizmente, estamos em fase de consolidação do poder, empolgado por gente que ao invés de servir ao Brasil dele se serve.

A “ação” não significa, de imediato, colocar tropa na rua e agir em força (embora não se possa descartar tal ação, em último caso, em defesa dos interesses da Nação, real detentora da soberania nacional). ( TRÊS VEZES EPA !!!)Significa posturas e atitudes firmes dos comandantes militares junto ao Ministério da Defesa e à Presidente da República, respaldados pelos seus deveres constitucionais, consoante o artigo 142 da Lei Magna e leis complementares 97, 116 e 136 de 1999, 2004 e 2010, respectivamente. Que exerçam o seu poder de influência, não só o político, mas, também, o que advem da tutela dos meios violentos do Estado, acionando o Judiciário e o Ministério Público, para que a Lei Maior seja fielmente cumprida em todos os seus aspectos, incluso naquele que incumbe às FFAA a missão de Defesa Externa, devendo para isso serem aquinhoadas com orçamentos compatíveis com a estatura político-estratégica e econômica que o País revela ao mundo, tornando-as capacitadas, como Força de Dissuasão, frente aos choques de interesses em um mundo pleno de conflitos.

Marco Felício é General na Reserva

 

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Mundo pós-americano? Nem tanto – (imperdivel, obrigatória a leitura do artigo de Victor Hanson – comentários do blog)

 

VICTOR DAVIS HANSON, NATIONAL REVIEW, É ESCRITOR, BOLSISTA SÊNIOR DA HOOVER INSTITUTION -

Em uma crítica ferina a Mitt Romney, no início do mês, Fareed Zakaria elogiou Barack Obama por sua compreensão nuançada do que Zakaria chamou de “mundo pós-americano”: NOTA DO BLOGFareed Zakaria escreve em várias revistas importantes, é conceituadíssimo entre os liberais americanos, e de uns tempos para cá tornou-se um entrevistador especial da CNN. Ele sempre me impressionou pela imensa mediocridade e distância do senso comum. É um anti-americano por excelência. Comento no próprio texto. (Depois teremos o artigo de Victor Hanson criticando Zakaria.)

Fareed Zakaria:   “Este é um novo mundo, muito diferente do mundo ‘americano-cêntrico’ com o qual nos habituamos na última geração. Obama conseguiu preservar, e aumentar até, a influência dos Estados Unidos neste mundo precisamente porque reconheceu essas novas forças em ação. Ele viajou para nações emergentes e falou com admiração de sua ascensão.  Para começar vamos dizer que Obama é negro e liberal, uma combinação mortífera para sua análise do comportamento americano. Suas viagens ao exterior logo que assumiu a presidência foram um fracasso. Ele  pediu desculpas envergonhadas pelo comportamento de seu país, que  julgava imperialista, dando toda a razão aos que pelo mundo afora odeiam os USA. Foi um vexame tanto pelas suas genoflexões quanto pelo resultado nulo. Ingênuo, pensava que sua imensa popularidade no mundo ocidental, a recepção que teve em capitais europeias, dignas de um astro pop, seria suficiente para apagar a imagem americana no Oriente, que julgava, em parte,  fruto da administração Bush, desconhecendo a enorme complexidade da questão, que remonta décadas. Além disso, julgava-se portador de uma mensagem inteligentíssima que o seu ego monstruoso acreditava infalivel. Principalmente nas nações emergentes ele foi recebido como “mais um presidente americano”, nada além disso.  Ele substituiu o velho clube ocidental e fez do Grupo dos 20 o fórum central das tomadas de decisões para os assuntos econômicos globais. Com a ênfase em organizações multilaterais, estruturas de alianças e legitimidade internacional, ele obteve resultados. Um delírio.  Não obteve resultados no Grupo e em nenhum outro lugar. Para dar uns poucos exemplos: Fez concessões aos russos ( o escudo de Bush), paparicou ridiculamente o ditador Chavez, paparicou Lula, abriu para todo o Oriente hostil o “diálogo sem pré-condições” e fracassou inteiramente Foi a cooperação chinesa e russa que permitiu sanções mais duras contra o Irã. Mas, isso é absurdo. Justamente a falta de cooperação russa e chinesa é que impede o estrangulamento econômico do Iran. As compras que China e Índia fazem do petróleo iraniano esvaziam as sanções, e o Iran pode, inclusive, dar-se ao luxo de cortar o fornecimento para 4 importantes nações européias.  No caso russo voltamos ao antigos problemas da Guerra Fria. Foi o pedido formal da Liga Árabe, no ano passado, que tornou incontroversa a intervenção ocidental na Líbia. Em geral, o senhor (Zaka está se referindo a Mit Rommey) ridicularizou essa abordagem da política externa argumentando que, em vez disso, expandiria as forças militares, agiria unilateralmente e não falaria apologeticamente. A tradução é péssima, mas vamos em frente: O grande mérito da intervenção na Líbia cabe principalmente a Sarkozy, que desesperado para mudar a face francesa aos olhos do mudo, isto é, a de um país decadente  e militarmente acovardado, deu o primeiro passo e atacou a Líbia antes mesmo da UE concordar, no que foi criticado por Ângela Merkel. Obama veio muito depois. Isso pode agradar aos eleitores das primárias republicanas, mas as bravatas triunfalistas não o ajudarão a garantir os interesses ou os ideais americanos em um mundo habitado por novos líderes poderosos.” Que novos líderes poderosos ? Esse é um sonho liberal e anti-americano. Não existe nada comparavel ao presidente dos Estados Unidos, nem de longe. O poder se conta em termos militares, e todos os países estão anos-luz distantes da tremenda força americana. A Rússia possui bombas atômicas e foguetes para transporta-las ate os Estados Unidos, da mesma forma que a China, mas isso somente conta se pensarmos na destruição do mundo. No processo de intervenções convencionais todos os país são uma pulga perto do elefante americano. E, tanto Rússia quanto China, em décadas se abstiveram da loucura de confrontarem os USA em um processo que levasse ao emprego dessas bombas. Portanto o que conta é a imensa tecnologia americana nos porta-aviões ( só nucleares são 10), aviões excepcionais, submarinos convencionais e atômicos, bombas não nucleares com as quais os outros países nem sonham. O que acontece é que todo esse poderio , de tão grande, chega a ser escondido pelos liberais, para que não sejam obrigados a usa-lo, mesmo que a guerra seja justa. O que os liberais querem sempre é a RENDICÃO, seja no Vietname, Afeganistão, Iraque, ou qualquer outro cenário. Ver clicando no título o meu artigo: Yoani-Obama. USA: Potência de Segunda Classe ?  e tenham um ideia do que os Liberais tentam esconder .

DEPOIS DO COSTUMEIRO BLÁ, BLÁ, BLÁ, ALIENADO E ESTERIOTIPADO DE UM LIBERAL, VAMOS AGORA AOS BRILHANTES COMENTÁRIOS DO AUTOR DO ARTIGO, VICTOR HANSON:

 

Por onde começar na acusação do sr. Zakaria? George W. Bush viajou com frequência a “nações emergentes”, assim como Bill Clinton. As iniciativas multibilionárias do primeiro para ajudar a combater a aids na África salvaram milhões de vidas. Muito antes de Obama, as reuniões do G-alguma-coisa já eram mais que “o velho clube ocidental”.

Diferentemente de Obama na Líbia ou Clinton na Sérvia, Bush não interveio no Afeganistão ou no Iraque sem primeiro obter apoio do Congresso. Bush obteve aprovação da Organização da ONU para a intervenção no Afeganistão e tentou obter para o Iraque. Por contraste, Clinton não foi à ONU antes de bombardear a Sérvia, e Obama obteve resoluções da ONU para aplicar uma zona de exclusão aérea na Líbia e oferecer ajuda humanitária, e depois excedeu sumariamente ambas bombardeando tropas terrestres.

A guerra com o Irã está mais provável agora do que estava em 2008. A abertura de uma embaixada americana na Síria não serviu para nada, enquanto China e Rússia mancomunadas bloqueiam os esforços americanos para impor sanções a Damasco. A Liga Árabe autorizou uma ação americana na Líbia e depois se queixou quando interpretamos seu apoio hesitante como uma luz verde para bombardear em vez de meramente dar assistência material e militar aos rebeldes. A Líbia não serve de modelo para nada, e esse padrão não será seguido na Síria. Infelizmente, a remoção forçada pelos americanos de um tirano sem a presença de tropas terrestres americanas – absolutamente diferente do que foi feito na Alemanha, Itália, Japão, Sérvia, Panamá, Afeganistão e Iraque – não dá nenhuma garantia de que alguma coisa igualmente má possa lhe suceder, como estamos vendo no “Inverno Árabe”.

No caso do Irã, promessas em voz alta de conversações diretas; ameaças vazias sobre prazos; esforços fracassados de acordos de permutas com os russos para conter a proliferação; quase silêncio quando manifestantes lotaram as ruas de Teerã na primavera de 2009; referências apologéticas sentimentais por nosso papel no golpe de 1953 contra Mossadegh; e oferecimento ostensivo de ajuda à Síria, melhor amiga do Irã na região, combinados com reprimendas ainda mais ostensivas a Israel, o pior inimigo do Irã na região – tudo isso tornou a bomba iraniana e uma guerra no Golfo Pérsico mais e não menos provável.

Em suma, temo que “organizações multilaterais” e “legitimidade internacional” há muito foram reduzidas, sobretudo, a pontos para disputas partidárias. A histeria liberal sobre Guantánamo, entregas de prisioneiros para tortura em outros países, tribunais, detenção preventiva e uso de aviões não tripulados desapareceu quando Obama os adotou ou expandiu.

Se houver uma guerra com o Irã, a esquerda ficará tão silenciosa sobre um esforço preventivo como esteve ruidosa sobre o Iraque.

“Bravatas triunfalistas” certamente não são uma coisa inteligente, mas pior é fazer acordos ingênuos e capengas à custa dos interesses e aliados americanos. Não se pode argumentar a sério que, desde 2009, China, Irã, Coreia do Norte, Rússia, Síria ou Venezuela ficaram mais razoáveis ou foram mais dissuadidos pelos Estados Unidos. Os velhos pontos quentes em Afeganistão, Chipre, Leste Europeu, Iraque, Ilhas Malvinas (ou Falklands), México, África do Norte, as antigas republicas soviéticas, Taiwan, e a Cisjordânia não estão mais frios que em 2009, apesar de toda a frieza do Obama 2012, e estão provavelmente mais quentes e mais instáveis. Não creio que aliados como Grã-Bretanha, Canadá, Índia, Israel ou Polônia estejam mais e não menos amistosos.

Novo papel. Então, que história é essa de o presidente ser elogiado por fazer a transição dos EUA para um “mundo pós-americano” no qual supostamente os americanos terão de aceitar uma nova realidade multipolar para substituir o conceito fossilizado de excepcionalidade americana? A dívida imensa dos EUA, a ascensão da China, e o surgimento de Índia e Brasil como grandes economias são geralmente oferecidos como prova de que os pós-americanos devem aceitar um novo papel de “liderar de trás” no exterior. Mas, em 1939, havia mais concorrentes multipolares – França, Grã-Bretanha, Alemanha, Rússia e Japão – do que há agora. E, de várias maneiras, todos esses rivais menosprezavam uma América isolacionista da era da Depressão, a despeito do fato de que os EUA possuíam a maior economia do mundo e tinham, milagrosamente, apenas duas décadas antes, enviado um milhão de homens à Europa em um único ano para garantir a vitória aliada sobre a Alemanha imperial.

Faz muito tempo que ouvimos pela primeira vez as conversas pós-americanistas da moda. Modelos supostamente superiores na Alemanha nazista e no Japão imperial empolgavam as multidões e produziam armas modernas bem mais que a América da Grande Depressão. Depois, os “declinistas” nos advertiram sobre a União Soviética comunista ascendente, que invadia o Leste Europeu e a Ásia, e cujos mísseis subiam, diferentemente dos nossos, que explodiam na plataforma de lançamento. Depois foi a vez do Japão & Cia, nos anos 70, que ia se apossar de nossos campos de golfe, enquanto a nós caberia aparar seus gramados. Depois, no fim dos anos 90, foi a vez da União Europeia utópica, que lembrou os americanos do desperdício que era o orçamento militar e como era tola a desconfiança do aquecimento global causado pelo homem. Agora, o fato de que a China possui um trem-bala e os EUA não, supostamente deve convencer os americanos de que meio bilhão de chineses que nunca foram a um médico ao estilo ocidental e a paisagem industrial chinesa parecida com a área em torno do Lago Erie por volta de 1920 simplesmente não importam.

Mas será que devemos considerar a mais recente tendência a advertências enganosas? Os pós-americanos com certeza meteram-se numa arapuca financeira ao tomar emprestados US$ 12 trilhões adicionais de 2000 para cá. Se Obama for reeleito, o país terminará sua presidência com mais dinheiro emprestado do que todos os presidentes anteriores juntos. Os EUA incorrem em déficits comerciais crônicos e terceirizaram milhões de empregos no exterior. O desemprego permanece alto, o crescimento econômico, moroso.

Concessões federais para a exploração de petróleo são canceladas e oleodutos não são construídos. Os EUA não pacificaram o Iraque rapidamente, e continuam atolados no Afeganistão.

Mas isso tudo não significa um mundo pós-americano. Por quase todos os padrões históricos para avaliar civilizações, o século 21 parece muito mais brilhante para os EUA do que para seus rivais. O crescimento da população americana é robusto. Estamos aumentando diariamente nossas reservas conhecidas de combustíveis fósseis; as da Europa e da China estão em declínio. Copiar e rivalizar com a economia de livre mercado dos EUA são realizações impressionantes da China, mas dificilmente provam que a China pode imitar, da mesma maneira, nossa Constituição, inclusão racial, transparência ou dinamismo cultural. A despeito de toda conversa sobre a pós-America, não devemos esquecer que um americano ainda produz, em média, três vezes mais bens e serviços do que três chineses.

A Constituição americana facilita o intercâmbio econômico; a Rússia e a China pós-comunistas ainda não conseguem fazer a quadratura do círculo de governo autoritário e mercados livres. Em sua pior crise financeira nos últimos 80 anos, os EUA mesmo assim se mostraram mais robustos e estáveis que a União Europeia, que está prestes a se tornar pós. A Índia ainda é tolhida por problemas de casta, a Europa por fronteiras de classe, China, Japão e Coreia do Sul por fortes distinções raciais, e o mundo árabe por fidelidades tribais insidiosas.

A ideia de um presidente Obama brasileiro ou chinês é fantasiosa. Todos esses estereótipos parecem muito pós-alguma-coisa. Entre as grandes potências, os EUA são, ao contrário, uma sociedade aberta multirracial unida por uma cultura, onde o mérito, mais que raça, tribo, nascimento ou classe, determina o sucesso.

blog: Agora prestem atenção: Quando os pós-americanos falam cretinamente sobre reduzir as forças militares, ainda deveríamos nos lembrar de que todas as outras forças-tarefa navais combinadas do mundo não terão, durante décadas, o poder de uma única das 11 dos EUA.  (Victor Hanson está se referindo às 11 esquadras americanas). A China enfrenta tumultos; a Rússia enfrenta tumultos; a Europa enfrenta tumultos; o mundo árabe é um grande tumulto ultimamente. Os EUA têm alguns carnavais de rua balbuciantes do Ocupe Wall Street.

Inspiração. Uma China autoritária, em processo de envelhecimento, carente de recursos naturais, mercantilista e racialmente intolerante não é nenhuma inspiração para uma África com aspirações. As elites latino-americanas não enviam seus filhos a Tóquio para estudar medicina. Famílias americanas não estão emigrando para a Índia ou o Brasil em busca de oportunidades. Americanos cruzam a fronteira em suas férias, não para encontrar trabalho na América Latina. Os equivalentes de Facebook, Amazon, Walmart e Google da pós-América não brotam numa supostamente ascendente Istambul ou Mumbai.

A ONU também não oferece esperança de substituir a influência americana. Na Líbia, os EUA bravatearam que obtiveram aprovação da ONU para uma zona de exclusão aérea e ajuda humanitária, mas depois tiveram que violar essas resoluções para se unir a seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no bombardeio às forças de Muamar Kadafi. A possibilidade de o Irã criar uma bomba nuclear, ou a Coreia do Norte usar uma delas contra Coreia do Sul ou Japão, não vai depender do Conselho de Segurança da ONU, ou da dissuasão chinesa; vai depender do medo desses Estados renegados de uma resposta dos EUA. De novo, no pé em que estão as coisas na Síria, a ONU é irrelevante.

Evidentemente, os EUA deveriam trabalhar com seus aliados. Eles devem ser um bom cidadão internacional e, onde for possível, abraçar a cooperação internacional.

Quem se importa se em alguma ocasião um presidente americano inseguro sinta-se obrigado a se curvar ou pedir desculpa a dirigentes estrangeiros? Os EUA terão de reduzir sua captação de empréstimos, pagar as dívidas e reformular o sistema de benefícios sociais, para não enfrentar uma crise financeira.

Dito isso, não vamos confundir os entusiasmos passageiros com as verdades inalteradas das eras. Um novo aeroporto em Xangai, a Olimpíada brasileira, um novo gasoduto russo, ou uma nova zona industrial indiana ainda não nos dizem muito sobre os princípios e valores subjacentes de nações que até agora não foram capazes de criar instituições transparentes, constituições consensuais estáveis, sociedades legalmente sustentáveis, e um avanço com base antes no mérito que em questões raciais ou tribais, do tipo que permite que uma nação enfrente crises, se adapte e cresça mais forte.

No século 21, em comparação com as alternativas, o mais provável é estarmos numa era pré-americana do que pós-americana.

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK ( publicado no Estadão de 21 de fevereiro de 2012)

 

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Quanto deve ganhar um juiz ? (2) – (Carlos Alberto Sardenberg)

*CARLOS ALBERTO SARDENBERG

 

Juízes do Brasil todo  reclamaram da coluna da semana passada, com o mesmo título  acima.Protestaram mais, porém, magistrados do Judiciário estadual de São Paulo. Estes se queixam duplamente: dos vencimentos básicos, que consideram baixos, como todos, e de sua situação, digamos, desfavorecida. Os  paulistas têm menos vantagens do que seus colegas de outros Estados.

Muitos me enviaram links para as leis estaduais que regulam a remuneração dos juízes, algumas delas mais do que generosas. Muito citada  foi a Lei n.º 5.535/09, do Estado do Rio de Janeiro, pela qual desembargadores e juízes, mesmo aqueles que acabaram de ingressar na carreira, chegam a ganhar mensalmente de R$ 40 mil a R$ 150 mil. A remuneração básica, de R$24.117,62, é hipertrofiada por “vantagens eventuais”. Alguns desembargadores receberam, ao longo de apenas um ano, R$ 400 mil cada, somente em penduricalhos, conforme apontou reportagem deste mesmo Estadão.Tudo dentro da lei, tem repetido o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro,  Manoel Alberto Rebêlo dos Santos – mas a lei é alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. Segundo juízes paulistas, o Judiciário do Distrito  Federal  é ainda mais escandaloso.

Assim, por ironia, ficamos sabendo que a argumentação da coluna da semana passada fazia todo sentido. Por todo o Brasil,  juízes e magistrados deram um jeito de driblar a lei do teto  com “vantagens pessoais” que multiplicam muitas vezes o chamado “subsídio”. Ficamos sabendo, também, que há desigualdade entre os juízes e, de um modo geral, no quadro do aparelho Judiciário (promotores ganhando mais que magistrados, por exemplo).Os juízes paulistas que me escreveram não reivindicam esses “quebra-galhos”. Mas acham que ganham pouco e merecem mais.Dizem que R$ 20 mil por mês, no início de carreira, não está à altura do trabalho e da função social.

Para escapar das avaliações subjetivas  – todo  mundo  acha que trabalha muito e ganha pouco , é preciso fazer comparações. Um juiz federal nos Estados Unidos  começa ganhando  US$174 mil ao ano, o que dá pouco mais de R$ 25 mil ao mês, ao câmbio de R$ 1,75.  O juiz paulista ganha R$ 260 mil ao ano (13 salários), o que dá cerca de US$ 150 mil – ou US$ 24 mil a menos do que seu colega americano.Mas a comparação não se esgota aí. O juiz americano ganha o equivalente  a 3,6 vezes a renda per capita nacional. O brasileiro ganha 12,5 vezes mais.

Ainda na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o salário médio real do trabalhador brasileiro, em janeiro deste ano, foi de R$ 1.672. Ou seja, os juízes (e demais da carreira judiciária) ganham pelo menos 12 vezes mais que a média nacional.Resposta dos diretamente interessados: os salários são baixos no Brasil, não se pode nivelar por aí. Mas são baixos, comparados com os americanos, justamente porque o país não é rico.E aqui reparem:  os Estados Unidos estão entre os países mais ricos do mundo  e mesmo assim não pagam a seus magistrados 12 vezes mais que a média ou a renda per capita nacional.

Muitos, de novo, compararam os salários da magistratura com os ganhos dos advogados do setor privado. Não faz sentido. John Roberts, presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, faturou  US$ 1  milhão em 2003, seu último ano na iniciativa privada, como advogado. Ganha atualmente US$ 223 mil ao ano, ou cerca de R$ 32,5 mil por mês, pouco mais que o vencimento básico do juiz da Suprema Corte brasileira.Roberts tem batalhado pelo aumento salarial dos seus juízes, mas reconhece que não há como compará-los com advogados bem-sucedidos. Se fosse assim, observa, ele não teria como explicar por que trocou  a advocacia pela magistratura.

Mesmo porque, se quisesse ganhar mais dinheiro e se considerasse competente para enfrentar o mercado privado competitivo, ele poderia perfeitamente renunciar ao cargo na Suprema Corte. Como podem fazer todos os de mais, lá e aqui.Já um outro membro da Suprema Corte, Stephen Breyer, sugeriu comparar o salário do juiz com o de um professor titular de uma boa faculdade de Direito. Lá, o mestre  ganha mais. Aqui, bem menos.

Tudo considerado, o juiz brasileiro, mesmo sem os penduricalhos, ganha proporcionalmente mais que seu colega americano e mais que os colegas de muitos outros países mais ricos. E muito mais que a média do trabalhador brasileiro, estando entre os mais bem pagos do setor público.Perderam a noção. Além dessa discussão, digamos, objetiva, há magistrados que, falando francamente, perderam a noção.Quando defendem o salário, dizem que não é líquido, pois descontam Imposto de Renda e previdência. Ora, todos os assalariados descontam.Dizem que pagam mais para a sua previdência, os 11% sobre o salário total. Verdade. Mas recebem aposentadoria praticamente integral, muito mais vantajosa do que a do pessoal do INSS.Reclamam de que não têm FGTS. Lógico que não, pois não podem ser demitidos.

E há campeões nesse quesito. O novo presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, Marcelo Bandeira Pereira, disse à jornalista Juliana Bublitz, do Zero Hora, sobre a “necessidade” das férias de 60 dias: “Trabalhamos com o raciocínio, com a cabeça, e o juiz é juiz 24 horas por dia. Existem dois meses de férias, mas um mês nós consumimos tentando recuperar o serviço atrasado”.Ora, quem não trabalha com a cabeça, além dos cavalos? E como um leitor sugeriu ao meritíssimo: “Faça como todo brasileiro normal, curta os 30 dias e trabalhe os outros 30 dias normalmente, que o serviço não atrasa”.

 

*JORNALISTA

E-MAIL: SARDENBERG@CBN.COM.BR SITE: WWW.SARDENBERG.COM.BR

 

 

 

 

 

 

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A respeito da posição dos liberais brasileiros e a demonização do governo Bush

 

Meu caro,

Vou tentar dizer alguma coisa. Eu não sei quase nada sobre teorias. Não posso dizer com precisão quais foram os iniciadores de um pensamento aqui e ali, e que ramificações, dissidências, e oposição, aconteceram. Infelizmente meu instrumento para analisar o que está acontecendo é a História, a que aprendi na escola, o que continuo aprendendo, e a que foi vivida por mim com enorme intensidade emocional, o que considero um complemento indispensável para o conhecimento intelectual.

As pessoas a quem você se refere, criaram teorias, ou as aceitaram e, chegando ao poder, são rotuladas pela escolha que fizeram. Mas, no caso presente – seu e-mail – as doutrinas, ou estratégias de poder não diferem entre si de uma maneira radical como o fundamentalismo judaico- cristão versus a teoria das espécies. Acho que são sutis, e podem ser muito instigadoras, muito estimulantes para os estudiosos, para os profissionais, mas não acredito que estejam funcionando nos USA da forma como o artigo apresenta.

Agora eu vou dizer o “óbvio” entre aspas porque é a maneira como entendo a política americana. Peço um pouquinho de paciência. As subdivisões contidas na grande chave democratas – republicanos as vezes desaparecem, e as vezes são mais fortes, como no momento que vivemos. Refiro-me ao surgimento dos neoconservadores. O que permanece constante são os democratas, ou liberais, que defendem uma maior participação do estado para garantir uma vida melhor para os pobres, e os republicanos que acreditam que essa vida melhor consegue-se exatamente pela menor interferência do governo. Da mesma forma que o impacto da bolsa-família do Lula, os democratas á primeira vista são generosos, estão com o futuro ao seu lado, e por isso mesmo têm o apôio da esquerda em todo o mundo. Eles são os “bons”.Os republicanos contam na maioria das vezes apenas com a maioria silenciosa dentro dos Estados Unidos. Na comunidade internacional ele são estigmatizados como reacionários, são os “maus”. Da mesma forma que o PT, ou como nós mesmo fomos em nossa juventude, os democratas são mais enérgicos, mais ágeis, mais intelectualizados, mais atuantes, sua auto-crítica é mínima, sua argumentação pode ser desonesta porque não se incomodam se é fato ou desejo. Por um fenômeno que nos afeta no dia a dia, um fenômeno psíquico, ( não cabe analisar) os republicanos historicamente, ( pelo menos a partir de 1945) ficaram na defensiva. Continuam na defensiva. Por natureza são mais contidos, são mais aristocráticos, e estão sempre se explicando. Quando erram são crucificados. Os democratas, exatamente como a esquerda, como o PT, passam esplendidamente por cima dos erros e vão em frente.

Eu acho que a maneira como foi levada a invasão do Iraque, a maneira como tem sido mantida a guerra, nada tem a ver com o fato do Bush ser neoconservador, com o Paul Wolfwitz ser um teórico, Rumsfeld ser outro expoente do neoconservadorismo, etc. Isto tem muito mais importância para os acadêmicos do que o que está acontecendo de fato. Este é um ponto grande de discordância entre nós, e muito natural, sendo você um cientista político. Rumsfeld é figura antiga na política americana. Participou de vários governos, desde os trinta anos de idade. Da maneira como tem sido colocado parece que ele surgiu em um passe de mágica do neoconservadorismo. Eu já disse, ele aprovou um plano militar muito bem feito, o do general Meyers, ganhou a guerra com esse plano e depois tentou a vitória na ocupação. Acho que houve pouco tempo, pouco espaço para qualquer opção teórica. Administrou levando em conta o poder militar, a experiência americana, e a grande disposição dos democratas por não perderem um excepcional momento para lucrar com as dificuldades do governo, no momento em que elas aparecessem. Ele foi derrubado por esse último fator. Eu o considero brilhante, suas entrevistas são antológicas

Você tem toda a razão quando diz que um plano (ou uma teoria) envolve o conhecimento da sociedade americana, de que maneira ela funciona, envolve saber qual a reação dessa sociedade nas dificuldades. (Mas isso não impede um juízo de valor, o meu juízo de valor, que considera a oposição democrata anti-patriota, imoral). Mas, o que é o cerne da questão é que eu discordo de que tenha havido qualquer coisa diferente do que estamos acostumados a ver.

Tínhamos um exemplo que foi o Vietnam. Eu me lembro de você dizendo, “não sei não, acho que os USA entraram em uma guerra onde vão ficar encalacrados”. Eu discordei. Achei que a vitória por si só era tão extraordinária ( não foi uma vitória militar trivial, os Estados Unidos tomaram dois países quase ao mesmo tempo com um custo ridículo de vidas ), e a causa tão justa, tão mais clara aos olhos da plebe (diferindo do Vietnam), que pensei que a sabotagem que já corria a mil por hora dessa vez não conseguiria se sobrepor a essa excepcional reação ao ataque ás torres. Mas, voltando ao ponto inicial, não houve nada de diferente do que aconteceu com Johnson Nixon, Ford. Um movimento de esquerda derrotou esses três governos.

Pode haver um pano de fundo para o futuro americano no mundo, um pano de fundo sonho do neoconservadorismo. Não sei o que significaria, no que seria diferente de outros sonhos de outros presidentes. Concordo que a política de detente tenha sido uma teoria criada por um homem, George Kennam e que tenha sido aplicada durante muitos anos. Concordo em que Reagan tenha sido um fundamentalista, que tenha aplicado uma teoria do bem e do mal com enorme sucesso . Concordo em que Kissinger seja um “realista” e tenha aplicado a realpolitik durante o governo do Nixon com um exemplo excelente na guerra árabes-judeus em 1973. (Com Nixon ele não estava se impondo, ou doutrinando, os dois compartilhavam do mesmíssimo pensamento, embora talvez Nixon nunca tenha sabido que estava exercitando realpolitik. Kissinger dizia que no plano interno Nixon era um arruaceiro político, mas que nas relações internacionais, era perfeito). Gostaria muito de saber no que Kissinger diverge na abordagem do Iraque. Pouco tempo atrás circulou entre nossos (seus) amigos uma entrevista, ou um statement dele. Se fosse alguma coisa importante eu acho que me lembraria. Ele é, claro, absolutamente contrário á retirada. Sentiu na pele, o que houve no Vietnam, sentiu na conferência de PaRIS, sentiu quando o Vietnam do Norte rasgou o tratado folha por folha.

Eu realmente não entendo como vocês não percebem que um país não pode retirar suas tropas em uma luta onde tem superioridade militar. Pelo menos deveriam reconhecer o quanto fortalece o inimigo o simples mencionar dessa hipótese. E suponho que todos consideram os terroristas como inimigos. Os motivos políticos que impedem uma vitória a médio prazo podem ser enfrentados de mil formas. No caso do Iraque até deixar haver uma carnificina entre eles, enquanto se aguarda dentro dos quartéis. Existem mil soluções, mas tem que haver um mínimo de patriotismo. É aí que entra a esquerda. E é aí que você acha que eu estou sendo medíocre, sem dúvida.

Não sei, ou não me lembro, de como foi chamada a política de Kennedy, em que teoria ele estava ancorado. Ele tem o meu respeito por ter sido um homem muito corajoso. No mais, a tal turma intelectualizada chamada de “Camelot” era um bando de alcoólatras, estupradores, ricos mimados. Qual a diferença entre Kennedy invadir o Vietnam, Johnson continuar e Nixon terminar eu não sei. Tivemos dois democratas e um republicano fazendo o que tinham que fazer, concordo inteiramente com eles. Isto deixando de lado Eisenhower que foi o início do início. Eu vejo a guerra do Vietnam com a esquerda, os democratas, derrotando a direita, os republicanos.

Hillary foi a favor da guerra do Iraque. Muitos outros democratas também. Quer dizer que o neoconservadorismo, neste momento, está na maneira de conduzir um conflito dentro do país vencido ? É isso ?

Existe um outro ponto importante. Nós damos valor a sentimentos de honra, lealdade, dignidade enquanto pessoas. Quando se refere a Estados a tendência dos intelectuais, a tendência da esquerda, é achar que não se aplica, que é ingenuidade, que é ridículo pensar que um presidente americano tenha esses princípios em sua política externa. É um tremendo engano. Não quero falar sobre wilsonianismo. Quero dizer que na guerra pelo mundo AINDA existem os bons e os maus. Igualzinho ao faroeste (se alguém me vê dizendo uma coisa dessas me rotula como debiloide) Na Bélgica eu vi um correspondente dizendo sobre a guerra nos Balcans : “ aqui não existem mocinhos e bandidos, todos são bandidos” Concordei imediatamente. Diferente do Iraque onde eu sei que os mocinhos são os americanos, ingleses e os fantásticos australianos, e os bandidos são os terroristas. Colocar “sofisticação” nisso, colocar petróleo, interesses de corporações, Rumsfeld bandido, para mim é tipo teoria conspiratória ou anti-americanismo brabo, ou as duas coisas juntas, o que é o mais comum.

Acabei de abrir ( na livraria) um livro enorme sobre o Oriente Médio escrito por um correspondente, acho que inglês (Fisk ?). Com um passar de olhos joguei de volta na mesa. Falava que o saque após a queda de Baghdad, o famoso saque, o tal que inclui o museu, tinha sido culpa dos americanos, e o sujeito esbravejava : “ESTA SITUAÇÃO, SEUS FIHOS DAS PUTAS, ESTÁ PREVISTA NA CONVENÇÃO DE GENEBRA!” Agora imagine os jovens do exército se deparando com uma situação para a qual jamais poderiam estar preparados. Eles não são polícia para sair distribuindo pescoções. O que eles deveriam fazer ? Atirar nos saqueadores ? Riculamente correr atrás deles para tentar prende-los ? Teria sido hilário, e criticado por isso. E de que jeito ? Com toda aquela armadura em cima ? Dar tiros para cima, causar pânico, se arriscar a alguma coisa grave, muito além do saque ? Tiros são tiros, ninguém se iluda. A melhor decisão foi aquela mesmo. Deixar correr solto. O que vale um saque depois da tomada de um país, depois da derrubada de um tirano ? Sem duvida, se Clinton fosse o presidente, os meninos saberiam EXATAMENTE o que fazer, não?.

Mais a frente o carinha dizia que o exército de libertação logo virou exército de ocupação, “PORQUE ELE VIU OS SOLDADOS AMERICANOS TIRANDO A ROUPA DOS POBRES DOS IRAQUIANOS PARA REVISTÁ-LOS, COM MEDO DE QUE FOSSEM HOMENS-BOMBAS!”. Para ele ( é um sujeito famoso) os soldados deveriam ser mártires, é a conclusão. Não posso acreditar que amigos nossos caminhem por essa trilha.

Agora eu volto a perguntar, você já viu entre as dezenas de artigos que lemos, talvez centenas, sugestões de como se deveria fazer no Iraque ? A única coisa que eu sei é sobre o famoso “é preciso ter um plano” do Kerry, (nunca explicou no que consistia “o plano”), e “a retirada”. Nada mais nada menos. Você vê, de montão, os articulistas contando histórias sobre o oriente médio, e dizendo asneiras monumentais, feito aquela que eu escrevei a você, o Fukuyama dizendo que os USA eram os culpados morais pela carnificina entre xiitas e sunitas.

No meu último e-mail eu fiz a pergunta sobre as informações contidas no livro O Vulto das T0rres. De posse daquelas informações você consideraria que o Iraque e a Al Qaeda eram parceiros, ou esperaria até que tudo se confirmasse com alguma coisa muito mais forte, que para falar a verdade eu não sei o que seria ? O livro não diz se havia fotos de satélites sobre os encontros. Mas a verdadeira pergunta é a que vou roubar de uma entrevista do Jarbas Passarinho . Dizia ele : “um terrorista encontra-se detido em um vestiário do campo de futebol e vai estourar uma bomba em 10 minutos matando 50 mil pessoas. O terrorista deve ser torturado ?” Ver o meu artigo clicando em cima do título: Você torturaria um terrorista ?


Cláudio: a discussão é longa. Mas você não pode passar por cima do fato de haver doutrinas de política internacional que influenciam os diplomatas, militares e estrategistas de modo geral. A teoria do dominó existiu, a da guerra revolucionária também, e por aí vai. Se o Bush tinha ou não a proposta de democratizar o Oriente próximo não importa tanto. Seus auxiliares principais tinham essa visão. Um sujeito feito o Wolfowittz certamente subscrevia, como professor universitário, a uma dessas teorias. As obras desse grupo foram analisadas, suas propostas práticas discutidas, etc., donde serem conhecidos como neoconservadores. Isso o artigo aponta bem, soubesse ou não o Bush em que se baseavam seus executores e auxiliares. Logo quando foi feita a invasão do Iraque, devo haver-lhe enviado dois longos artigos em que a doutrina neoconservadora era examinada. Os Rumsfeld, Wolfwitz e outros não escondiam sua visão de mundo, então não foi nenhuma inferência de leitores, pois se trata de uma doutrina exposta em livros e artigos. Assim com a doutrina Morgenthau, que nos recorda agora esse autor. O ponto do artigo dele é, precisamente, mostrar que a doutrina deste último levaria a questionar muito a invasão recente, como o fizera o próprio autor com a do Viettnam. Isso o grande traçado, com todos esses pormenores que você aponta, mas que, a meu ver, não anulam a tese principal de ser uma política fundada numa visão doutrinária e estratégica. E se a invasão não deu certo por ter havido dissenso interno nos EUA mostra que o Bush e seu grupo raciocinam em termos de um sistema que não é o americano, em que há oposição, imprensa e mil pontos de questionamento. Que foi, até, até recentemente, muito suave, pois raramente um presidente americano acumulou tanto poder e prestígio popular. Foi por ter dado com os burros nágua, no após invasão, que perdeu esse prestígio e, agora, as eleições parlamentares. Abraço,



Gosto de ver esses artigos para me atualizar com o pensamento liberal. Discordo de 99%, meu desejo é o de responder ponto por ponto, mas nem seria bom para mim e nem para você. Limito-me a dizer que com o tempo premissas completamente falsas tornaram-se aceitas universalmente, e sobre essas bases de “verdades” construiu-se um castelo imenso. Um exemplo é o de que os USA querem transformar os países do Oriente Médio em democracias. É falso, e já foi dito pelo Bush muitos anos atrás, eu vi e ouvi. Óbvio que é um desejo, mas o governo americano não joga todas as suas cartas nessa aposta. Não sei se você leu o Pulitzer de 2006 – não ficcão- O Vulto das Torres, escrito por um colunista do New Yorker, portanto insuspeito. Ele diz na página 326: …”houvera uma série de contatos entre o Iraque e a Al-Qaeda desde o final da primeira guerra do Golfo………Em 1992 Hassan al-Turibi promoveu um encontro entre o serviço de inteligência iraquiano e a Al Qaedacom o objetivo de construir uma “estratégia comum” (aspas do autor)….Queriam que Bin Laden parasse de apoiar os insurgentes anti-Saddam. Osama concordou, mas em troca solicitou armas e campos de treinamento dentro do Iraque.Naquele mesmo ano Zawahiri viajou até Bagdá onde se encontrou com o ditador iraquiano em pessoa” ….”agentes do serviço secreto iraquiano voaram até o Afeganistão a fim de discutir com Zawahiri a possibilidade de transferir a Al Qaeda para o Iraque” Tem mais coisas mas estou com preguiça de escrever. O autor , para salvar a pele, diz : “Mas não há nenhum indício de que o Iraque tenha chegado a fornecer armas ou campos á AlQaeda”. Bem, a CIA e outros seviços secretos não iriam chegar ao requinte de saber TUDO. Você não acha que o que está escrito, e eu tenho como verdade, já era suficiente para que informassem ao presidente de que deveria haver um elo entre Saddam e a Al-Qaeda ? E tem mais,  o serviço secreto britânico, ou M-6, e o presidente Putin disseram a Bush que as armas de destruição em massa estavam lá. Ponha a mão na consciência. Nada disso é discutido. Não adianta. Todos estão com a cabeça feita. Abraço.


 

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O caso raro do coronel Davis – comentário do blog

Esse esquisitíssimo artigo circulou entre intelectuais liberais brasileiros.

O caso raro do coronel Davis
Militar não acredita que EUA sairão do Afeganistão em 2014, como prometeu o presidente Barack Obama


É PROVÁVEL que você nunca tenha ouvido falar de Daniel Davis. Ele é tenente-coronel do Exército dos Estados Unidos, trabalha no Pentágono e participou das duas guerras contra o Iraque e da guerra no Afeganistão. Regressou recentemente de sua última missão nesse país e escreveu um relatório que começa assim: “Em seus comunicados ao Congresso e ao povo americano, os militares de mais alto escalão distorceram a tal ponto os fatos sobre a situação real no Afeganistão que a verdade se tornou irreconhecível. Isso prejudicou a credibilidade dos EUA diante de aliados e inimigos, limitando gravemente nossa capacidade de conquistar uma solução política no Afeganistão. Já custou bilhões de dólares que, se a verdade tivesse sido conhecida, o Congresso jamais teria aprovado; essa conduta de nossos líderes militares vem prolongando a guerra. Mas o maior custo decorrente do logro são as dezenas de milhares de militares feridos, mutilados ou mortos cujo sacrifício resultou em pouco ou nenhum benefício ao país”.
E esta é apenas a versão pública do relatório de Davis. Ele também produziu uma versão confidencial. Não satisfeito com isso, o coronel Davis publicou um artigo explosivo na “Armed Forces Journal”, em que afirma: “Tenho sido testemunha da ausência de êxito em qualquer nível… Quantos mais terão que morrer em nome de uma missão que não está tendo êxito?”.
Davis me disse que mais de 800 mil pessoas leram esse artigo. E foi apenas depois de toda essa atividade pública que ele informou a seus superiores. Quando o entrevistei, o fiz ver que essa é a conduta de alguém que parece não se importar com a possibilidade de ser expulso das Forças Armadas -ou até mesmo levado a julgamento. “Nada disso”, Davis respondeu. “Esta é minha vida. Quero continuar nisto enquanto eu puder servir a meu país.”
Que a guerra no Afeganistão esteja indo muito mal não constitui surpresa. A surpresa é que, segundo Davis, ela vai muito pior do que concluem os relatórios de militares americanos. Outra surpresa é que um oficial na ativa esteja infringindo todas as regras e denuncie seus superiores no Pentágono. E o mais surpreendente é que Davis ainda não tenha sido castigado.
Uma possibilidade é que o coronel goze da proteção de um grupo de generais dissidentes e seja, de certa forma, porta-voz desse grupo. Na conversa que teve comigo, Davis negou isso com veemência. A outra hipótese é que o Pentágono receie a possibilidade de uma represália aumentar mais ainda a visibilidade e influência do coronel. Finalmente, outra surpresa é que o coronel Davis me disse que não acredita que os EUA vão sair do Afeganistão em 2014, como prometeu o presidente Obama. Para Davis, a estratégia provavelmente será deixar fortes bastiões militares em alguns locais estratégicos do país. Segundo ele, as tropas deixadas nesses locais devem dedicar-se primordialmente a capturar -ou matar- os terroristas que usem o país como base. É uma maneira brutal de dizer que não existe esperança alguma de que apareça no Afeganistão uma nação pacífica, próspera e democrática.
@moisesnaim
Tradução deCLARA ALLAIN

 

COMENTÁRIO DO BLOG:

Bem, é óbvio que os EUA não podem sair do Afeganistão. Isso é pura demagogia misturada com total irresponsabilidade de Obama. E mais, os generais americanos, ao contrário do que diz o artigo, também pensam que a retirada é impossivel. Sair de lá é a mais típica atitude Liberal, é tolice, é rendição. A história é a seguinte: Obambi demitiu o antigo comandante no Afeganistão,  McChrystal, porque esse criticou o governo por não dar os recursos necessários para a vitória e, muito pelo contrário, estar todo o tempo recebendo ordens absurdas, comprometendo a vida dos soldados e marcando passo no teatro da guerra. O que mais enfureceu Mc Chrystall foi o governo dizer que a situação estava melhorando e iria retirar algumas tropas. Pois bem, Obambi ordenou que o general se apresentasse a ele, em Washington, e na tradição de que o poder civil está acima do militar ( nos EUA) demitiu de maneira humilhante o ingênuo general que havia dado uma entrevista para a revista Rolling Stone sem saber que seria publicada. Para o seu lugar cometeu o erro de nomear Petraeus extraordinariamente respeitado nos USA pelo seu grande sucesso no Iraque. Escrevi um artigo, onde, modéstia a parte , fui profético ao dizer que o presidente havia se tornado refém do general. Ninguém deu atenção, porque os jornais são de esquerda, mas o novo comandante pouco tempo depois se pronunciou contra a retirada das tropas no nivel que Obama anunciou. E o antigo Secretário de Defesa , Gates, a mesma coisa. Petraeus não foi demitido porque o Obambi não teve peito. Discretamente esperou um tempão, e depois nomeou-o Diretor da CIA,  uma promoção para tira-lo do Afeganistão.

 

Os USA podem sair se partirem para o bombardeio com aviões tripulados e com os drones, mas sabendo que as baixas civis vão crescer exponencialmente. Isso a turma liberal não admite. Então o impasse é absoluto. Estive lá, sei que os afegãos odeiam os taleban, odeiam os russos, e provavelmente já estão odiando os americanos. Além disso o ódio entre eles é famoso. Todo mundo armado, e nenhum entendimento entre as tribos. E por que os americanos precisam sair ? A única coisa correta que Mc Cain disse na campanha foi que as tropas poderiam ficar por lá mais 50 anos. Por que não ? Esse império perdeu 413.000 soldados na Segunda Guerra, 54.000 na Coreia, 56.000 no Vietnã, e agora não pode perder 4 mil, em 11 anos de luta ? Se deixarem o Afeganistão á sua própria sorte os taleban tomam o país rapidamente Será uma volta ao horror que conhecemos, além de que vai ser muito parecido com a queda de Saigon, onde os norte-vietnamitas tinham listas dos que cooperaram com os USA, e fuzilaram gente adoidado.

O politicamente correto, o freio Liberal é algo espantoso. Só se atira em um taleban quando este atacou primeiro ou o soldado recebe uma ordem, caso contrário o medo de se matar um civil, o medo da corte marcial, inibe qualquer iniciativa. Para quem se esqueceu, um piloto americano, logo no início da guerra, conseguiu identificar um comboio aonde se encontrava o mulá Omar. Ao invés de matar todo mundo , ele se comunicou com seus superiores nos USA, e chegou a ordem, dada de Atlanta, por um general advogado, dizendo que NÃO, ele não poderia matar o comandante supremo taleban. Quando o secretário de Defesa, Rumsfeld, ficou sabendo, “bateu portas e quebrou janelas”, mas nunca mais apareceu outra oportunidade. DEPOIS, um comando americano foi ao compound onde o comboio havia parado ( existe um vídeo) mas, é claro, que não encontrou mais ninguém. Um oficial americano (anônimo) disse que esse fato era o exemplo definitivo da decadência das forças armadas americanas. 

(Até hoje não se tem notícia do misterioso mulá)

 

Para entender melhor a questão clicar nos meus artigos: Obama e o General McChrystal ; O plano de saída do Afeganistão divide militares e assessores da Casa BrancaO general em seu labirinto

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