1) O ministro do Supremo é integrante oficial da corja petista; 2) Entrevista com Paul Johnson

O Brasil vai rolando ladeira abaixo. Um país estranhíssimo. Vejam a reportagem do GLOBO

TEXTO COM COMENTÁRIOS DO BLOG

Mensalão: procuradores querem Toffoli  fora do julgamento

 

Grupo mandou a Gurgel motivos que tornariam  ministro impedido de julgar caso

 

BRASÍLIA – Procuradores da República estão pressionando o procurador-geral,  Roberto Gurgel, para que peça o impedimento do ministro José Antônio Dias  Toffoli no julgamento do mensalão. O grupo já preparou uma sustentação teórica  defendendo que Toffoli deve ser declarado impedido e manda recados para que  Gurgel interceda. Os procuradores manifestam incômodo com a atitude do  procurador-geral no caso, porque avaliam que ele deveria ter atuado nesse  sentido, já que a permanência de Toffoli, na avaliação deles, pode prejudicar o  julgamento. Pode ???  Mas é claro que ele vai ficar ao lado da canalha que o colocou no Supremo Tribunal Federal. Vejam seu curriculum um pouco mais abaixo: 

 

Para uma procuradora ouvida pelo GLOBO, apesar do que já saiu na imprensa,  Toffoli parece não se constranger. E quem se constrange no Brasil ? Quem se envergonha de alguma coisa ?  Em minha rua morou um sujeito que ficou riquíssimo roubando junto com o Joaquim Roriz, ex-governador de Brasília. Seu nome saiu em todos os jornais. Ninguém na vizinhança se importa, e , pelo contrário, quando se fala na figura é sempre com um ponto de admiração. “Ajudou toda a família”, me contam admirados. Essa integrante do MPF diz que Gurgel tem  ciência dessa discussão entre os colegas, porque participa da rede de e-mails  que discute os mais variados assuntos.

— Esperamos que ele atenda o nosso pedido de provocar a suspeição do ministro  neste julgamento — disse a procuradora da República, que pediu para não ser  identificadaIsto é feio, muito feioClaro que ela deveria se identificar. É uma procuradora da República, tem fé pública, ocupa um cargo que teoricamente defende o povo brasileiro. Tenho certeza de que a maioria que leu a reportagem achou muito natural ela ficar no anonimato. Já nos acostumamos. A última pergunta da repórter deveria ser: “Por que a senhora não quer se identificar ?”  Qualquer que fosse a resposta sem dúvida seria o ponto alto da entrevista. 

Entre os pontos destacados pelos procuradores está a atuação de Toffoli como  advogado do PT à época em que ocorreram os primeiros fatos denunciados — os  empréstimos feitos por Marcos Valério para saldar dívidas do PT. Depois de ser  advogado do partido, Toffoli foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil,  em uma sala contígua à do então ministro José Dirceu, hoje réu no processo. Não é espantoso? Deve ter roubado da mesma maneira que os outros. Deveria ser réu, mas é JUIZ, um Ministro do Supremo Tribunal Federal!

O terceiro fator de suspeição seria a atuação da namorada do ministro, a  advogada Roberta Rangel, na defesa de réus do processo do mensalão. Os  procuradores apontam “vastas provas da ligação visceral de Toffoli com José  Dirceu e outros réus também integrantes da cúpula”. Namorada ?  E ela é advogada dos réus ????????????????????? Quer dizer, de fato, nós, os brasileiros, não somos de nada, não reagimos, aceitamos tudo o que eles querem, e ainda somos obrigados a votar – o que é o cúmulo do escárnio.  

De todos os ministros indicados por Lula para o Supremo, Toffoli é o que tem  mais proximidade política e ideológica com o presidente e o partido. Sua  carreira confunde-se com a trajetória de militante petista. Essa simbiose é, ao  fundo e ao cabo, a única justificativa para encaminhá-lo ao Supremo”, diz uma  das mensagens. O que o e-mail está dizendo é que ele  não tem “ilibada reputação e notório saber jurídico”, os requisitos teóricos para ser indicado para o mais alto tribunal do País. Mas, isto até que não seria nenhuma novidade, já que os outros ministros também não prestam. O que chama a atenção é que para os procuradores ele é suspeito de fazer parte da quadrilha que vai ser “julgada”. Apenas isso.

— É preciso uma decisão rápida sobre a participação do ministro Dias Toffoli  no julgamento do mensalão, para que sejam afastadas as sombras de especulações  de se tratar de um julgamento político. Em prol da boa técnica de um julgamento  isento, esse é um tema sobre o qual o Supremo Tribunal Federal precisa  ostensivamente decidir — afirma o presidente da Associação Nacional dos  Procuradores da República (ANPR), Alexandre Camanho.

Toffoli tem dito que não decidirá agora se vai ou não se declarar impedidoCaro Tofolli: no seu lugar eu daria uma banana para os procuradores, participaria do julgamento e absolveria todos os ladrões. Lembre-se que você foi colocado nesse lugar para AJUDAR, e não para atrapalhar. Outra coisa: Não custa nada pedir alguns milhões de dólares para serem depositados em sua conta no exterior. O Zé Dirceu está podre de rico (lembre-se que ele mandava nas Fundações), e com mais uma década de PT na presidência o Newton Cardoso vai ser pobre perto dele. Talvez a turma fique furiosa com o pedido, já que não foi isto o combinado, mas e daí ? Não perca esta oportunidade, ou a sua família jamais o perdoará.    Gurgel não comentou as cobranças dos colegas. Tá bom , Gurgel, não comente nada, não ouça nada, não veja nada. Nós entendemos perfeitamente. 

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ENTREVISTA COM PAUL JOHNSON

Em seu livro “Tempos modernos”, um êxito de vendas da história do século 20, o historiador britânico Paul Johnson descreve “um significativo marco na história americana: pela primeira vez, a Grande República, a nação mais rica do mundo, esbarrou nos limites de seus recursos financeiros”. Até os anos 60, escreve ele no capítulo intitulado “A tentativa de suicídio da America”, “as finanças públicas foram geridas de formas convencionais, em todos os pontos essenciais” – o que quer dizer, com orçamentos mais ou menos em equilíbrio, a não ser em circunstancias excepcionais.

“A grande mudança veio em principio, com Kennedy”, escreve o Sr. Johnson. “No outono de 1962, a administração se comprometeu com um novo e radical princípio de criar déficits orçamentários mesmo quando não havia emergência econômica”. Tirar esse aperto dos gastos do governo permitiu que Kennedy introduzisse“um novo conceito de ‘grande governo’: o ‘eliminador de problemas’. Cada área da miséria humana poderia ser classificada como um ‘problema’; então o governo federal poderia estar armado para ‘eliminá-lo’”.

Vinte e oito anos depois que“Tempos modernos” surgiu, Paul Johnson é talvez o mais eminente historiador britânico vivo, e o grande governo como eliminador de problemas esta de volta com uma vingança – juntamente com déficits de trilhões de dólares até onde nossos olhos alcançam. Eu visitei o Sr. Johnson, que tem 82 anos, em sua casa em Londres essa semana para perguntá-lo se a America, mais uma vez se decidiu pelo caminho da autodestruição. Será que ele esta preocupado com o futuro da America?

“Claro que eu me preocupo com a America”, ele diz.“O mundo inteiro depende da America no final das contas, particularmente a Grã-Bretanha. E também, eu amo a America – um país maravilhoso. Mas num certo sentido, eu não me preocupo porque penso que ela tem forças tão enormes –particularmente a sua liberdade de pensamento e expressão – que ela vai sobreviver como a maior nação num futuro próximo. E, consequentemente, cuidar do mundo”.

 

Pessimistas, ele destaca, vêm predizendo o declínio da America “desde o século 18”. Mas sempre que as coisas estão mal, a America“de repente produz essas coisas maravilhosas – como o movimento Tea Party, por exemplo. Isto me animou muitíssimo. Porque foi feito mais para as mulheres na política do que qualquer outra coisa – todas as feministas? Loucas! Trouxe muitas mulheres jovens e inteligentes para a linha política vigente e as elegeu. Um movimento pequeno mas muito bom. Eu gosto dele”. Então, ele intensifica sua voz para analisar e acrescenta: “E eu gosto desta senhora – Sarah Palin. Ela é ótima. Eu gosto do estilo dela”.

Da ex-governadora do Alaska ele diz, “esta na boa tradição da America, contra a qual vai esse negocio terrível de precisão política”, e mais: “Ela tem coragem. Isto é muito importante em política. Você pode ter todas as idéias certas e a habilidade de expressa-las. Mas se você não tem peito, se você não tem coragem como Margaret Thatcher teve – e Ronald Reagan, pensando nisso. Seu último presidente tinha coragem também – se você não cria coragem, todas as outras virtudes não valem nada. Coragem é a principal virtude”.

 

O Sr. Johnson, vestindo um paletó de tweed, uma malha verde e chinelos de veludo, fala em grandes parágrafos que conseguem ser bem formados de imediato e pontilhados com uma saudável dose de associação livre. Ele tem cabelos brancos e um sorriso vivo. Declara que ficou um pouco surdo, mas sua mente permanece afiada e ele continua escrevendo prolificamente. Sua principal concessão à idade, ele diz, é “Eu não escrevo livros extensos mais. Eu costumava escrever livros de mil páginas, mas agora eu escrevo livros pequenos. Escrevi um sobre Napoleão, com 50.000 palavras – gostei de fazer isso. Ele era um malvado. Eu fiz um sobre Churchill, que foi um bestseller em Nova Iorque, fico feliz em dizer. 50.000 palavras. Ele era bonzinho”. Ele tem também escrito pequenas biografias que estão para sair, como a de Sócrates (outro“bonzinho”) e Charles Darwin (uma “figura interessante”).

O Sr. Johnson diz que não segue mais a política de perto, mas da uma olhadinha no assunto do Oriente Médio. A erupção de insurreições no mundo árabe agora é “um fenômeno muito interessante”, ele diz. “É algo semelhante a tudo que nos já sabíamos, que aconteceu na Europa no século dezenove. Primeiro de tudo, tivemos a Revolução Francesa e as suas repercussões em países como a Alemanha e outros. Então, em 1830, muito parecido com esse fenômeno, houve uma série de revoluções na Europa, que surgiram como uma reação em cadeia. E então, em 1848, em uma escala muito maior – o que foi conhecido como o ano das revoluções”.

 

Em 1848, ele explica, “Praticamente cada país na Europa, exceto a Inglaterra é claro… teve uma revolução e derrubou o governo, de qualquer forma e por um tempo. Assim, isto é algo que historicamente é bem atestado e a mesma coisa tem acontecido aqui no Oriente Médio”.

 

Aqui ele injeta uma nota de cautela: “Mas eu noto que é muito mais provável que uma assim chamada ditadura seja derrotada se não for uma verdadeira ditadura. A da Tunísia não era. Mubarak não conduzia uma ditadura verdadeira no Egito. Ditadores verdadeiros naquela parte do mundo”,tal como a Líbia, são uma história diferente. Quanto a Moammar Gadhafi,“veremos se ele sai ou não. Eu acho que ele é realmente malvado, logo, esperamos que ele saia”. O regime sírio, ele acrescenta, “não faz muito tempo em Hama… matou 33.000 pessoas porque elas se revoltaram”. E aí, “acima de tudo”, tem o Irã. “Se pudermos nos livrar daquele terrível regime no Irã”, ele diz, “será um grande triunfo para o mundo”.

 

Julgamentos francos como esses são a marca registrada do trabalho de Johnson, expressos quase que com uma alegria infantil. De Mahatma Gandhi, ele escreveu em “Tempos modernos”: “Sobre o fenômeno Gandhi havia sempre um forte aroma de trapaça do século vinte”.

Sócrates faz mais o gosto do Sr. Johnson. Enquanto Gandhi, no dizer de Johnson, levou centenas de milhares à morte ao instigar uma revolta civil na Índia enquanto mantinha uma pretensa não violência, Sócrates “pensava que as pessoas valiam mais do que as idéias… Ele amava as pessoas, e suas idéias vinham do povo, e ele pensava que as idéias existiam em benefício do povo”, não de outras formas por aí.

Na imaginação popular, Sócrates pode ser o primeiro pensador profundo na civilização ocidental, mas do ponto de vista de Johnson ele era também um anti-intelectual. O que faz dele um dos caras bons. “Uma classe de pessoas que eu não gosto muito são os intelectuais”,diz o Sr. Johnson. “As pessoas dizem, ‘Oh, você é um intelectual’, e eu digo,‘Não!’ O que é um intelectual? Um intelectual é alguém que pensa que as idéias são mais importantes que as pessoas”.

E, sem dúvida, o trabalho e o pensamento de Johnson são caracterizados pela preocupação pelas qualidades humanas das pessoas. Cícero, ele me diz, não foi um homem “de quem gostaríamos de ter sido amigo”. Mas mesmo assim, “sempre vale a pena ler os trabalhos” do estadista romano.

A sua preocupação com a dimensão humana da historia esta refletida também em sua atitude em relação ao humor, assunto de outro livro recente, “Humoristas”. “Quanto mais velho eu fico”, ele me diz, “mais importante eu penso que é dar ênfase as piadas”. O que é outra razão para ele amar a America. “Uma das grandes contribuições que a America tem dado a civilização”, ele expressa com frieza, “é a piada pequena. A piada de uma linha só foi inventada, ou pelo menos, trazida a primeiro plano por Benjamin Franklin”. As de Mark Twain eram “as melhores”.

E então, veio Ronald Reagan. “O Sr. Reagan tinha milhares delas”. Aqui surge um sorriso largo na face de Johnson: “Isto é o que fez dele um grande presidente”.

Piadas, ele argumenta, eram um instrumento vital de comunicação para o presidente Reagan “porque ele podia ilustrar questões com elas”. O Sr. Johnson adota uma marcante impressão vocal do 40° presidente da America e da um exemplo: “Você sabe, ele disse, ‘Eu não estou tão preocupado com o déficit. Ele é grande o suficiente para cuidar de si mesmo’”. Voltando de sua própria risada, ele acrescenta: “Esta é uma excelente piada de uma linha só é claro, mas ela é também, uma questão econômica perfeitamente válida”. E aí, sua expressão fica séria de novo e ele conclui: “O Obama não tem isso. Ele se expressa através de parágrafos”.

O Sr. Johnson tem escrito sobre famosos e famigerados de todo o mundo e através de séculos, mas ele não se abstém de falar de seus encontros pessoais com a história. Ele é, ele próprio diz, “um membro dos diminutos grupos de pessoas que realmente se encontrou com” Winston Churchill.

 

“Em 1946”, ele conta, “ele apareceu em minha cidade para discursar em uma conferência do Partido Conservador. E eu consegui entrar justamente quando ele já estava indo fazer o seu discurso. E eu tinha 16 anos. Ele parecia amistoso, o que me deixou inspirado para dizer, ‘Sr. Winston Churchill, Sir, a que você atribui o seu sucesso na vida?’ E ele disse sem qualquer  hesitação” – aqui o Sr. Johnson diminui a sua voz e  coloca uma ratificável impressão de Churchill – “‘Conservação de energia. Nunca se levante se você pode ficar sentado. E nunca se sente quando você pode se deitar’”, ele relata com uma risada. “E eu nunca me esqueci disso”, ele diz, “porque na verdade, é um conselho muito bom”.

 

Então ele acrescenta a parte curiosa: “Bastante interessante é que Theodore Roosevelt, que, em muitos aspectos tinha muito em comum com Winston Churchill, mas era bem mais velho, disse dele, ‘Oh, este Winston Churchill, ele não é um cavalheiro. Ele não se levanta quando uma senhora entra na sala’”.

22 junho, 2012 às 11:04

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Categoria: Artigos

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